Entrevista: Rodolfo Abrantes

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Ele fez parte de uma das maiores bandas do Rock Nacional, os Raimundos. Hoje continua mandando Rock, mas em um segmento totalmente diferente: a música cristã. Alvo de especulações, assunto de boatos, incompreendido por muitos. No último sábado, 29 de maio, Rodolfo Abrantes, o homem que deixou uma banda no auge do sucesso para dedicar sua vida a Deus, concedeu, de forma gentil e atenciosa, uma entrevista esclarecedora ao POA Show. Em pouco mais de meia hora de conversa, Rodolfo fala sobre música, Deus, fé, mercado, Internet, conversão, Flamengo e, claro, Raimundos. Confira:
POA Show – Você está lançando um álbum ao vivo. Como surgiu o projeto e como aconteceu?
Rodolfo – Cara, foi mais pela oportunidade que a gente tinha em 2007. Tinha um congresso da nossa igreja (Igreja Bola de Neve) onde ia ser gravado o DVD da Tribo de Louvor, que é um ministério de louvor oficial da Igreja. Aí o meu pastor fez o convite, perguntou se eu não gostaria de estar gravando na mesma noite, pra aproveitar a gente poderia estar gravando junto. Não que a gente estivesse planejando fazer um ao vivo. Foi uma oportunidade que a gente teve pela estrutura legal, lugar, material de produção. Ia estar tudo lá, então a gente acabou registrando isso ao vivo. Até porque nos meus dois CDs eu gravo tudo. E essa foi uma oportunidade legal de mostrar pras pessoas como é o som ao vivo, com a banda e com o público interagindo junto. O resultado ficou bem legal porque tem uma energia bem diferente do que simplesmente é o material gravado e o registro das pessoas cantando as músicas, a galera adorando a Deus, isso ficou fantástico pra mim. Os pontos altos do CD são mesmo, pra mim, quando só tem o público cantando. Isso realmente me arrepia. Foi gravado em 2007, demorou um pouquinho pra ficar pronto por algumas questões, mas saiu agora em 2010 e tem sido muito bem recebido pelas pessoas. Foi uma noite especial.
POA Show – A estética do trabalho, tanto visual quanto sonora, é bastante Rock. As pessoas, normalmente, têm uma idéia um pouco distorcida sobre música Gospel. Como é trabalhar dentro destes moldes com esta temática?
Rodolfo – É uma linha muito fina. Eu nem gosto muito deste termo, “Música Gospel”, porque você põe um rótulo e parece que só o pessoal de Igreja vai ouvir. E na real, música é música, independente do que esteja sendo dito, é música. Eu estou cantando a respeito das coisas que eu vivo, a respeito das coisas que eu acredito. Muitas pessoas torcem o nariz, dizem “Pô, mas o cara agora é evangélico, então é música pra evangélico?”. Eu canto a respeito de Deus, não a respeito de uma religião. Bob Marley cantava a respeito da religião dele e atingia todo mundo. Eu não conheço ninguém Rastafári de religião e milhares de pessoas gostam do Bob Marley. As pessoas quando conseguem se libertar do rótulo e do preconceito acabam curtindo muito mais coisas. Ao mesmo tempo, pro pessoal cristão, ainda tem muita gente que ainda torce o nariz pro Rock. Acham que “meu, será que os caras são sérios mesmo?”. Mas existe uma geração que tem o Rock como um veículo, como um instrumento para levar uma mensagem. Eu acho um dos melhores veículos para se levar uma mensagem porque a dinâmica da coisa expressa muito da mensagem que você está levando. A gente tem tido uma resposta muito boa por onde tem passado porque o nosso foco é levar com sinceridade para as pessoas um entendimento, um relacionamento e a revelação que a gente teve a respeito de quem Deus é. De uma maneira não religiosa, mas de uma maneira como Deus mesmo quis, como um relacionamento do homem com ele. A gente tem se alegrado muito com o resultado das coisas.
POA Show – O rótulo “gospel” abrange muitas coisas, desde padres com estilo mais românticos até o Mortification (banda cristã de Heavy Metal). Isso acaba incomodando os artistas desse segmento?
Rodolfo – Não, não incomoda nem um pouco, porque na verdade a gente ta falando de Deus e da palavra dele. Gospel significa evangelho, significa boas-novas, então não incomoda nem um pouco porque é Gospel mesmo. Mas o resultado disso no ouvido daquelas pessoas que não tem esse entendimento as vezes limita, as vezes trava. Tem gente que quando vê o rótulo ali não quer nem se meter com isso. A pessoa não se permite ouvir nada diferente do que ela está acostumada a ouvir. Por esse lado eu acho que os rótulos são ineficazes, digamos assim. Mas não me incomoda nem um pouco.
