Green Day incendeia o Gigantinho

 

Quarta-feira, 13 de outubro. Um dia para ficar na memória dos fãs de Rock da cidade de Porto Alegre. A banda californiana Green Day trouxe sua mais nova turnê, “21th Century Breakdown” à capital gaúcha. Mais do que uma parada no itinerário dos americanos, Porto Alegre recebeu o primeiro show do Green Day no Brasil desde 1998 e, acima de tudo, uma apresentação explosiva, imprevisível e cheia de energia.

A abertura dos trabalhos ficou a cargo dos gaúchos do Superguidis. Bem recebidos pelos presentes, a banda fez um show de exatos 30 minutos, conquistando boa parte do público do Green Day. Destaque para “Cara Ruim”, que abriu o show.

Antes do show do Green Day um caricato coelho de pelúcia rosa agitou o público bebendo cerveja e dançando ao som de “Don't Stop 'til You Get Enough”, de Michael Jackson e “YMCA” do Village People. Esquisito, mas muito divertido.

Pontualmente às 21h30 as luzes se apagam para a introdução “Song of the Century”. Em seguida Tre Cool (bateria), Mike Dirnt (baixo) e Billie Joe Armstrong (guitarra e vocal) sobem ao palco do Gigantinho acompanhados de outros três músicos de apoio e bastante entusiasmados. Mike corre de um lado para outro. Billie sobe no retorno e levanta o público para a primeira canção da noite: “21th Century Breakdown”, que começou ao som de uma estrondosa explosão com fogos de artifício. Poucas vezes em Porto Alegre se viu um início de show tão arrebatador.

“Vocês estão prontos? Vocês estão prontos? Oh, meu Deus, O Brasil é o país mais bonito do mundo!!!” exclamou o vocalista, visivelmente entusiasmado.

“Know Your Enemy” também foi bastante bem recebida, dando seqüência à catarse que tomou conta do Gigantinho. O público que lotava o local fez ecoar a letra, especialmente do refrão, pelas dependências do ginásio. No palco a banda não parou um minuto. Elétrica e explosiva tal qual seu show, o trio demonstra uma energia fora do comum.

Antes de “Holiday” Billie Joe diz precisar de um voluntário. O vocalista vai até a extremidade direita do palco e escolhe um menino para acompanhá-lo, proporcionando a ele um momento inesquecível. Na seqüência “Nice Guys Finish Last” também agradou muito.

Um dos pontos altos foi o mega hit radiofônico “Boulevard of Broken Dreams”. O primeiro trecho foi executado apenas por Billie Joe ao violão. A partir do primeiro refrão, a banda retorna, fazendo a canção ganhar uma grandiosidade ímpar.  Em “2000 Light Years Away” vários fãs subiram ao palco. Apenas um deles era homem. Como já aconteceu em outras ocasiões, foi justamente o menino que ganhou de Billie Joe um hilário beijo na boca. “Hitchin’ a Ride” botou o Gigantinho abaixo outra vez, mas acabou sendo esquecida diante do impacto do clássico absoluto “When I Come Around”. Disparadamente a canção de maior receptividade na noite.

Um (nem tão) pequeno bloco de covers também abrilhantou ainda mais o já grandioso show do Green Day. A introdução de “Iron Man”, do Black Sabbath antecedeu uma boa versão de “Rock and Roll” do Led Zeppelin. Um pequeno trecho de ‘Sweet Child O’mine”, do Guns ‘n’ Roses, em uma nova roupagem bastante lenta serviu de introdução para parte de “Highway to Hell”, do AC/DC. Esta, Armstrong fez questão de estragar errando totalmente a letra. Ninguém se importou. O que importava, ali, era a diversão.

“Brain Stew” e ”Jaded” foram executadas na seqüência, tal qual no clássico videoclipe. Na última, as maiores labaredas  da noite esquentaram o Gigantinho. Em um curioso contraponto, Billie Joe usou uma arma de água contra o público. Não satisfeito, o vocalista fez uso de outros “armamentos”: Uma “metralhadora” de papel higiênico (que causou um belo efeito visual) e uma espécie de “bazuca” de pressão, com a qual o guitarrista lançou diversas camisetas para o público. Mais um dos diversos momentos singulares  do show. Não satisfeito, Billie ainda ensaiou um break, concluído com o típico gesto de Michael Jackson com a mão na virilha. No exato momento, mais uma explosão, que arrancou risos.

