Toy Dolls: Punk Rock performático no Opinião

Noite de quinta-feira em Porto Alegre e a banda da noite é um ícone do Punk Rock mundial. A banda inglesa Toy Dolls, formada por Mr. Duncan Redmonds (Bateria) e Tom ‘Gloober’ Blyth (baixo e vocal), além do carismático vocalista e guitarrista Michael ‘Olga’ Algar volta a Porto Alegre na turnê que comemora os 30 anos da banda. A abertura ficou por conta dos gaúchos da Pernalonga, com uma apresentação bastante curta. Antes do show, conversamos brevemente com Renato Osório, guitarrista das bandas de Heavy Metal Magician, Scelerata e Fighterlord, fã incondicional do Toy Dolls: “É uma banda punk, mas que não é punk. Eu, na adolescência comprava vinil dos caras… é uma banda do caralho, com uma atitude do caralho e que toca pra caralho. Sou fã dos caras.”.

Pouco depois da meia-noite o trio sobe ao palco para “Cloughy is a Bootboy”. Vestido os tradicionais paletós com gravatas curtas e óculos de diferentes cores (Olga usava óculos amarelos, Gloober vermelhos e Mr. Duncan verdes, coincidindo com as cores da bandeira do Rio Grande do Sul). Na seqüência, “Dougy Giro” fez o público cantar junto. Após “Queen Alexandra Road” Olga se dirige ao público com um largo sorriso e uma palavra, em bom português: “Obrigado”.

Bastante performáticos, o Toy Dolls conquista não apenas por seu som, mas pela atuação cênica, que chega a ser circense em determinados momentos. As coreografias e a performance da banda no palco são um show a parte. Em “Lambrusco Kid” Olga larga a guitarra e empunha uma enorme garrafa de champanhe inflável, com direito a um pequeno estouro de papel picado. Já o público (que fez sua parte comparecendo em bom número mesmo com uma quinta-feira chuvosa), apesar de formado por todo tipo de pessoa, era constituído em sua maioria por pessoas que conheciam bem o trabalho dos ingleses.

Não satisfeitos com a performance elétrica (a banda não para um minuto), o trio inglês vai se desfazendo do figurino. O paletó é deixado de lado, dando lugar aos coletes, que seriam igualmente dispensados no vindouro bis.

O show continua com outros clássicos como “Nelie the Elephant”, “Spiders in the Dressing Room”, “Idle Gossip” e “Fisticuffs in the Frederick Street”, entre outros, sempre com ótima reação do público presente.  

O momento mais hilário ficou por conta do choque que Olga levou no microfone antes de “Harry Cross (A Tribute to Edna)”.  E a já clássica versão para “Toccata in D”, de bach, serviu para demonstrar a técnica dos músicos do Toy Dolls. A inusitada união entre punk rock e música clássica respondeu por um dos pontos altos do show, bem como sua sucessora “Alec’s Gone”, onde o público ficou responsável pelo primeiro verso. Emocionante.
 
Com uma hora de show, a banda se despede pela primeira vez. Pouco depois retornam, com Olga executando a introdução do tema instrumental “When The Saints Go Marchin’ In” com a guitarra nas costas e arrancando aplausos. Após “Glenda & The Test Tube Baby” houve ainda um segundo bis com outro grande clássico: “She Goes to Finos”. “Tune Theme”, que encerrou a apresentação.

    Em apenas 1h15 o Toy Dolls deu seu recado com muita competência. Simples, rápido e direto, como o Punk Rock deve ser. Provaram, ainda, ser uma banda de palco, daquelas que soam muito melhor ao vivo. Tudo isso, somado ao fato de se tratar, certamente, de um dos shows mais singulares que se pode ver, fazem com que um ingresso para o show do trio valha cada centavo.

Diversão garantida ou seu dinheiro de volta.
 
Por: Marcel Bittencourt
Fotos: Fabiana Menine
 

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