POA Show – Temos hoje artistas Gospel ocupando posição de “headliner” até mesmo em grandes gravadoras. Esses artistas foram afetados pelo MP3 e pelo download livre ou é um mercado, de certa forma, imune a esse avanço tecnológico?
Rodolfo – Cara, o que eu acho é que o mercado mudou. Com essas novas tecnologias, novas formas de se vender música, se apresentar música… Mudou. O mercado tem que se adaptar. Não sei, acho que ainda está bem em fase de transição e de adaptação. Hoje em dia a gente sabe que tem muitas gravadoras investindo em venda virtual de música, usando essa tecnologia sem destruir o mercado. Por um lado a gente quer que a nossa música chegue a todas as pessoas da maneira mais fácil e rápida possível, então a Internet seria uma coisa muito boa. Você coloca uma página no myspace e o mundo inteiro tem acesso imediato àquilo. Agora, o retorno financeiro é realmente uma coisa que complica, então você vai ter que compensar por outros lados, priorizar algumas coisas. É mais um problema que as gravadoras vão ter que resolver entre elas. Porque o artista mesmo vai continuar tocando, quem gosta de tocar vai continuar tocando, quem gosta de produzir música vai continuar produzindo independente de isso dar rentabilidade ou não. Ainda mais no nosso caso, principalmente, a missão da minha vida é levar a palavra de Deus, é cantar o amor Dele e usar a música para divulgar essa mensagem, então independente de situação financeira ou de mercado a gente vai estar fazendo isso sempre. Claro que seria muito bom se o direito autoral funcionasse no Brasil como funciona nos Estados Unidos ou na Europa, por exemplo. Mas é uma coisa que eu vejo com bons olhos, acho que está melhorando. Em breve as novas gerações vão estar em uma situação bem diferente da nossa.
POA Show – Existe um mercado forte nesse estilo? É possível viver de música neste estilo ou ainda é preciso ter um emprego paralelo?
Rodolfo – Cara, o que mais precisa mudar é lado do profissionalismo. Muitas gravadoras, cristãs mesmo, montadas por Igrejas ou por pessoas com boa intenção no coração em divulgar a música cristã ainda falta um pouco de profissionalismo, mas isso é uma questão de tempo até essas pessoas aprenderem a trabalhar e a fazer isso do jeito certo, de um jeito legal e de um jeito extremamente produtivo. Mas dá pra viver plenamente bem, até porque o público cristão procura viver sua vida de uma maneira que honre a Deus. Em primeiro lugar esse é o nosso alvo, é honrar a Jesus na nossa vida. Se você leva isso a sério você vai eliminar da sua vida tudo aquilo que seja uma brecha, que você esteja corrompendo a lei, que você esteja, de certa forma, defraudando alguém. Nesse caso, falando de música, pessoas tendem a ir pela maneira legal da coisa: não comprando CD pirata, evitando baixar de graça na Internet, optando por honrar o artista, comprando música virtualmente, ainda que pela Internet. No mercado cristão a gente ouve a respeito de pessoas que estão vendendo milhões. Lázaro, por exemplo, vendeu milhões. Você não ouve falar em vender milhões nem na música secular. E no mercado cristão isso acontece. Até porque muitas vezes o material é independente e acaba saindo mais barato pro consumidor. Então é mais uma barreira quebrada, porque com o tanto de impostos a gravadora precisa ter um retorno. O CD de uma multinacional acaba saindo bem caro, com uma pessoa comprando na loja. Isso de certa forma colabora com a pirataria, é um argumento que as pessoas usam, o CD é muito caro. Tenho certeza que a música cristã ainda tem muito a oferecer ao mercado fonográfico brasileiro em geral em termos de uma nova alternativa para venda de material. Coisas novas estão pra acontecer, como eu disse, tenho esperanças de que as coisas vão melhorar.
POA Show – Pessoalmente, você ainda ouve alguma coisa de música secular?
Rodolfo – Não, não ouço não. Isso é uma opção minha. Eu nunca fui muito de parar para ouvir música nem nas antigas, não tinha nem som em casa, nem no carro, nem CD algum. Ouvia o que estava tocando ali no carro dos meus amigos ou em qualquer lugar. Ouvia passivamente. Não parava pra ouvir. Gosto de ouvir as coisas com as quais eu me identifico, que tem a ver com o momento que eu estou vivendo e o meu momento é esse, eu gosto daquilo que é adoração a Deus, que fala das coisas que eu aprendi. É uma opção minha.
POA Show – Você fez parte de uma das maiores bandas do Rock Nacional. Hoje toca para um público totalmente diferente e numericamente menor. Como é essa diferença? Existe essa comparação?
