Glenn Hughes: A Voz do Rock em Porto Alegre

Noite chuvosa de domingo e Porto Alegre recebe mais um grande nome do Rock and Roll: Glenn Hughes, lendário baixista e vocalista que já fez parte de grandes bandas como Trapeze e Black Sabbath, mas que fez história principalmente no Deep Purple, com os álbuns clássicos “Stormbringer” e “Burn”. Dono de uma carreira solo de muita qualidade, Glenn Hughes vem a Porto Alegre para uma apresentação curta, porém histórica.

A noite começa pontualmente às 21h, com a atração de abertura: a banda convidada é a “novata” Venus Attack. Novata entre aspas: seus integrantes são figuras bastante conhecidas no Metal gaúcho. A Venus Attack começa chocando por seu visual, que remete diretamente a algumas bandas como Good Charlotte e My Chemical Romance tanto pelas vestimentas da banda quanto pelo corte de cabelo adotado pelo vocalista Mike Polchovicz (ex-Hangar). A banda faz um Heavy Metal pesado e direto que, apesar das influências clássicas do estilo, traz uma sonoridade moderna e com muita personalidade. Com repertório baseado principalmente em composições próprias, surpreendeu na escolha dos covers: “Flash of the Blade”, do Iron Maiden e “To Tame a Land”, do Hangar (ex-banda de Polchovicz). Entre as músicas próprias, destaque para o single “S.O.S”, que encerrou a apresentação competente da Venus Attack. Estranhezas à parte, a Venus Attack vem para ser mais um nome de referência no heavy metal do sul.

Pouco depois das 22h, com a casa completamente lotada por seiscentos privilegiados (o que causou, inclusive, certo desconforto) as luzes se apagam para o início da apresentação: Passando pelo lado do palco, bem próximo do público, Glenn Hughes sobe ao palco do Beco com seu belíssimo Precision Bass vermelho. Com peso e energia, “Muscle and Blood” é a escolhida para levar o público ao delírio pela primeira vez na noite de domingo. Na sequencia, “Touch My Life”, do Trapeze, também arranca fortes aplausos. Desde o início da apresentação impressiona a qualidade e a saúde na voz de Glenn Hughes, cantando tão bem quanto ou ainda melhor do que em seus áureos tempos de Trapeze e Deep Purple. Com performance excelente também no baixo, Glenn Hughes é ovacionado pelos fãs de Porto Alegre.

“Amo vocês! Amo vocês! Estou muito feliz em estar novamente no seu país. Para mim vocês estão bem aqui!” disse o simpático Hughes, apontando para o lado esquerdo do peito.

O primeiro clássico da banda na qual Glenn Hughes fez mais história, o Deep Purple, foi “Sail Away”, do álbum “Burn”. Em meio à canção, a surpresa: uma queda de energia deixa o palco iluminado apenas pelas luzes de emergência. O público faz sua parte de forma memorável: continua cantando a canção até o final, acompanhada apenas pelo baterista Pontus Engborg.  Apesar da adversidade, com certeza esse foi um momento marcante da apresentação de domingo.

A banda que acompanha Hughes também surpreende por sua qualidade: formada pro Pontus Engborg (bateria),Andres Olinder (teclados) e pelo excelente guitarrista Soren Andersen, a banda desempenha bem sua função de acompanhar um artista do quilate de Glenn Hughes.

O clima psicodélico toma conta do Beco em “Medusa”, do Trapeze. Interpretada por Hughes com muita emoção e peculiaridade.

Em “Mistreated” mais um problema técnico: some o som do baixo de Hughes e a música acaba por morrer antes do final. Foi aí que Glenn Hughes deu uma “pequena” demonstração de sua experiência, talento e genialidade: acompanhado apenas do teclado de Olinder, o vocalista executa um solo vocal apenas sobre a harmonia de “Mistreated”. Um momento impar em um show singular.

“Preciso de alguns minutos para que eu não perca minha voz. Voltaremos assim que funcionar”, justificou Glenn antes de deixar o palco para que o problema com o baixo fosse resolvido. Após uma expectativa temerosa, quase 10 minutos depois a banda retorna. Para alívio do público, a apresentação continua normalmente, com “Stormbringer” e “Soul Mover”, que fecham a primeira parte da apresentação.

Mais alguns minutos de intervalo e Glenn Hughes retorna para “Addiction”, do álbum solo de mesmo nome e o momento mais esperado da noite: “Burn”, disparadamente a música mais bem recebida da noite. O Beco explodiu ao som do maior clássico da MKIII do Deep Purple.

Porto Alegre teve a oportunidade de apreciar, no último domingo, uma apresentação muito especial. Assistir a um show de uma lenda do Rock como Glenn Hughes em uma casa para apenas seiscentos privilegiados é algo que, realmente, não acontece com freqüência. Além disso, uma apresentação com apenas 11 músicas dificilmente consegue deixar uma sensação de satisfação tão forte e tão intensa. Aos 59 anos Glenn ainda mostra saúde, energia talento e um domínio impressionante naquilo que faz tão bem há quatro décadas.

Porto Alegre teve shows gigantescos em 2010. Mas shows pequenos como este podem, sim, ser muito grandiosos. Pelo menos foi o que ficou comprovado no último domingo, com uma aula de Rock proporcionada pelo mestre Glenn Hughes.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Linny Rocks

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