Nando Reis volta ao bar Opinião

Em sua terceira passagem pela capital gaúcha, a turnê que promove o álbum “Drês” (2009) lotou o Bar Opinião mais uma vez. Com a casa completamente cheia, Nando Reis – um dos maiores músicos brasileiros da atualidade – pode mostrar novamente seus maiores sucessos como compositor e muita coisa de qualidade da sua fase rock n’ roll mais recente.

Com cerca de cinquenta minutos de atraso, Nando Reis subiu ao palco do Opinião para iniciar o seu show ao lado da banda Os Infernais. Embora tenha se apresentado em Porto Alegre com esse mesmo espetáculo em julho de 2009 e em março de 2010, muita expectativa cercava a apresentação do ex-Titãs na cidade. Os ingressos se esgotaram quatro dias antes do show e o carinho com que o músico foi recebido pela plateia mostraram o tamanho da popularidade que Nando Reis tem no sul do país.

O show iniciou com as recentes “Drês” e “Mosaico Abstrato”, ambas muito bem recepcionadas por mais de dois mil gaúchos que lotavam todos os espaços disponíveis do Opinião. O último trabalho de Nando Reis – que se distancia um pouco das referências mais pop dos seus primeiros discos solo – possui bastante apelo frente ao público. Depois da absoluta e reverenciada “Sou Dela”, do álbum “Sim e Não” (2006), “Hi Dri” deixou claro o ótimo momento em que a carreira de Nando Reis se encontra ao lado de Carlos Pontual (guitarra), Felipe Cambraia (baixo), Alex Veley (teclado) e Digo Gameiro (bateria).

Em sua primeira pausa para conversar com a plateia, Nando Reis destacou a importância da cidade gaúcha para a sua trajetória musical, sobretudo em razão do disco “MTV Ao Vivo” (2004), gravado naquele mesmo palco em junho de 2004 e muitíssimo bem recebido pela crítica e pelos fãs. Como não poderia de ser diferente, o cantor faz uso indiscriminado de suas composições – mesmo que registradas por outros artistas – em seu show. “O Mundo é Bão Sebastião”, uma de suas últimas colaborações com o TITÂS, veio na sequência, juntamente com “No Recreio”, sucesso na voz de Cássia Eller.

De qualquer modo, os primeiros acordes de “Ainda Não Passou” foram suficientes para manter a plateia animada. A balada – um dos maiores destaques do novo álbum de Nando Reis– concorreu ao Grammy Latino de melhor composição brasileira em 2009. Embora “Hoje Mesmo” seja uma grande composição, o show do cantor paulista perdeu um pouco da sua eficácia com as novas “Livre como um Deus” e “Pra Você Guardei o Amor”, mas se recuperou com uma versão curta e alegre para “Não Vou me Adaptar” (de Arnaldo Antunes) e para a extremamente ovacionada “Relicário”.

Depois desse pequeno set acústico, Os Infernais retornaram ao palco do Opinião para dar continuidade às músicas mais rock n’ roll do ex-Titãs. No longo repertório da noite, “A Letra A” precedeu “Espatódea”, outra faixa acústica, dessa vez retirada do álbum “Sim ou Não” (2006). Os gaúchos voltaram para a mão de Nando Reis em uma versão interessante de “All Star”, outra faixa de sucesso na voz de Cássia Eller. Em contrapartida, “Por Onde Andei” – composição que contou com o apoio incondicional da plateia – foi emendada com um trecho de “Primavera” (Tim Maia).

Na parte final da apresentação, Nando Reis preparou um misto entre as suas maiores composições e algumas faixas de menor expressão dentro da sua carreira. Depois de “Luz dos Olhos” – outra que recebeu a voz potente de Cássia Eller – “Dessa Vez” e “N” não conseguiram agitar o público, já um pouco cansado em razão do show que já somava mais de duas horas. Como encerramento, um arranjo mais cadenciado em “Os Cegos do Castelo” (Titãs) e uma versão intensa para “O Segundo Sol” resultaram a primeira despedida do músico.

Nando Reis, que deixou o Titãs em 2002 e é atualmente um dos dez maiores arrecadadores de direitos autorais no Brasil, retornou em menos de dois minutos para o bis. Enquanto que Os Infernais retomavam os seus postos no palco do Opinião –  fazendo malabarismos com cigarros e cervejas – a estrela da noite avisou que a última sequência do espetáculo seria uma homenagem aos músicos brasileiros. Dessa forma, a banda executou “Táxi Lunar” (Zé Ramalho) e “Whisky a Go Go” (clássico do Roupa Nova), antes de emendar “Bichos Escrotos” e “Marvin”, ambas do Titãs. A despedida derradeira veio com “Do Seu Lado”, sucesso de expressão grandiosa nas mãos do Jota Quest.

Enquanto que muitos esperavam um show relativamente curto, os fãs mais fervorosos do músico se surpreenderam com um espetáculo de exatas 2h20 de duração. Certamente, a carreira de Nando Reis mais uma vez foi passada a limpo na capital gaúcha – e não há um único aspecto a reclamar quanto a isso.

Set-list:

  1. Drês
  2. Mosaico Abstrato
  3. Sou Dela
  4. Hi Dri
  5. O Mundo é Bão Sebastião (Titãs)
  6. No Recreio
  7. Ainda Não Passou
  8. Hoje Mesmo
  9. Livre como um Deus
  10. Não Vou me Adaptar (Arnaldo Antunes)
  11. Pra Você Guardei o Amor
  12. Relicário
  13. A Letra A
  14. Espatódea
  15. All Star
  16. Por Onde Andei/Primavera (Tim Maia)
  17. Luz dos Olhos
  18. Dessa Vez
  19. N
  20. Os Cegos do Castelo (Titãs)
  21. O Segundo Sol
  22. Táxi Lunar (Zé Ramalho)
  23. Whisky a Go Go (Roupa Nova)
  24. Bichos Escrotos (Titãs)
  25. Marvin (Titãs)
  26. Do Seu Lado

 

Por: Paulo Finatto

Fotos: Leonardo Manara

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