Motorhead em Florianópolis: matéria especial

 
Mesmo com Porto Alegre na rota dos grandes shows internacionais, algumas atrações acabam por não pisar em solo gaúcho, como foi o caso de u2 e Slash. No entanto, Uma iniciativa histórica trouxe a Florianópolis uma das maiores bandas da história do Rock pesado, o Motorhead. Em uma matéria especial, o POA Show esteve lá para contar como foi a apresentação de Lemmy & Cia.
 
Em um local de referência, muito bacana em termos de estrutura, as portas se abriram com um pequeno atraso. Pouco a pouco o Floripa Music Hall foi tomado por uma legião de fãs de todas as idades. Também chamou a atenção o grande número de pessoas que foram a Floripa apenas para presenciar este momento. Diversas cidades de Santa Catarina e também de outros estados (acredite, havia gente de Brasília lá) foram bem representados.
 
A noite começou com o show da Baranga, banda paulista de Rock and Roll com mais de 10 anos de estrada. Mesmo nunca tendo figurado nos playlists das grandes rádios, a Baranga possui uma boa base de fãs pelo Brasil. Fazendo um Rock and Roll honestíssimo e direto, conquistou os fãs catarinenses com seu show inflamável. Clássicos do underground como “Pirata do Tietê” e “Meu Mau” foram extremamente bem recebidos. Essa foi mais uma característica singular do público catarinense: lá as pessoas respeitam, prestigiam e ouvem com atenção a banda de abertura. Após os 40 minutos que lhes foram disponibilizados, a Baranga deixa o palco satisfeita e grata, prometendo retornar. Entre os músicos, destaque para o guitarrista Deca e sua aula de presença de palco para guitarristas de Rock.
 
Pontualmente às 22h30 o Motorhead sobe ao palco. Seguindo a tradição, as palavras clássicas: “Good evening… We are Motorhead… We play Rock and Roll!” foram desferidas por Lemmy antes do clássico absoluto “Iron Fist”. Foi o começo perfeito para o turbilhão Rock and Roll que é uma apresentação do Motorhead. Como era de se esperar, o som era alto. Muito alto. Dentro dos conformes, nada de anormal. “Stay Clean” deu seqüência ao show, igualmente bem recebida pelo público catarinense.
 
Desde as primeiras canções era visível a loucura dos fãs diante do Motorhead e, especialmente, de Lemmy Kilmister, carinhosamente chamado de “God” pelos fãs do Motorhead. A banda, igualmente, dirigia-se ao público com simpatia e admiração.  
 
O repertório foi dividido entre clássicos e canções dos últimos discos. Entre as mais recentes, “Rock Out” já parece ter se tornado um clássico. Entre as mais velhas, causaram muito mais barulho “Metropolis” e “The Chase is Better Than the Catch”. Houve também espaço para dois solos incríveis de Phil Campbell e Mickey Dee. Encontrando e equilíbrio entre técnica e feeling e com duração perfeita, ambos mostraram-se dignos de fazerem parte do Motorhead.
 
No entanto, o melhor ainda estava por vir. Seguindo a premissa de deixar o melhor para o fim, o Motorhead caminha para o final da apresentação com uma seqüência arrebatadora: com um riff marcante e letra perfeita, “Just ‘Cos You Got the Power” foi uma pausa para respirar antes das matadoras “Goin’ to Brazil”, “Killed By Death” e, logicamente, o maior clássico da banda: “Ace of Spades”.
 
Para o tradicional bis, uma versão estendida de “Overkill” foi  a despedida que levou a alma dos fãs em Florianópolis. Apesar de curto (menos de 90 minutos), a apresentação deixou todos muito satisfeitos. O que prometia ser um grande show, foi mais do que isso.
 
Mesmo Florianópolis não fazendo parte da rota dos shows internacionais, os idealizadores e organizadores do show do Motorhead acabaram por realizar um grande feito. Muitos não acreditavam nessa possibilidade, ou mesmo deixaram de apoiar a iniciativa. No entanto, o que ficou foi o fato de que o Motorhead esteve na ilha, lotou a casa e fez história.
 
Que venha o próximo.

Por: Marcel Bittencourt
Fotos: Makila Crowley

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