Titãs ao vivo é rock de verdade

Uma das maiores bandas de rock do cenário nacional ainda em atividade esteve em Porto Alegre para divulgar seu mais recente trabalho. A turnê "Sacos Plásticos", da agora “trintona” Titãs, marca mais uma baixa no grupo, já que o baterista Charles Gavin também resolveu abandonar o barco titânico. Coube aos membros remanescentes segurar a peteca e sair Brasil afora para a turnê de promoção de "Sacos Plásticos". E não é que eles estão se dando bem, pelo menos ao vivo?

 

Um ótimo público foi ao Teatro do Bourbon Country para prestigiar a banda, aliás, um dos destaques da noite ficou por conta da miscelânea que é o público dos Titãs hoje em dia, que vai desde casais levando seus filhos ao estilo show família, passando pela gurizada na faixa dos 20, 25 anos até grupos de jovens senhoras. O interessante é que dá para perceber muito bem que existe certa separação entre estes “grupos” à medida que a banda vai alternando entre composições mais antigas e músicas que foram temas de novelas recentes. Por exemplo, quando a banda tocou “Porrada”, meia dúzia de pessoas sabia do que se tratava. “Lugar nenhum”, também clássico indiscutível dos anos 80, parece não ter feito o público reagir como era de se esperar. Ao contrário, “Porque eu sei que é amor”, do último disco, foi cantada em peso. Vale lembrar que a fase áurea dos Titãs (responsável pela consagração da banda) foi justamente os anos 80.

 

    Apesar de contar com uma formação bem reduzida (Sérgio Brito, Paulo Miklos, Tony Bellotto, Branco Mello e o baterista substituto Mario Fabre) a banda proporcionou ao público uma belíssima apresentação de rock. Mas rock mesmo, é bom deixar bem claro. Um timbre de guitarra pesadíssimo, bateria com uma forte pegada e baixo bem nítido aliados a um bom repertório garantiram a alegria geral dos presentes. O set list soube contentar todos os tipos de fãs, desde os que consideram “Domingo”, de 1995, o último bom disco da banda, até os que conhecem somente as baladas radiofônicas como “Epitáfio” (que, é claro, foi um dos momentos altos do show).

 

Foram vários os clássicos apresentados: “Flores”, “O Pulso”, “Marvin”, “Televisão”, mas o destaque ficou por conta de uma versão arrasadora de “Comida”. A apresentação não contou com muitas novidades na escolha do repertório, exceto pela execução thrash de “Polícia” que deixou a versão do Sepultura parecendo música de ninar, além, é claro, da incursão de várias músicas do novo álbum, como “Amor por Dinheiro”, que abriu o show e “Deixa eu Entrar”, que fez lembrar as músicas mais antigas da banda, por ser uma composição rápida e pesada, sem muita frescura.

 

No geral a apresentação foi ótima. É muito boa a sensação de estar diante de lendas vivas do melhor que o rock nacional já produziu. Os Titãs têm material de sobra para fazer uma apresentação de três horas e com muita qualidade, mas acabam esbarrando na necessidade de ter que agradar a um público muito diferente entre si. Isso torna a apresentação um pouco previsível às vezes, mas não o suficiente para enfraquecê-la. Acaba, também, dando uma sensação de que aquela veia punk característica da banda, presente inclusive em algumas composições novas, tem que volta e meia dar lugar a algo mais palatável ao público ocasional, aquele que vai ao show pelo evento em si, por ser uma banda famosa.

 

Fazia tempo que não cobria uma apresentação de rock para o site, já estava com saudade. Sorte a minha que foi justamente com essa grande banda que se deu essa oportunidade. No site dos Titãs tem um texto em que o Branco Mello acena com a possibilidade de um novo trabalho em breve: “Voltou aquele desejo de ficar fazendo discos novos”. Resta saber se eles vão continuar tentando agradar a seus vários tipos de ouvintes ou vão resgatar de vez o espírito anárquico que os consagrou.

 

Por: Angelo Borba

 

 

Fotos: Fabiana Menine

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