A partir dali o repertório passou a privilegiar os fãs mais antigos. “Temos fãs ‘old school’ do Green Day aqui hoje? Essa vai para os ‘old school’”, prometeu Billie. “Mas antes, precisamos de um cantor. Um verdadeiro cantor para essa música”. Procurando entre o público, a banda escolhe uma menina para cantar “Longview”. Apesar da falta de afinação e de um probleminha com o tempo da canção, a menina demonstrou personalidade e ganhou o público que foi solidário. Além do dia de glória assumindo os vocais do Green Day, a sorte foi ainda mais generosa com ela: “Espere, espere… quero lhe dar uma coisa…”.

Sim, ela ganhou a guitarra.

Além de “Longview”, versões destruidoras de “Basket Case” e “She” foram, ao lado de “When I Come Around”, as canções mais fortemente cantadas na noite de quarta, provando que o clássico álbum “Dookie”, que catapultou o Green Day para o sucesso mundial, ainda é o trabalho mais emblemático da banda.

A reta final da primeira parte da apresentação contou com “King For a Day”, mais um cover, “Blitzkrieg Bop”, dos Ramones (com o baterista Tre Cool nos vocais e Billie Joe na bateria) e “Minority”, com muita pirotecnia e uma grande chuva de papel picado. O show já contava, aí, com 2h15 de duração.

Para o bis a banda preparou “American Idiot”, “Jesus of Suburbia”, “Whatsername” e as belas “Wake Me Up When September Ends” e “Good Riddance (Time of Your Life)”. Um encerramento espetacular para um show épico, de 2h45.

Durante exatos 165 minutos o Green Day foi pura energia. Deu tudo de si em cada segundo. Mostrou-se uma banda que está no palco por uma única razão: o amor ao que fazem. Sua competência é incontestável e seu talento é inegável. São, provavelmente, a mais completa banda de Punk Rock da história. Tem, certamente, o show mais completo. Quase três horas de música, performance cênica, pirotecnia, muitas explosões e hits. Muitos hits.

O Green Day proporcionou aos gaúchos, ontem, um dos melhores shows de Rock da história de Porto Alegre. Isso pode ser afirmado sem medo. Uma cidade que, só este ano, já recebeu grandes nomes como Guns ‘n’ Roses, Metallica e Aerosmith, tem agora mais um grande concorrente na busca pelo título de “show do ano”.

Que venha o próximo.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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10 Comentários

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  4. mani

    bah cara, que tri! brasil sempre com um público legal!
    assim as banda só tendem a gostar daqui e voltar sempre!

    matéria demais. coisa de fã mesmo

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    Iscarlet Responde:

    Baaaah mew, melhor show de todos aqui em Porto Alegre, Billie Joe enloqueceu o público gaúcho, foi impossivel de não gostar do show, a melhor parte de todas foi quando ele canto “Jesus of Suburbia” daí ele deu uma pausa de 5 minutos e todos mundo foi a loucura quando ele começo a cantar denovo. Adorei a matéria de vocês. Parabéns 😀

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  5. ZéPoa

    POASHOW pra variar, arrebentando, tanto na qualidade das fotos quanto no desenvolvimento da matéria……congratulations..

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  6. Diego

    Já vi AC DC, Aerosmith, Stone Temple Pilots, Rage Against The Machine etc
    Esse show do Green Day me surpreendeu, um verdadeiro espetaculo, e não apenas uma banda tocando musicas.

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  7. ana

    Meu muitoooo bom o show nossa hitchin a ride ele detonou formando um bate cabeca entre o publico , e time of you life num solo inesquecivel com certeza se tornou melhor momento das nossas vidas igual diz a musica , simplesmente fantastico , eles sao extremamente simpaticos com seus fans andam em todo o palco para poder dar atencao a todos, agora so fico imaginando a emocao da menina que alem de cantar e fazer uma performance junto ao grupo ainda ganha a guitarra meu eles sao demaissssssssssssssssss !!!!

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