Rodolfo – Existir existe sempre, porque assim: Raimundos estava dentro de uma máquina muito poderosa. Tinha uma grande gravadora por trás, uma mídia absurda, com muito investimento. As pessoas às vezes não sabem o que acontece nos bastidores. Acham que a música está tocando na rádio porque todo mundo gosta. Na maioria esmagadora das vezes a música está tocando na rádio porque a gravadora pagou, a rádio toca e as pessoas acham que gostam daquilo.
POA Show – Até que enfim alguém falou!
Rodolfo – Claro! Isso é uma verdade. Na TV a mesma coisa. “Pô, os caras estão no programa tal”. Claro, a gravadora pagou e eles estão naquele programa. Não é porque é importante, porque é melhor ou porque é mais prestigiado. Claro que depois de um tempo, com um número grande de fãs as coisas podem até mudar, você não vai tirar o mérito de artistas renomados. Eu quero viver daquilo que é real. Prefiro chegar em um lugar onde tenha 200 pessoas que acreditam e que estão ali não porque foram induzidas ou manipuladas a estar ali, mas porque acreditam naquilo que você está cantando ou dão valor realmente ao que você está cantando e, muito mais, estão entendendo que ninguém é melhor do que ninguém, a gente está ali todo mundo adorando a Deus juntos. E tira um peso muito grande porque você deixa de ser aquele artista que a pessoa quer pegar autógrafo e tirar foto para ser mais um cara que está ali adorando a Deus junto com as pessoas e que no máximo vão chegar pra você e dizer “gostei do seu trabalho, legal que você veio”.  É um tratamento completamente diferente. Tem realmente essa diferença de número de pessoas, número de shows, mas ao mesmo tempo a gente é pego de surpresa. Por exemplo, semana que vem nós vamos tocar na Marcha Para Jesus em São Paulo. Normalmente nessas marchas para Jesus vão de 6 a 8 milhões de pessoas. Claro que estão espalhadas, mas eu já toquei em edição dessas que tinha, na boa, dois milhões de pessoas, fácil, na frente do palco. Eu nunca toquei pra um público desses quando estava no Raimundos. A estrela não é você, é Jesus. As pessoas estão lá por causa dele. Então é diferente. Completamente diferente. Eu me sinto muito mais livre. Eu viajo com a minha banda sem roadie, sem técnico de som, sem nada. Cada um chega e monta suas coisas. Normalmente a gente passa o som em 15 minutos e tá bom. Antes era uma equipe gigantesca, a tarde inteira passando som pra chegar na hora e o negócio estar ruim. Fico pensando, qual é a diferença? Bateria é bateria, baixo é baixo, guitarra é guitarra, então qual é o grande mistério? Acho que quando você simplifica as coisas você extrai uma essência muito mais pura e muito mais preciosa. Eu tinha perdido isso, o real prazer de fazer música. Parece que eu estou com 15 anos de novo, onde você passa som em 10 minutos e sai tocando. Isso pra mim é fantástico, dá prazer. Eu tenho prazer em montar meu equipamento e afinar meu instrumento, coisa que eu nem sabia mais o que era.
POA Show – Você passou por um milagre que mudou totalmente seu estilo de vida e, conseqüentemente, teve impacto direto na sua música. Você pode contar pra nós como foi, quando e de que forma aconteceu essa mudança?
Rodolfo – Jesus certa vez disse a seus discípulos: “Os sinais seguirão aqueles que crêem”. E Deus é um Deus de milagres. É um Deus que manifesta sinais. Esses sinais não têm o poder de mudar a sua vida, mas tem o poder de chamar a sua atenção. É como um sinal na estrada dizendo que tem uma curva fechada à direita. Essa placa só tem o poder de te avisar. Se você vai frear ou virar a direita, é depois de uma decisão sua. Depois de dar atenção àquele sinal você faz o que você quiser. Quando eu tive minha primeira experiência com Deus, em 2001, eu estava muito mal, minha saúde estava muito mal, eu estava cheio de sintomas no corpo que diziam que eu tinha alguma doença muito grave, tinha até medo de fazer algum exame. Eu não tinha nenhuma esperança de que a notícia fosse ser boa e eu achava que no estilo de vida que eu vivia era natural que eu tivesse alguma doença que fosse me matar. Envolvido com drogas, totalmente sem esperança com nada. Entreguei minha vida pra Jesus um belo dia e uma semana depois, durante uma reunião de oração, uma daquelas mulheres de Deus orando por mim disse que Deus mostrou pra ela que estava me curando de um câncer no estômago. Aquela mulher não sabia nada da minha vida, não sabia que eu estava com uma dor de estômago há mais de dois anos. Não sabia que eu estava entupido de caroços embaixo do braço e na região da virilha. Eram linfomas, já espalhados. Que eu estava perdendo muito peso… ela não sabia nada disso. Eu ouvi aquilo e disse “Ok”. Só que naquela tarde meu estômago parou de doer. Em três dias os caroços que já estavam