Lobão apresentando o show Elétrico

   

   Na última noite de quarta-feira em Porto Alegre, um show especialíssimo. Longe da grande mídia com sua música, mas bastante conhecido do grande público por seu trabalho na MTV, Lobão se apresentou em Porto Alegre em um show definido pelo próprio como “bastante agradável”.

    A noite teve seu pontapé inicial exatamente às 23h06. Logo no primeiro acorde de “Mal de Amor” pode-se perceber um excelente timbre de guitarra. Lobão, cercado por seis delas e munido de um combo de dois amplificadores Laney e dois amplificadores Vox proporcionou aos admiradores do instrumento sonoridades realmente admiráveis, bem como sua sucessora “O Jogo Não Valeu”, também do álbum “Nostalgia da Modernidade”, de 1995.    “Essa noite está muito aconchegante aqui no Opinião… está bastante agradável!”, disse o sorridente Lobão, em sua primeira interação com o público gaúcho, antes de “Bambina”. A canção, originalmente cantada por Alice Pink Pank (ex-esposa de Lobão) no álbum “Ronaldo Foi Pra Guerra”, aqui teve os vocais assumidos pelo cantor em uma interpretação muito mais do que agradável.

    Lobão trouxe a Porto Alegre uma banda muito competente, formada por Caruso (Guitarra), Duda Lima (Baixo) e Armando Jr. (Bateria).  Com uma pegada bastante Rock, a banda também teve sua parcela de responsabilidade pelas excelentes versões de “Canos Silenciosos”, “A Vida é Doce” e, especialmente, “O Homem Bomba  (Basta é o Caralho!)”, que ganhou um peso típico do Black Sabbath. A comparação, que pode parecer esdrúxula a primeira vista, teve todo o sentido ao vivo.

    Outro destaque foi “El Desdichado II”, que abre os álbuns “A Vida é Doce” e “Acústico MTV”. A canção, de uma densidade e intensidade bastante fortes, ganhou ainda mais nesses quesitos com a versão ao vivo, onde Lobão se dá a total liberdade para improvisar berrando ao microfone.

    Se Lobão abusou da autonomia e liberdade de escolha na primeira parte do repertório, a segunda metade foi um prato cheio para os fãs de longa data: Lobão emendou “Vida Louca Vida”, “Noite & Dia”, “Me Chama” (canção de maior receptividade na noite) e “Essa Noite Não”, sucessos que permanecem no inconsciente coletivo e que serviram para o público cantar junto com seu ídolo.
    Para encerrar, a banda manda “Vida Bandida” e “Radio Blá”, onde o sempre ácido Lobão alterou o refrão para “Eu ligo o rádio / e JABÁ / Jabá, jabá, eu te amo!” em uma clara crítica à cobrança de “contrapartida” por parte dos radialistas na hora de divulgar um artista nas grandes rádios do Brasil. Mandou muito bem.

O bis, com o qual muitos não contavam, foi abrilhantado por uma versão mais arrastada e até mesmo intensa de “Help” dos Beatles e o hit que faltava: “Corações Psicodélicos”, que serviu para fechar duas horas de um show bem pensado: a primeira metade com músicas mais “lado B” e a segunda com os grandes sucessos do artista. Um repertório inteligente e bem pensado, para agradar a gregos e troianos.
 
Lobão se mostrou um artista versátil, com grandes hits para o grande público e canções de qualidade impar para agradar seus fãs mais exigentes. Como músico também não deixou nada a desejar. Uma apresentação para poucos privilegiados que vale cada centavo.
 
Que venha o próximo.
 

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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