Tributo a Tom, Chico e Vinícius lota o Teatro São Pedro

Há alguns anos, três grupos musicais de Porto Alegre que tinham projetos ligados aos compositores homenageados, tiveram a feliz idéia de unirem forças e proporcionarem ao público que costumava vê-los separadamente nos bares e casas de shows da capital um espetáculo reunindo a obra destes que figuram entre os grandes da música popular nacional.

A Tribo Brasil, o grupo Carne de Panela e a banda Roda Viva já vinham apresentando neste mesmo Theatro São Pedro o espetáculo “O Maestro, o Malandro e o Poeta”, sempre com bastante interesse do público. Mas o que se viu nesta última apresentação do dia 25 foi uma procura muito grande por ingressos, e o teatro teve ocupado todo o seu espaço. Apesar de contar com uma boa divulgação pela cidade, o que garantiu todo esse interesse foi mesmo o boca-a-boca das pessoas que já haviam assistido a apresentação. Prova do sucesso do projeto.

O show conta com a presença de 12 músicos muito talentosos das três bandas citadas, que garantem um corpo musical muito consistente. O talento do conjunto não é apenas técnico, mas de um bom gosto muito surpreendente. Conscientes de suas diferenças vocais, os dois cantores Gabriel Maciel e Zé Leandro não ficam tentando imitar as vozes ou trejeitos de nenhum dos homenageados, o que garante uma bela autenticidade ao espetáculo. Os outros músicos desempenham seus papéis de forma igualmente exemplar. Diferente de Vinícius e Chico, que tem no seu ponto forte a poesia, Tom Jobim sempre chamou muito mais atenção pelo aspecto de execução técnica e criação harmônica do que lírica, e nisso o pianista Fernando Leitzke também não deixou a desejar. Os temas de tônica ao piano foram executados de forma precisa.

A dinâmica do show alternava músicas dos três compositores, tanto em parcerias dos três, como em dupla ou solo. Ou seja, a gama de músicas a disposição era enorme, e eles souberam escolher um repertório que privilegiasse os três de forma igual, cobrindo várias épocas de suas composições. Sem dúvida os “pout pourris” contendo várias canções de cada artista foram responsáveis por grandes momentos, mostrando bom gosto na escolha das músicas que comporiam um pequeno apanhado de cada artista.  Comprovando que o espetáculo foi muito bem pensado em seus detalhes e não simplesmente a junção do que cada grupo já fazia antes de montarem esta apresentação. O entrosamento entre os músicos é notável e a apresentação corre firme e concisa.

Com certeza é um espetáculo que ainda terá várias edições, pois sua qualidade é incontestável e o desejo do público pela obra dos homenageados ainda é enorme. Culturalmente a idéia do espetáculo e muito oportuna e comercialmente é certeira.
 
Palmas para seus idealizadores.        
 
Por: Angelo Borba
Fotos: Samuel Nervo
 

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