Alice Cooper: Espetáculo de primeira grandeza para poucos privilegiados

   

    Noite fria de terça-feira em e a cidade recebe uma das maiores lendas vivas do Rock and Roll: Alice Cooper se apresentou em Porto Alegre, no primeiro show da turnê “No More Mr. Nice Guy – The Original Evil Returns” em terras brasileiras. O espetáculo, de primeira grandeza, foi apreciado por um público bastante reduzido no Pepsi On Stage.

    A abertura dos trabalhos ficou por conta da banda gaúcha Rosa Tattooada, que em um show curto (cerca de 30 minutos) apresentou clássicos que fazem parte do vindouro DVD ao vivo e surpreenderam por não recorrer a seus dois maiores sucessos comerciais: “Tardes de Outono” e “O Inferno Vai Ter Que Esperar”. No entanto, agradaram em cheio com canções recheadas de excelentes riffs de Hard Rock como “Carburador” e “Rock and Roll Até Morrer”. O Rosa Tattooada foi uma excelente escolha, e se saiu muito bem na tarefa de esquentar o público para o que viria a seguir.

    Pouco antes do horário previsto, por volta das 21h15 as luzes se apagaram para receber Alice Cooper. A grande cortina que cobria o palco caiu aos primeiros acordes de “The Black Widow” . Ao centro do palco, uma grande escada envolta por uma teia de aranha fazia alusão ao nome da canção. Por ela, Alice subiu e, ao atingir o topo, foi ovacionado pelo público gaúcho pela primeira vez. Vestindo uma casaco que simulava patas de aranha, arrancou ainda mais euforia ao expelir faíscas das palmas das mãos. Todos esses elementos cênicos logo na primeira música deixaram claro o tamanho do espetáculo áudio-visual que habitava o Pepsi On Stage. Na sequência, com a pesadíssima “Brutal Planet”, Cooper manteve o clima sombrio e pesado que lhe é característico e a excelência do guitarrista Damon Johnson, que precisou se virar sem uma corda que se partiu logo nos primeiro trecho. Talentoso e experiente, Johnson tirou de letra. E uma sequencia matadora de clássicos serviu para mostrar que aos 63 anos Alice Cooper está em plena forma: “I’m Eighteen”, “Under My Wheels”, “Billion Dollar Babies” e a própria “No More Mr. Nice Guy” levantaram o público.

    Munido de um repertório seguro e bem pensado, recheado de clássicos, houve ainda espaço para algumas surpresas: “Hey Stoopid”, que não era tocada ao vivo há tempos (informações não confirmadas dão conta de que esta é a primeira turnê que conta “Hey Stoopid” desde 1997), foi uma das canções mais bem recebidas da noite. E Cooper apresentou, ainda, material inédito com a excelente “I’ll Bite Your Face Off”. Alice, bem humorado e sagaz, fez questão de deixar claro que se tratava de material novo ao usar uma jaqueta de couro com a inscrição “New Song” e em seguida dispensá-la deixando a mostra o nome da canção escrito em sangue nas costas da camisa.

    Além dos elementos básicos de um show (som e luz), Alice usa e abusa da eficiência do elemento cênico em seu show. A clássica teatralidade do vocalista está, sem dúvida, em excelente momento. Os cenários também contribuem para a riqueza do espetáculo, seja na muleta e no andar cambaleante em “I’m Eighteen”, na espada com dólares em “Billion Dollar Babies” ou na boneca com a qual Alice se permite dançar, beijar e espancar em “Only Women Bleed” e “Cold Ethyl”. Mas em se tratando de efeitos visuais, nada se compara ao monstro gigante de de “Feed My Frankenstein” (que surpreendeu a todos, sem exceção) e ao próprio Alice guilhotinado entre  “Wicked Young Man” e “I Love the Dead”. O resultado estético e plástico desses efeitos visuais contribui muito para a grandiosidade dos shows de Mr. Cooper.

    E foi com seu maior clássico, “School’s Out”, que Alice fecha a primeira parte da apresentação. Sem dúvida o ponto mais alto do show de Alice Cooper em Porto Alegre e que ganhou um charme especial com a inserção de “Another Brick In The Wall”, do Pink Floyd, antes do último refrão.

    O show que já tinha sido um espetáculo com todas as letras em maiúsculo ganhou ainda um bis, com “Elected” com Alice empunhando a bandeira do Brasil vestindo uma camisa da Seleção Brasileira de futebol (o número, logicamente, era o 18) e “Fire”, de Jimi Hendrix, fechando os 90 minutos de puro Rock and Roll.

    Apesar do público de pouco menos de mil pessoas (pequeno se considerarmos o Pepsi On Stage e mínimo se considerarmos a importância de Alice Cooper na história do Rock) o que se viu foi um grande show, com todos os elementos que o habilitam a uma indicação para o título de show do ano em Porto Alegre. Quem não foi, infelizmente, perdeu muito. E quem foi tem uma excelente história para contar. O dia em que Alice Cooper fez poucos felizardos voltarem para casa de alma lavada, com a energia de quem mesmo aos 63 anos, ainda parece ter 18.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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1 Comment

  1. Álvaro de Bem

    Foi demais mesmo. valeu a pena ter ido.
    Achei só que faltou mencionar um problema q atrapalhou um pouco o show…
    eram tantas luzes vindo do bar, dos camarotes, e sei lá mais onde, que interferiu no show…ainda mais com aqueles telões brancos não sendo utilizados, refletindo a iluminação do próprio Alice, pois dava para se enxergar toda a aparelhagem técnica do show, perdendo a magia…se fosse em um teatro ficaria ainda melhor.

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