Roberto Carlos em celebração ao romantismo

A noite do ultimo sábado, dia 12, foi uma celebração ao romantismo. Além da data comemorativa, a noite dos namorados ganhou um presente mais que especial: Roberto Carlos se apresentou mais uma vez na capital gaúcha.

Dentro do previsto por quem acompanha os shows de Roberto, a noite começa com o tradicional atraso de 45 minutos. A estrutura era basicamente a mesma da tour RC50 (que contou com cinco apresentações lotadas ano passado em Porto Alegre) exceto pela ausência do telão ao fundo. Desta vez, em aspectos visuais, o show ficou mais por conta das luzes do que das animações. Os telões laterais, no entanto, foram mantidos.

Pouco depois das 21h45 Eduardo Lages, maestro da banda do rei, sobe ao palco para a execução da introdução, que conta com trechos de “Como é Grande o Meu Amor Por Você” e “É Preciso Saber Viver”. Com arranjo instrumental muito bem elaborado, trechos de outras canções foram incluídas, mas sem tanto destaque.

O rei entra em cena com o tradicional traje branco. Exatamente como no ano passado, pausa, suspira, sorri e começa: “Eu já tenho mais de 35, então… cuidado… Quando eu estou aqui…” Exatamente como no ano passado, foi ovacionado.

Bastante sorridente, Roberto Carlos se disse muito feliz por estar novamente em Porto Alegre (ou “Aeroporto Alegre”, devido a quantidade de “aviões” que vê pelas ruas) e no Gigantinho e agradeceu ao público e aos patrocinadores. O show continua com “Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo” e “Além do Horizonte“, duas clássicas parcerias com o “Tremendão” Erasmo Carlos.

Um dos pontos altos da apresentação é a interpretação intimista de “Detalhes“, onde RC toca violão. Com uma levada bastante sutil, flertando com a Bossa-Nova, a versão foi um dos momentos mais emocionantes do show.

“Essa canção eu sempre cantei nos meus shows… Agora eu continuo cantando, não com a mesma alegria, mas com o mesmo amor…” A forma como Roberto anunciou Lady Laura (canção em homenagem a sua mãe, falecida recentemente) foi, literalmente, de arrepiar.

A grande surpresa ficou por conta da escolha de “I’m in the Mood For Love”, clássica canção do Jazz que já foi regravada, entre outros, por Nat King Cole, Charlie Parker, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra e Rod Stewart. Roberto Carlos desculpou-se por seu inglês, mas ninguém se importou. O que ficou foi a excelência do arranjo e da interpretação.

Os grandes clássicos da Jovem Guarda foram brevemente representados por um medley de “É Proibido Fumar”, “Namoradinha de um Amigo Meu”, “Quando” e “Por Isso Eu Estou Aqui” e “Jovens Tardes de Domingo”. Um momento nostálgico que se diferenciou também pelo uso de guitarras pesadas.

O show encaminha-se para o final com “Como é Grande o Meu Amor por Você” e “É preciso saber viver“, quando várias pessoas começam a tomar a frente do palco. Certas do que viria em seguida, a maioria das pessoas da “Área Azul” (mais próxima do palco) deixa seus assentos para ficarem um pouco mais próximas do Rei. O encerramento com “Jesus Cristo“ (em uma versão estendida, de mais de 12 minutos) foi o momento mais aguardado por muitas senhoras que compareceram: a tradicional distribuição de rosas. Roberto é paciente, carismático e solícito. Joga muitas rosas por toda a extensão do palco, até mesmo nas laterais. Recolhe todos os presentes que lhe são entregues, dentre os quais se destacaram um pequeno coração que Roberto levou ao peito e um enorme urso de pelúcia, quase da altura do cantor.

Um show do rei Roberto Carlos é uma experiência única que toda pessoa que tem algum interesse em música deveria ter. A grandeza das composições, dos arranjos e, principalmente, da interpretação de Roberto emocionam até os mais indiferentes quanto ao seu trabalho e a sua trajetória. Roberto Carlos está para o Brasil como Sinatra está para os Estados Unidos ou Gardel para a Argentina. É um ícone, uma lenda viva.

Roberto Carlos segue justificando a coroa que lhe foi concedida pelo povo brasileiro. Que venha o próximo.

Nota do Redator: Um detalhe que talvez tenha escapado do grande público foi a ausência do pianista Antônio Wanderley. O músico, que acompanha Roberto Carlos há mais de 30 anos, foi substituído pelo maestro Eduardo Lages, que assumiu o piano nesta apresentação. Infelizmente não temos o motivo da ausência do pianista.

Por:
Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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