Kamelot vem a Porto Alegre desfalcado, mas faz alegria dos fãs

  

 

A noite de domingo, dia 10 de abril, iria por à prova para os gaúchos se a escolha do Kamelot em excursionar com Fabio Lione (Rhapsody of Fire, Vision Divine e substituindo o vocalista original Roy Khan), teria sido acertada ou não. Vários rumores sobre a saída de Khan pipocaram na internet nos últimos dias, mas até agora nada de concreto.  O fato é que a banda convocou uma figurinha carimbada e muito conceituada dentro do universo metálico, que não daria margem para desconfianças técnicas por parte do público. De bobos não tem nada!

      Após um estranhamento inicial com o anúncio de Lione, os fãs acabaram aos poucos aceitando a idéia. Para surpresa geral, acabaram ficando bem empolgados com a possibilidade de presenciarem uma turnê única na história da banda. Tudo isso foi aumentado após a divulgação de vídeos de shows com Lione nos vocais, e isso fez com que os temores se dissipassem por completo.

      Foi neste espírito que o Kamelot subiu ao palco do Opinião, com a sensação de uma aceitação já conquistada (com ajuda da internet), e confirmada por completo quando a banda entra em cena com Fabio Lione sendo muito aplaudido. Escolheram uma música fortíssima, “Rule The World”, para o início da quebradeira, emendando com “The Gost Opera” e a porrada de” The Great Pandemonium”. Uma coisa que infelizmente chamava a atenção, e eu digo infelizmente porque parece já ter se tornado um problema crônico e sem solução, era a baixa qualidade do som que se ouvia. O volume estava bem alto, enquanto que praticamente não se ouvia a guitarra do Thomas Youngblood, exímio guitarrista, diga-se de passagem. A partir da quinta música, “Center of The Universe”, alguém deve ter avisado o técnico de áudio e este saiu correndo para reposicionar o microfone da caixa de Thomas (aí, então, houve melhora). Mas ainda estava embolado demais em alguns momentos.

      “Nights of Arábia”, seguida de “A Sailorman`s Hymn” foram os únicos momentos em que o set list privilegiou o material que o Kamelot gravou na década de 90. Fora isso o repertório contou com músicas dos discos mais recentes. Nesse sentido o Kamelot é uma excessão à regra, onde as bandas possuem clássicos “antigos” e pouco apresentam material novo nos shows. Isso é um ótimo sinal para a banda, que ainda tem muita lenha pra queimar.

      Voltando para o seu álbum mais clássico, de 2005, tocam duas das preferidas do público e que funcionam muito bem ao vivo, “When The Lights Are Down” com seu refrão veloz e extremamente grudento, seguida de “Soul Society”, que tem uma levada menos rápida, mas que possui um refrão igualmente arrebatador. Dando continuidade ao show, que mantinha um pique incrível, tocam “Hunter Season”, uma das que mais chamaram atenção no novo disco, o excelente “Poetry For The Poisoned”.

      Era visível, pela quantidade de camisetas do Epica, o numeroso público que foi prestigiar uma das estrelas da noite, a vocalista Simone Simons. Quando ela entrou em cena para dividir os vocais com Lione em “The Hauting”, a platéia veio abaixo. Simone esbanjou carisma e cumpriu de forma correta a execução da música, ganhou o público muito mais pelo seu prestígio do que por qualquer outra coisa.

      Para o final da apresentação estavam guardadas as “cerejas do bolo”, a começar pelo clássico “Karma”, que é indiscutivelmente o maior hit da banda e seguida por “Don`t You Cry”, que para minha surpresa (eu não fui ler o set list na net antes do show), foi cantada por Simone Simons, em sua segunda aparição na noite. O público adorou, e essa é a hora onde eu compro a briga, mas eu não gostei muito não. Tenho a nítida impressão que o Lione arrasaria nessa música, posso estar errado, mas queria ter visto. E finalizando a noite, “Marcho of Mephisto”, com seu peso monstro, para lavar a alma de quem há muito esperava para ver essa grande banda tocando em solo gaúcho.

      Uma coisa é certa, os fãs saíram do show com um sorriso de orelha a orelha, e caso se confirme a história de que Roy Khan saia da banda, depois desta turnê, Fabio Lione figura como a principal e mais bem aceita escolha para substituí-lo. Torço pra que Khan volte, mas também já começo a aceitar de bom grado a vinda deste grande vocalista chamado Fabio Lione.

     Vamos ver.

Por: Angelo Borba

Fotos: Tadeu Panato


 

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