Ozzy Osbourne : A história do Heavy Metal em Porto Alegre

    Noite de quarta-feira, 30 de Março. Mais um dia para ficar na história em Porto Alegre. Dezenove anos depois de o Black Sabbath se apresentar na capital (contando, então, com Ronnie James Dio nos vocais), o público gaúcho teve a oportunidade de conferir ao vivo o vocalista original do quarteto que deu origem ao Heavy Metal.

    Conforme manda a lei, houve espaço para uma atração de abertura. Desta vez, uma banda praticamente desconhecida do público: Gunport. O quarteto teve muita personalidade, subiu ao palco poucos minutos antes do previsto (19h55). Sem dar oportunidades a reações negativas, iniciam seu show, tocam suas ótimas composições com muita competência e deixam o palco sem dizer uma palavra. Donos de uma sonoridade densa, um estilo bastante singular e de uma identidade musical ímpar, o Gunport foi uma aposta vencedora para ocupar esse espaço. Uma banda que merece a atenção do público. Enfrentaram o monstro e venceram.

    Também cinco minutos antes, às 20h55, as luzes se apagam para receber o Príncipe das Trevas: sozinho, Ozzy é o primeiro a subir ao palco do Gigantinho. Estrondosamente ovacionado, Ozzy pergunta: “Estão preparados para irem à loucura?”. E a noite já começa com um dos maiores clássicos da carreira solo: “Bark At The Moon” faz o Gigantinho explodir pela primeira vez. Logo na primeira música, a imagem que virou símbolo desta noite em diversos veículos de imprensa: Ozzy recebe uma bandeira do Grêmio e, surpreendentemente, exibe-a ao público e a usa como um manto por cerca de um minuto. Em seguida, a bandeira é deixada de lado e fica à direita da bateria de Tommy Clufetos. O gesto que, naturalmente, dividiu o público entre vibração e vaias foi um dos momentos mais marcantes da passagem de Ozzy pelo Rio Grande do Sul. Na seqüência, a excelente “Let Me Hear You Scream”, single do último álbum, “Scream”.

    Outro clássico incontestável, “Mr. Crowley”, com a soturna introdução executada pelo tecladista Adam Wakeman foi cantada em coro pelo público presente. Aqui, Ozzy usa seus clássicos óculos redondos com lentes azuis, mas rapidamente os atira em direção aos fãs. Alguém ganhou um presente inesquecível. Também em “Mr. Crowley” o Madman usa pela primeira vez uma mangueira de espuma “contra” aqueles que encararam o desconforto da grade para ficar mais perto de Ozzy Osbourne.

    O Black Sabbath foi lembrado pela primeira vez na noite com “Fairies Wear Boots”, para alegria dos fãs mais antigos. Aliás, este foi um ponto bastante interessante da apresentação: pessoas de todas as idades. Deparamos-nos com crianças, adolescentes, jovens adultos e pessoas de cabelos brancos. Mais um exemplo da força da música de Ozzy.

    Após “Suicide Soluction” e “Road to Nowhere”, mais Black Sabbath com “War Pigs”, uma das músicas mais cantadas da noite. Destaque para a performance do guitarrista Gus G, que inseriu harmônicos bem ao estilo de seu antecessor, Zakk Wylde.

Apesar da ótima performance vocal de Ozzy Osbourne, foi em “Shot In The Dark” que foi possível sentir um pouco o peso da idade: mesmo com a tonalidade alterada para as possibilidades do vocalista, Ozzy deixou de cantar alguns trechos, deixando a responsabilidade para o tecladista e guitarrista Adam Wakeman.  Voltando ao repertório do Sabbath, “Rat Salad” (que contou com dois excelentes solos do guitarrista Gus G e do baterista Tommy Clufetos) e “Iron Man” empolgaram.
 
O encerramento de um repertório quase perfeito ficou sob responsabilidade de “I Don’t Want to Change the World” e “Crazy Train”. Para o bis, Ozzy optou pela belíssima “Mama I’m Coming Home”, com direito a isqueiros e telefones celulares iluminando a platéia, e “Paranoid”, maior clássico de sua banda original.
Durante toda a apresentação, o que se viu foi puro carisma. Um senhor debilitado de 62 anos, andando com dificuldade, mas comandando uma massa de Rockers de todas as idades com sua música forte e visceral. Ozzy bateu palmas, pulou, cantou bem e fez um show que muitas pessoas jovens e saudáveis não conseguem fazer. Um Ozzy feliz, brincalhão, com seus típicos baldes d’água no público e muitas caras e bocas. Um exemplo de como o Rock and Roll pode te manter vivo e bem vivo.
 
Foram 100 minutos sem grandes surpresas no repertório (o mesmo dos outros shows da turnê sul-americana), mas que surpreendeu pela energia daquele que é julgado por muitos como uma pessoa que sofre os reflexos de uma vida de excessos. De fato, esses reflexos são visíveis, mas não interferem na hora de fazer um grande show de Rock.
 
A história esteve diante dos nossos olhos na noite de quarta-feira.  Antes de “Paranoid” Ozzy pergunta: “Devemos voltar no ano que vem?” e recebeu como resposta um sonoro “Yeah!”.
 
Promessa é dívida.

   
Bark at the Moon
Let Me Hear You Scream
Mr Crowley
I Don’t Know
Fairies Wear Boots
Suicide Solution
Road to Nowhere
War Pigs
Shot in the Dark
Rat Salad
Iron Man
I Don’t Want To Change the World
Crazy Train

Encore

Mama, I’m Coming Home
Paranoid

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Altelier 523

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2 Comentários

  1. rafael

    um dos melhores shows de metal que já passou por porto alegre, foi muito gratificante compartilhar do mesmo espaço com a raiz do metal, momentos como este que fazem a vida valer a pena.

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  2. karyze geovannah

    eu infelismente não tive a oportunidade de ter ido no show do ozzy osbourne em porto alegre mas quem sabe um dia o ozzy não venha me dar a oportunidade de ver ele aqui em são luis……………acho que a vida só poderá valer a pana se o heavy metal fazer parte dela,……….bjos geovannah

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