Velhas Virgens: Gravando o DVD de 25 anos no Opinião

 

“Nenhum filha da puta manda na gente”. Já foram inúmeras as vezes que o vocalista Paulo de Carvalho, o Paulão, bradou esta sentença nos shows da banda paulista Velhas Virgens, a maior banda independente do Brasil. E não é sem motivo: desde 1986, se existe uma banda que pode se orgulhar de fazer exatamente o que quis na hora em que achou melhor, esta banda é a banda das Velhas Virgens. Falando apenas da tríade sexo, cerveja e Rock and Roll, o Velhas lotou o Opinião para registrar o show de comemoração de 25 anos de carreira da banda.

    Pouco antes da meia-noite a banda sobe ao palco, cuidadosamente montado com pequenos painéis que simulavam a noite, remetendo diretamente ao estilo boêmio registrado nas letras da banda. Posicionando-se uma pequena bateria formada apenas por bumbo, caixa e um prato, Simon (bateria) sobe ao palco ao lado de Alexandre Cavalo (guitarra e violões), Roy Carlini (guitarra e violões), Tuca (baixo), Juliana Kosso (vocal) e, por fim, Paulão (vocais) para um pequeno set acústico.  Vestidos de preto, a banda surpreendeu e agradou a todos ao começar o show sob um outro formato, apresentando arranjos mais ricos e elaborados para as versões acústicas. Igualmente surpreendente foi a  escolha do repertório: “Domingo na Praia”, do álbum “Sr. Suce$$o” foi sucedida por “Excesso de Quórum”, do álbum de estréia “Foi Bom Pra Você?”.

    “Em 1986 aconteceu uma tragédia, a tragédia nuclear em Chernobyl. Mas no México aconteceu uma tragédia maior ainda, porque naquele ano a filha da puta da Argentina foi campeã do mundo na Copa de 86 e a gente foi eliminado pela filha da puta da França. Em 1986 o fusca parou de ser fabricado. Em 1986 a primeira versão do Windows chegou às lojas. Faz muito tempo… Em 1986 a Dilma era secretária da prefeitura aqui em Porto Alegre. (vaias) Em 1986 o Lula era deputado federal por São Paulo. (vaias) E o presidente da república, cujo dinheiro era o Cruzado, era José Sarney (muitas vaias fortes)… ele continua lá, só mudou de cargo! Em 1986 o presidente dos Estados Unidos era Ronald Reagan. Barack Obama trabalhava em Chicago em uma entidade religiosa. George W. Bush vendia petróleo e Osama Bin Laden trabalhava pra CIA, pros americanos. Nos idos anos de 86 Mussum tinha 42 anos e um ator mexicano chamado Ramon Valdez tinha 62 anos. Ele morreria dois anos depois, era o Seu Madruga! Vamos nós, inspirados não por esses políticos de merda, mas pelo Seu Madruga e pelo Mussum. Foi em 86 que a gente começou as Velhas Virgens e daí nunca mais!!!!” discursou Paulão antes de “Gim no Pingado”. O set acústico contou ainda com “Eu Bebo Pra Esquecer”, “Bafo de Jibóia”, “Esse Seu Buraquinho” e “Tô Correndo (Pra Encontrar o Meu Amor)”, que começou em formato acústico e terminou elétrica, após um trecho conduzido apenas por Juliana Kosso e o público das Velhas Virgens.

    O set elétrico começou com “Eu Toco Rock and Roll”, (canção inédita que será lançada apenas com o DVD ao Vivo) com Paulão vestindo um paletó e um chapéu tigrados, além de indefectíveis pantufas de pé de monstro. Uma indumentária pra lá de bizarra que foi interpretada como traje de gala. Além de Paulão, chamou à atenção a camiseta dos Ramones do baixista Tuca.

    Todos os álbuns foram representados (e bem representados) no repertório do DVD. “Só Pra Te Comer”, como já é de praxe, foi o primeiro clássico a fazer o Opinião explodir. Desde a inesperada “Excesso de Quórum”, do disco de estréia até “Eu Bebo Pra Esquecer”, do trabalho mais recente, a banda desfilou um setlist inteligente e bem pensado. A cargo de Juliana Kosso, ficaram os vocais de “Essa tal de Tequila”, ainda no trecho acústico e “A Mulher do Diabo”, que já é tradicionalmente interpretada pela voz feminina dos Velhas Virgens desde a que Claudia Lino era a responsável por esse papel.

    Outra tradição nas apresentações dos paulistas são os figurinos e caracterizações utilizados pelo vocalista Paulão. Desta vez, não foi diferente: Além do traje já citado, Paulão ainda se travestiu de forma escrachada em “Um Homem Lindo” e usou cartola, paletó e óculos com cifrões em “Sr. Suce$$o”, além de uma camiseta dos Ramones na parte final apresentação.

    No entanto, não há como evitar: Abra Essas Pernas e B.U.C.E.T.A. são os maiores clássicos dos 25 anos de carreira e, invariavelmente, as canções que mais arrancam reações do público, que fez o Opinião explodir com estas pérolas da banda.

    O encerramento ficou com uma clássica marchinha gravada para o álbum “Carnavelhas”: “Hino dos Solteiros” fechou a festa com todos de alma lavada pelo Rock and Roll divertido e honestíssimo da banda das Velhas Virgens.

    Como Paulão havia avisado logo no início, algumas músicas precisaram ser refeitas, porém a banda optou por tocar uma canção que não estava prevista antes das repetições: “Toda Puta Mora Longe” acabou por ser a “cereja do bolo”, um presente aos porto-alegrenses que cumpriram tão bem o papel principal nessa grande festa de 25 anos dos Velhas Virgens.  Uma noite histórica para o Rock and Roll nacional, que, felizmente, não ficará registrada apenas na memória dos fãs que lotaram o Opinião na noite de quinta-feira.

    Que venha o próximo.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Tadeu Panato

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