Rita Lee traz a Porto Alegre sua nova turnê, “Etc…”.

 
 

 

Sexta-feira, noite de estréia. Rita Lee, a titia do Rock Nacional, traz a Porto Alegre sua nova turnê, “Etc…”. Acompanhada de uma excelente banda da qual fazem parte seu marido Roberto de Carvalho e seu filho Beto Lee (responsáveis pelas guitarras), a cantora apresentou seu novo show de forma bastante despojada e irreverente.
 
“Agora só falta você” é a escolhida para a abertura dos trabalhos. Sob poucos aplausos, as cortinas se abrem revelando um belíssimo palco. A estrutura, digna de grandes turnês da Poladian (Produtora com mais de 50 anos de atividade, uma das maiores do Brasil), conta com detalhes luminosos por todo o palco, além de um enorme telão de LED ao fundo. A luz, igualmente espetacular, também chama a atenção. Já o som, sem novidades: excelente, como é padrão no Teatro do Bourbon Country.
 
Conhecida por sua irreverência e eloqüência no palco, Rita Lee se dirige ao público pela primeira vez agindo exatamente como outra cantora: Mallu Magalhães. “Oi… meu nome é Rita… tenho 62 anos… que mais? (risos) deixa eu ver… e vou torcer pra Argentina” Levou o público as gargalhadas, mas também ganhou vaias. “Desculpem gaúchos, queridos da minha vida, meus amorecos e tudo mais… o Dunga é um Armadinejad.” (aplausos) “Tem uma de… sei lá… uma coisa do futebol guerra, de ditador, que incomoda, é revoltado, arrogante, vingativo… e o Maradona vai sair pelado.” (mais risos) “Então em homenagem aos namorados eu não vou falar em futebol. Comecei a assistir hoje fiquei enlouquecida com aquelas cornetinhas… da próxima vez vou baixar o volume que aí também não escuto o Galvão Bueno” (aplausos estrondosos). Rita ganhou ainda aqui um presente de uma fã: velas perfumadas que gentilmente agradeceu.
 
Sem um álbum novo para divulgar, Rita aposta em grandes sucessos no repertório. Os hits “Pagu” e “Bwana” arrancaram reações contidas. Já “Atlântida” e “Insônia” não agradaram tanto.
 
Rita Lee então deixa o palco e retorna com uma peruca crespa, simulando uma cabeleira “Galcostiana”. A versão de “Baby”, dos Mutantes, fez com que muitos cantassem com Rita. Com um arranjo criativo, a banda fez de “Baby” um dos momentos mais emocionantes da apresentação.
 
Aos 62 anos, Rita Lee se dá o luxo de fazer o que tem vontade, mesmo que não faça muito sentido. A versão de “Bad” de Michael Jackson, contou com um sósia idêntico àquele último Michael Jackson do qual temos lembranças. Encerrou sua performance rasgando a camisa e levando alguns fãs mais exaltados ao delírio.
 
Passado este inusitado cover, o repertório empilhou sucessos: “Ôrra Meu”, “Doce Vampiro”, “Ovelha Negra”, “Banho de Espuma” e “Lança Perfume”, apesar de não arrancarem reações fervorosas, agradaram em cheio. Destaque para “Ovelha Negra”, que exibiu no telão fotos de Rita nas mais diversas idades. As imagens mais aplaudidas foram as da época em que fez parte dos Mutantes. Ainda em “Ovelha Negra” Rita Lee dá um discurso emocionado, dizendo que teve uma infância bacana, adolescência difícil e que hoje não tem motivos pra reclamar. “Nem se o Brasil perder a copa eu vou reclamar! Eu tenho uma coisa que é a melhor de todas. Tenho um namorado lindo, gostoso, que cozinha… eu faço faxina… tenho três filhos lindos… uns amores… Beto ainda teve uma filha, minha primeira neta… Como é que eu vou reclamar? Não dá. Acho que eu até beijaria a boca do Dunga! Eu digo que vou torcer pra Argentina mas chega na hora eu sei que não vou conseguir. O pior ainda está por vir: as eleições. Oh céus, eles não sabem o que fazem. Quero mais é que eles se fodam!”. Frase mais aplaudida da noite.
 
