Pain Of Salvation e Symphony X: Dois Gigantes do Metal em Porto Alegre.

Quando foi anunciada a passagem dos suecos do Pain Of Salvation pelo Brasil, e mais precisamente por Porto Alegre, os fãs ficaram muito animados e ansiosos. Pouco tempo depois anunciaram que especialmente em Porto Alegre aconteceria o encontro com outro gigante do que se convencionou chamar de “Prog Metal”, o Symphony X. Quem disse que isso agradaria a todos? Mesmo sendo um encontro histórico, a notícia não foi aprovada por todos, mas sobre isso volto a falar depois. O fato é que na terça-feira, dia 7, o palco do Opinião celebrou uma noite de música de  altíssima qualidade por quase 4 horas.


    Eram exatamente 21h quando os estadunidenses do Symphony X subiram ao palco do Opinião tocando de cara um clássico, “Of Sins and Shadows”,que se mostrou muito potente para iniciar o show, e logo mostrou que o som do opinião aquela noite estava diferente do normal: estava ótimo! Tudo muito nítido, o que ajudou bastante o Symphony X, que o preza muito e tem na complexidade do seu som um aspecto importante da apresentação. “Domination” veio logo em seguida e manteve o bom pique do show, seguida de mais uma clássica “The Serpent Kiss”.

É impressionante como a banda tem soado mais pesado nos últimos tempos, e ao vivo não foi diferente. “The End of Innocence” e “Paradise Lost” vieram para mostrar isto. Ao mesmo tempo em que mandavam lenha na distorção, conseguiam proporcionar um som muito bem executado nos seus detalhes, não havendo espaço para a enganação que às vezes a distorção pode proporcionar, encobrindo as eventuais falhas técnicas.

Em “Smoke and Mirrors” foi impossível não se deixar levar por seu ritmo truncado e ao mesmo tempo empolgante. Os vocais poderosos de Russel Allen nesta canção fizeram toda a diferença. Foi um dos pontos altos da noite, ultrapassado somente por “The Odissey”, responsável pelo saldo mais positivo entre os fãs. Quando a banda voltou pro bis, o coro para “The Odissey” já podia ser ouvido, e quando os caras decidem atender os apelos dos fãs, a felicidade é geral.

Quem foi para ver o Symphony X saiu do Opinião de alma lavada, apesar de terem sido tocadas apenas 11 músicas de uma banda que já sabidamente tem repertório para bem mais que isso. O setlist abarcou diversas fases da carreira, sendo muito bem pensado. Já quem foi pra ver o Pain of Salvation pode não ter saído plenamente satisfeito com o show mas pelo menos se divertiu um bocado. Apesar do Symphony X abusar dos clichês do gênero (com seus solos imensos e por vezes sem muito feeling, além das orquestrações pré-gravadas para darem efeitos épicos manjados), os caras são muito competentes no que se propõe e possuem uma apresentação acima da média.

A segunda apresentação da noite estava marcada para as 23h, mas por alguns problemas na troca de equipamentos, acabou atrasando em mais de meia hora. Mas quando finalmente o Pain of Salvation subiu no palco executando os primeiros acordes de “Remedy Lane” todos os ali presentes esqueceram o atraso e começaram a curtir o que viria a ser um grande show (nos dois sentidos). “Ending Theme” deu prosseguimento natural à apresentação sendo seguida de “America” que sempre fica muito legal ao vivo. Era nítida a aflição do vocalista e guitarrista Daniel Gildenlow com o fato de não estar escutando absolutamente nada do seu instrumento no retorno. E apesar de ser este um grande problema pra quem está em cima do palco o cara continuou mandando muito bem e sem dar sinais de estrelismos, levando a situação de maneira muito serena e profissional. Em “Handfull of Nothing” a coisa pareceu melhorar pra ele, mas logo voltou a piorar novamente. O problema foi resolvido à base das súplicas de Daniel para o roadie apenas em “Idioglossia”, pois nesta, em especial, ele precisava ouvir a guitarra de qualquer jeito.   

“Second Love”, um clássico absoluto, foi introduzida por Daniel com a explicação que ele a compôs quando tinha apenas dezessete anos, fazendo um “mea culpa” pra se justificar sobre a letra da canção. Convenhamos: mostrou ter também muito senso crítico sobre sua obra. Quando anunciaram que “Diffidentia” viria a seguir, o público já esperou pelo pior, no bom sentido. Essa foi sem dúvida um dos pontos altos do show, os caras em cima do palco pareciam estar em transe, tamanha energia que conseguiam transmitir.

“Linoleun”, single do último disco, se mostrou uma grande canção ao vivo, principalmente pelo seu final muito tenso e energético, sendo seguida de outro ponto alto, já esperado, por “Ashes” e culminado em outra música do último disco, a exemplo de “Linoleu”, que também ficou muito legal por suas quebras de tempo inteligentes e seu ritmo setentista.  

Na volta pro bis os músicos trocaram seus postos para um medley muito especial, e “especial não quer dizer bom”, nas palavras de Daniel que assume as baterias para “Come Togheter”, dos Beatles, cantada muito bem pelo guitarrista Johan Hallgren e “Don`t Talk to Strangers” do Dio, que por sua vez foi cantada pelo batera Léo Margarit. Exclusividade da apresentação de Porto Alegre. Para o segundo bis estava guardado outro momento importantíssimo da noite, a execução de “Disco Queen”! É no mínimo surreal ver vários headbangers chacoalhando ao som desta música. Quando foi lançada no álbum anterior, o excelente “Scarssick”, foi a faixa mais polêmica do disco, pois como o próprio nome entrega, se trata de uma música com o ritmo super dançante da Disco Music. Mas não adianta, a galera que não se mexe nesta parte do show é porque sabe se controlar muito bem pra não entregar o jogo. Finalizaram com o clássico “Nightmist”, pra ninguém reclamar ou botar defeito.

Apesar das grandes diferenças entre as duas bandas (o que me faz questionar o emprego do termo “Prog Metal” ao Pain of Salvation, sendo muito mais adequado ao som que o Symphony X faz), foi uma escolha muito bacana da produção em apostar que daria certo esta união. Tenho certeza que fãs das duas bandas saíram mais do que satisfeitos com o que viram. Tanto o Pain of Salvation quanto o Symphony X devem lançar discos em breve, cada um evoluindo dentro do seu estilo: a primeira cada vez mais longe do Heavy Metal e mais perto de um Rock Progressivo e cada vez mais inventivo, e a segunda mais perto do peso e a agressividade do Trash Metal. Se ambas voltarem para divulgá-los em solo gáucho, terão casa cheia de novo.

Grande noite!

Por: Angelo Borba

Fotos: Karina Kohl



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