há quase um ano no meu corpo, desapareceram e eu passei a engordar, a partir dali, em três meses, eu ganhei 19kg. Ou seja, eu não tinha nenhum exame para mostrar que eu estava doente, mas eu sabia que eu estava. Também não tinha nenhum exame para mostrar que eu estava curado, mas eu sabia que eu estava porque meu corpo reagiu. Foi um sinal que Deus manifestou para chamar minha atenção e eu passei a dar atenção a Ele. E conforme eu dava atenção a Ele e guardava a palavra d’Ele com carinho, dando o valor que ela tem como um tesouro maravilhoso pra mim, minha vida foi sendo transformada. Meus valores foram mudando, eu me tornei uma pessoa mais feliz, meu caráter foi mudando, minha maneira de enxergar o mundo e as pessoas foi mudando. Isso é o que chamamos de conversão. Não é apenas aceitar Jesus e está convertido. É um processo. Conversão significa mudança de caminho. Meus caminhos mudaram e, inevitavelmente, minha vida foi mudando. Tem uma música que eu canto que fala “nada muda enquanto você não mudar”. Então eu mudei primeiro e as coisas começaram a mudar pra mim. A ponto de eu chegar em determinado momento da minha vida e ter coragem de fazer uma opção que ia parecer loucura pra todo mundo mas, por causa das experiências que eu estava tendo, era a única saída que eu tinha se eu quisesse continuar feliz como eu estava me tornando. E, cara, não me arrependo de nada do que eu fiz, de ter saído da banda…Claro que se fosse hoje eu tentaria fazer isso da maneira menos barulhenta possível.em termos de preparar as pessoas que estavam envolvidas pra que o choque não fosse tão grande, dar uma declaração oficial na imprensa, coisa que na época eu não fiz, então dei margem para especularem tudo que quiseram e falarem muita besteira e eu ficar só tentando me explicar…Eu fiz o que tinha que fazer e venho colhendo os frutos de ter optado por Deus ao invés das riquezas desse mundo. E posso te dizer com sinceridade, estou vivendo com uma leveza na minha vida hoje que eu nunca experimentei e uma satisfação em fazer música que eu nunca tive. Tenho visto os frutos dessa escolha que eu fiz refletirem na vida de muita gente e isso é muito gratificante. Fico muito feliz.
POA Show – E o Rodox já começava a pisar nesse terreno?
Rodolfo – Quando eu saí do Raimundos eu queria falar de Deus pra todo mundo, então o Rodox foi uma tentativa minha, com as minhas forças, de fazer isso. O Rodox foi uma banda que foi mal compreendida pelas pessoas até mesmo pela época que ela apareceu, pelo barulho que fizeram… Eu montei o Rodox muito cedo, logo depois da minha saída. Então todo mundo ficou querendo comparar, criar situações, como se uma banda fosse contra a outra, tipo, “Você é fã dessa, não pode ser fã daquela”. Um período muito conturbado, as pessoas não sabiam que tipo de música eu iria fazer, só queriam dizer “Você saiu do Raimundos, você não podia ter feito isso!” (risos). Então não davam ouvidos. Hoje em dia vejo pessoas pedindo pra eu voltar com o Rodox, dizendo que a banda era demais. Eu acho que era uma banda que o pessoal não compreendeu muito bem. Era muito crente pra galera do Hardcore, era muito barulhento para a galera da Igreja, era uma banda meio incompreendida mesmo. Mas também porque dos membros da banda só eu era cristão, só eu queria ir pra esse lado, então com o tempo naturalmente veio um desgaste que não tinha como caminhar junto por mais tempo. Aí eu falei que “quero mais é Deus na minha vida e a música vem em segundo lugar”. Então optei por parar com Rodox porque tava ficando já uma coisa meio confusa pra todo mundo, e ser livre pra fazer a música que está no meu coração sem esperar reação de ninguém. Sabe… Às vezes parece que você vira escravo do estilo de música que você faz. É uma coisa meio louca. Você faz Hardcore, não pode fazer mais nada porque você traiu o movimento. O que é isso? Sou livre pra fazer a música que eu quero. Eu estava sentindo falta dessa liberdade de poder fazer algo que eu estivesse me sentindo confortável com a mensagem que eu quero trazer, que fosse sincera e estivesse no veículo certo.
POA Show – Hoje, depois de 9 anos, como você lembra daqueles dias no Raimundos?
Rodolfo – Cara… eu era um cara completamente equivocado. Eu lembro das coisas que eu falava, da forma como eu agia, das coisas que eu acreditava e eu tenho pena de quem eu era. Eu era muito equivocado. Não tenho saudade não. Perdi uma grande oportunidade de conhecer melhor as pessoas que estavam ao meu redor, de conhecer melhor o Brasil… Viajei por todos os lugares e não conheço lugar nenhum. Sabe ir em um monte de lugares e só conhecer o aeroporto, o hotel e o lugar que você tocou? Quando você está meio cego, não vê o real valor das coisas, acaba dando mais valor pra coisas que não tem valor algum. Sabe quando você tem a chance de fazer tudo de novo? Eu estou tendo essa chance, estou fazendo isso de novo e estou aproveitando bem mais agora.