Para o bis Rita retorna e pergunta “E agora, gente?” Alguns gritaram “Erva Venenosa”, outros “Mania de Você” mas “Flagra”, um dos maiores sucessos de Rita, foi a escolhida. Em seguida uma surpreendente versão de “It’s Only Rock and Roll”, dos Rolling Stones, com Roberto de Carvalho nos vocais. “Erva Venenosa” fechou a apresentação com pouco menos de uma hora e meia de duração.
 
Apesar do público bastante apático, Rita Lee conduziu bem seu novo show. Nada de novo. Do alto de seus mais de 40 anos de carreira isso, bem como algumas outras coisas, parecem nem ter importância.
 

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

 

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7 Comments

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  2. pedro albuquerque

    Marcel, você foi bem econômico nos elogios ao resenhar sobre o show MARAVILHOSO da RITA LEE.
    Entretanto foi de uma generosidade descabida ao resenhar sobre aquele show HORROROSO E VAZIO DOS MUTANTES.
    Percebe-se uma parcialidade descomunal, suspeita, canalha!

    [Responder]

    poashow Responde:

    Caro Pedro Albuquerque.
    Em primeiro lugar, vamos falar de jornalismo.
    Uma resenha não feita de elogios. Um review tem a função de contar ao leitor o que aconteceu naquela noite. Como jornalista tento sempre manter um posicionamento imparcial, coisa que é premissa do POA Show.
    A função do jornalista não é agradar você. É transcrever em palavras o show.
    Se você acredita mesmo que o show dos Mutantes foi inferior ao da Rita Lee, você é mais fã da Rita Lee do que dos Mutantes. Apenas isso.
    Não tenho nenhum tipo de obrigação de elogiar a artista que você curte. Tenho obrigação de contar a verdade e isso eu fiz.
    Já resenhei mais de 100 shows. Recebi um comentário grosseiro e despreparado como o seu em apenas três ocasiões.
    O seu tratamento e a forma de comparar dois shows onde a comparação não cabe é que são vazios. Não o show dos Mutantes (que são a banda brasileira mais reconhecida no mundo).
    Você pode encontrar outra resenha do show da Rita Lee aqui mesmo neste site. Lá, acredito que a resenha esteja mais a seu gosto. pois o elogiei mais. Tem também uma entrevista com ela, que você pode ler.
    Enfim, canalha mesmo é se esconder atrás do teclado pra agredir um profissional só porque ele escreveu algo que você achou ruim. Isso é canalha.
    Enfim, a própria Rita Lee divulgou a resenha em seu site.
    Desculpe, Pedro, mas acho que ela tem um pouco mais de credibilidade que você.
    Marcel Bittencourt

    [Responder]

  3. Anderson Albuquerque

    Pedro Albuquerque, eu tenho pena de você.

    Tomou uma surra hein, cara?

    Uma pena um comentário idiota como este vir de alguém com meu sobrenome…
    Mas a resposta do autor foi muito boa.

    [Responder]

  4. pedro albuquerque

    Marcel, tenha a decência de reconhecer que a banda Mutantes que é reconhecida no mundo é a banda Mutantes da qual Rita Lee fazia parte, e não esse travesti que anda perambulando por aí. Aliás, se Rita Lee fizesse parte desse “Mutantes” que você tanto louvou, jamais o teatro estaria VA-ZI-O!
    E outra, garanto que esse Anderson Albuquerque é você mesmo com outro nome, para dar apoio a si mesmo. Tá na cara!

    [Responder]

    poashow Responde:

    Já respondi uma vez e tenho quase certeza que você entendeu.
    Não espere ter seus comentários sem sentido publicados aqui mais uma vez.
    Se você fosse alguém com um mínimo de seriedade teria deixado uma conta de e-mail válida.
    Marcel Bittencourt

    [Responder]

  5. sophia kern

    identifico como suspeita, canalha e ainda infantil, tal atitude frente a um texto que discorde da sua visão do show.

    eu estive no show dos mutantes e concordo com o que li na resenha do poashow.

    agora imagine se todo mundo que tivesse uma opinião contrária a do redator do site viesse deixar um comentário cretino como esse!
    será que não dá pra dizer por que razões discorda e mostrar pontos específicos?
    dói fazer crítica construtiva?

    pessoas como pedro fazem da internet um lugar pior.
    não sabem comunicar-se sem o conflito.

    [Responder]

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