Madeleine Peyroux, a Diva do Blues/Jazz, traz a Porto Alegre suas já consagradas releituras…

 
              Depois de quase dois anos desde sua última visita ao Brasil, a cantora e compositora Madeleine Peyroux desembarca em solo gaúcho para divulgar seu mais novo álbum, Bare Bones, que marca um passo importante em sua carreira: todas as faixas encontradas no disco são de sua autoria. Para quem não anda muito familiarizado com o histórico da moça, faço um breve resumo.
 
              Sua trajetória profissional começou em 1996 com o álbum Dreamland, que continha quatro composições suas e o restante de covers. Estourou no cenário mundial e foi aclamada pela crítica como a Billie Holyday do século XXI, mas logo depois se afastou do show bussines e continuou cantando como artista de rua em Paris. Anos mais tarde voltou a gravar discos, mas todos de covers, e foram eles que consolidaram sua estável carreira como uma das maiores intérpretes de jazz e blues do recente cenário musical. Mas foi com o elogiadíssimo “Bare Bones” que Madeleine se consagrou também uma ótima compositora.
 
              E foi com este material de inéditas que a cantora se colocou a prova em cima do palco. Não que as regravações exigissem menos de sua interpretação, mas é fato que ela possui um grande know how neste quesito. Porém, essa turnê pode servir como prova de que este artifício de recorrer aos catedráticos da música mundial pode ir, aos poucos, sendo deixado de lado, se tornando apenas mais um aspecto de sua obra, mas não a tônica. Claro que todos que vão aos seus shows, e ontem não foi diferente, esperam para ver suas lindas versões, sempre muito originais. Em momento algum Peyroux vai pelo caminho fácil da simples cópia do já consagrado, como foi constatado em “Dance me to the end of love” de Leonard Cohen, que alguns como Jô Soares arriscam a dizer que na voz de Madeleine fica melhor que a original.
 
              Ainda nos covers, outros dos inúmeros destaques foram “You`re gonna make me lonesome” de Bob Dylan, “La Javanaise” de Serge Gainsbourg, que foi cantada com todos os seus excelentes músicos à sua volta, formando um círculo em torno da cantora e nos remetendo a uma possível cena de alguma apresentação sua nas ruas de Paris. Não sei se a intenção era essa, caso tenha sido, eles acertaram em cheio.
 
              Do mais recente disco, tocaram várias musicas que fizeram com que o público não sentisse nenhuma diferença qualitativa no andamento do show. Não quero desmerecer os clássicos, longe de mim, mas tenho a nítida impressão de que caso ela tivesse optado por simplesmente criar suas músicas à imagem e semelhança das feitas pelos seus ídolos, a sensação de que em determinadas músicas a qualidade estava aquém do já mostrado ao longo da sua carreira, seria bem provável, mas não foi o caso. Faixas como “Bare bones”, “I must be saved” e “Instead” mostraram que Madeleine soube muito bem como usar toda sua bagagem para compor algo que tivesse em total sintonia com o seu passado, mas ao mesmo tempo apontassem uma nova direção.
 

              Caso você tenha visto algumas das três entrevistas que ela deu no programa do Jô e ficou com a impressão de que ela é extremamente introvertida, monossilábica ou algo parecido, pode ter certeza que está totalmente enganado. Em cima do palco a moça esbanja carisma e bom humor, talvez na televisão tenha faltado um pouco do “wonderful drink” que ela descobriu nessas bandas, mas que tão cedo não vai ser problema, ela mesmo disse que estava levando tudo que podia da nossa cachaça e que em breve voltaria para buscar mais. Ah, e de lambuja, para tocar aqui de novo… Se fosse possível.

 

Por: Angelo Borba

Fotos: Paulo Capiotti

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