POA Show – Você chega a acompanhar o que acontece com os Raimundos ou tem algum contato com seus ex-companheiros?
Rodolfo – Não, desde que saí dos Raimundos a gente perdeu contato. Infelizmente por muito barulho que a mídia fez. Foi inventada uma inimizade que nunca existiu. A gente não teve mais contato… Realmente não sei. Temos alguns amigos em comum que eventualmente me trazem alguma notícia, quem ta bem, onde tocaram… Fico sabendo mais assim. Desejo que os caras sejam felizes. Não vou ser ignorante e aceitar uma mentira que foi inventada, tipo “os caras são seus inimigos”. Não posso acreditar nisso, que passei metade da minha vida andando ao lado de inimigos. Eu não acredito nisso, não creio. Vai chegar o tempo onde a gente vai poder sentar junto e dar risada. Acho que pelo fato de eles estarem insistindo ainda na parada dos Raimundos e acreditando, tentando ver a parada virar, deixa a cabeça muito bitolada, mas o tempo vai curar isso.
POA Show – Existem boatos de que você teria recebido uma proposta milionária para fazer uma turnê de reunião. Procede?
Rodolfo – De uma maneira não oficial, sim. Não preciso esconder isso de ninguém. Chegaram na minha mãe, em Brasília, um grupo de empresários, pra tentar me convencer a fazer isso. Chegaram na minha mãe. Ninguém chegou pra mim, eu nunca vi a cara desses caras. Minha mãe veio me dar a notícia. É algo que eu nem levo em consideração. Jogaram lá uma cifra com vários dígitos e eu falei que nem por 10x isso. Minha vida não está a venda. O que eu creio não está a venda. A opção que eu fiz não está a venda. Eu sou feliz com Deus e não por causa de coisas que geram riqueza ou que o mundo possa me oferecer. Minha posição foi sempre a mesma. Se não me oferecessem nada ou me oferecessem 10 milhões minha resposta seria a mesma: Não. Aconteceu. Tanto que agora é o Tico que está lá, fazendo essa tão falada turnê. Eu estou na minha, eles na deles, desde o dia que eu saí dos Raimundos, Raimundos não é mais assunto meu.
POA Show – E a proposta para participar de “A Fazenda”?
Rodolfo – Foi engraçado isso…Uma pessoa da Record me ligou perguntando se eu estaria interessado porque eles teriam uma reunião onde seriam sugeridos alguns nomes. Me perguntou se eu estaria disposto para ela não chegar lá com um nome que não estivesse disposto. Agradeci terem lembrado de mim, mas não é muito a minha cara… (risos) Não me vejo numa situação dessas. Acontece, cara, porque as pessoas não sabem qual é a do que eu estou vivendo. As pessoas, normalmente, tem aquele negócio, artista que se converte normalmente dura pouco na fé. Talvez me vejam dessa forma. O que não é meu caso. Sou missionário e minha parada é servir a Deus, servir ao Evangelho, levar essa palavra adiante. Tenho mais satisfação em viajar pra pregar do que pra fazer show.
POA Show – Aqui no RS você tem seu público. Existem planos de vir pra cá com seu show?
Rodolfo – Várias vezes. Onde a gente toca tem gente que não é de Igreja nem nada mas conhece meu trabalho e vai lá pra ver qual é. Eu fico feliz quando vejo essas pessoas porque elas romperam o preconceito que muita gente não consegue romper. Conseguiram gostar de Rock, essas coisas, não freqüentar a Igreja e ir em um evento que vai ter música Gospel porque eles estão dispostos a talvez gostar de uma coisa diferente daquilo que estão pré-programados pra gostar. Acho muito legal quando vai a galera que curtia trabalhos anteriores, até convido as pessoas. De repente você vai ouvir um som barulhento pra caramba, enérgico, com uma mensagem diferente. Ninguém quer ouvir a mesma mensagem a vida inteira. Eu quero! (risos) No meu caso, eu quero! (risos). No meu caso não é entretenimento, é parte do meu culto a Deus, mas pra quem leva música como entretenimento, uma mensagem diferente acho que só vai somar.
POA Show – E aquela paixão pelo Flamengo, continua?
Rodolfo – Hoje tem né? Flamengo tá ruim pra caramba, vou ter que chamar minha sogra pra ver comigo, ela é Grêmio…
POA Show – Já te aviso que vai perder porque eu também sou.
Rodolfo – O Grêmio vai dar um pau no Flamengo, o Flamengo está todo desfalcado… O Pet renovou mas não joga, o Adriano já saiu fora, aquela meninada ainda tem muito chão pra comer… vai ser complicado…
N. do R: O jogo terminou 1X1.

