Pouca Vogal lotando mais uma vez o Teatro do Bourbon Country

 

"A Voz do Brasil" ("O Guarani" de Carlos Gomes) anuncia o início do show do Pouca Vogal. A dupla, Humberto Gessinger e Duca Leindecker já conquistou seu espaço entre o gosto dos Gaúchos. Ambos fizeram/fazem parte da história do rock/pop Gaúcho com suas bandas de origem: Engenheiros do Hawaii e Cidadão Quem. Ambos poetas. As letras de Humberto são mais rebuscadas, implícitas. Um mestre no jogo de palavras que fazem com que se vá além do que se escuta. Duca é mais direto, mas nem por isso deixa de brincar com as palavras e transformar fatos do cotidiano em belas composições. As composições em comum se tornaram jogos de palavras cheio de significado.

O show começa com "Depois da Curva" e em seguida temos uma sequência composta de "Até o fim", "Girassóis", "Breve", "Pose", "Dia especial", "Além da Máscara" e "Somos quem podemos ser". Impressiona o coral, que parecia ensaiado, de toda a platéia, cantando baixinho e dando um espetáculo a parte.

Humberto chama então, chama Luciano Leidencker, irmão de Duca, para participar do show. Luciano assume um lugar entre Duca e Humberto e toca um instrumento criado por ele, chamado Quince. Com Luciano no palco, tocam "Música Inédita", "Na paz e na pressão" e "Terra de Gigantes". Ao se despedirem de Luciano, Humberto brinca que Luciano é o melhor músico de Quince do mundo, escolhido pela revista Quince Player. Momento de descontração e sorrisos.
Após de tocarem "Pra quem gosta de nós", Duca lista várias características e elogios e apresenta Humberto Gessinger. O contrário também acontece, mas no final, antes de dizer o nome de Duca, ele brinca: "e na semi-final da Libertadores da América", fazendo alusão ao Internacional. O futebol é uma brincadeira entre a dupla. Duca toca de terno vermelho (Internacional) e Humberto de terno azul (Grêmio). Porém, ambos de tênis e camiseta.
 

O set "Toda forma de poder" e "Banco (deve haver alguma coisa que ainda te emocione)". Em um refrão, Humberto brinca, cantando: "deve haver algum partido político que ainda te emocione". Após uma resposta negativa da platéia, ele devolve: "pelo jeito nenhum candidato que ainda te emocione", arrancando risadas. Junto, emendam um trecho de "Satisfaction" do Rolling Stones.

Duca, então, chama Renato Borghetti ao palco, destacando que ele teve participação e importância em ambas as bandas que dão origem ao Pouca Vogal. Tocam juntos "Pinhal" e Humberto chama seu "cumpadra" Carlos Maltz. A felicidade de estar ali fica clara no rosto de Maltz. Humberto explica que "e-Stória", a música que eles vão tocar, foi escrita em uma troca de e-mails entre os dois (Maltz mora em Brasília). A letra é uma clara ode as voltas que a vida e o mundo dão e as pessoas que passam pelas nossas vidas. Em seguida, "Depois de Nós".

Humberto assume o teclado e "Refrão de Bolero", um grande clássico, é tocado. Seguem "Ao fim de tudo", "3×4" e "tententender". Duca anuncia um pedido realizado pelo Twitter, "As pessoas nao precisam ser iguais as outras". "Piano Bar", "O amanhã colorido", "Pouca Vogal" e "Montanha".

Luciano é chamado de volta ao palco e o show se encaminha para o final. "A Força do SilênciO" e então Borghettinho e Maltz voltam ao palco. O clássico "Infinita Highway" é tocado, intercalado ao refrão de "Carona". O sentimento de despedida chega e eles se despendem cantando um "Muito Obrigado" bastante musical.

Após duas horas de show, saí de lá com a certeza de que escutei clássicos de minha infância e adolescência. E que esses clássicos ao longo dos anos estão atingindo novas gerações. Que temos poetas que falam do cotidiano de uma forma tão bonita, tão rebuscada, que até a mais difícil das situações da vida, tem sua beleza e razão de ser.

Por: Karina Kohl

Fotos: Karina Kohl

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3 Comentários

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  2. Inês

    Show do caralho!!!! Dancei e cantei do começo ao fim. Saí de alma lavada. Melhor banda de rock do Brasil. Os caras mandaram muito e mandaram bem. Não deixaram nada pra ninguém. E, por que não mencionar, o Dinho tá muitooooooooo gato aos 46 anos. Corpitcho e voz perfeitos!!!! Amei a volta inesperada dele ao palco fazendo cover do Green Day – que fe-liz-men-te terá produção da Opus, num local decente como o Gigantinho. Chega de produtoras fundo-de-quintal levando os grandes shows pra “locais agradáveis” como o Parque (lixão da) Condor ou o Estacionamento (fedorento) da FIERGS. Até lá!!!

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