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107 Comments

  1. Bianca Zaene

    Sabe qual é o problema? é que as pessoas vão continuar vindo aqui falando do Rodolfo, e de outras tantas pessoas que agora seguem o caminho da luz. Irmão todos por aqui estão cegos, e nenhum sabe responder o que realmente importa na vida, nenhum desses sabem dizer qual o sentido da sua vida, porque simplesmente e não têm um sentido na vida. Pessoas como eu e você temos mais é que orar para que pessoas como eles percebam que a vida que Deus sonhou para todos, é muito mais que nascer, viver uma vidinha sendo relativamente “feliz” e pronto, Temos que orar para que percebam que o plano de Deus e maior e muito complexo para nossas limitadas mentes.
    Fica na paz.

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  2. elenildo

    Rodolfo, eu tambem ja curtir muito o raimundos. Hoje, me converti a Cristo, realmente vejo, sinto e respiro essa diferenca. Deus continue te abencoando.

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  3. sabiah

    É Deus no Céu.
    Rodolfo na Terra.
    E Raimundos, quando Rodolfo era dono dos vocais, eternamente em meus ouvidos.

    Fico muito chateado, vendo os aglomerados em geral, que seguem seus ensinamentos e suas crenças/costumes/hobbys, chegando a uma conflitar com a outra. Seja o aglomerado cristãos ou platéia…
    Cristão lutam e se xingam por uma igreja melhor ou mais correta e fanática que a outra.
    A Platéia lutam pelo seu estilo e se xingam pelo seu ritmo preferido.
    E os dois aglomerados estão um dentro do outro, misturados.

    Rodolfo, drogas, criatividade, cuidados com sua saúde são de livre arbítrio.

    Amigos, estejam onde estiverem, o certo é fazer o certo.
    Pense nisso… seja em frente de uma banda de rock, seja dentro de uma igreja.
    Porque não fazer isso nos dois locais??? Ou melhor… onde você estiver.

    Vamos parar com essa babozeira de fanatismo…
    Até parece que cristãos não vão a shows e rockeiros não vão a igreja.

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  4. Janielly Lyma

    Eu sou muito fã do Raimundos,confesso que era melhor com o Rodolfo e ainda tinha esperanças de ver sua volta para o raimundos,mais diante dessa entrevista acabou com esse sonho,em compensacao eu pude conhecer quem é o “Rodolfo Abrantes”que muitos julgam.E depois de tudo que ele falou,eu posso defini-lo em uma unica palavra “VERDADEIRO”.

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