Evergrey: experiência inesquecível, mas para poucos.

 

Que assistir a um show dos suecos do Evergrey em um teatro para 450 pessoas seria uma experiência surreal, os fãs já esperavam. No entanto, surpreendente mesmo foi o publico de pouco mais de cem pessoas que compareceu ao Teatro do CIEE para prestigiar o trabalho da banda. Com ares de ensaio aberto, a noite ficou marcada pelo público e estrutura muito abaixo do que a banda merece.

    Pouco depois do horário marcado, às 22h13 as cortinas do Teatro do CIEE se abriram para receber Tom Englund (vocal e guitarras), Marcus Jidell (guitarras), Johan Niemann (baixo), Hannes Van Dahl (bateria) e Rikard Zander (teclado). A ausência da vocalista Carina Kjellberg-Englund, (cantora convidada, responsável por partes marcantes de vocal feminino nas composições do Evergrey) foi sentida logo no primeiro momento.  No entanto, a apresentação já começa em grande estilo com “Leave It Behind Us”, do álbum mais recente “Glorious Collision”. Logo na primeira canção foi possível perceber um gritante antagonismo entre som e luz: enquanto a sonoridade era bastante poderosa e nítida, a iluminação reforçava o aspecto de ensaio aberto que o público bastante reduzido já atribuía à apresentação.

    Para a surpresa deste redator e para satisfação dos fãs que se aglomeravam à beira do palco, o Evergrey não se intimida. A performance da banda é impecável, um exemplo de profissionalismo e consideração com o público. Com poucas palavras mas muita interação com seus fãs, o Evergrey agrada mais a cada canção do set.

    O repertório do Evergrey contou com muitas músicas de todos os álbuns, especialmente o clássico “Reckoning Day”, o mais privilegiado com quatro canções  e o mais recente trabalho da banda, “Glorious Collision”, com três. Um dos pontos altos da apresentação foi a interpretação intensa e emocionada de Tom Englund para a belíssima balada “Wrong”.

    Ouvindo pedidos dos fãs, distribuindo palhetas e até mesmo brindando o momento com cerveja nacional, o Evergrey é puro carisma no palco, especialmente através do frontman Tom Englund. Em “I’m Sorry” a banda abriu, inclusive, espaço para a participação do público que cantou um trecho na íntegra e reforçou a interação entre platéia e artista. Após pouco mais de uma hora, a banda encerra a primeira etapa da apresentação com outra faixa de “Glorious Collision”: A energética “Frozen”.

    Para o bis a banda retorna para outras canções emblemáticas:  “When The Walls Go Down”, “Recreation Day”, “Broken Wings” e a espetacular “A Touch Of Blessing”, maior clássico da banda e encerramento perfeito para uma grande noite.

    Se a impressão inicial era a de que um show com um público tão pequeno seria uma apresentação morna, os quase 90 minutos em que o Evergrey esteve no palco provaram o contrário. O Evergrey pode não ser uma das maiores bandas do heavy metal, mas demonstrou muita grandiosidade. Além da competência no âmbito musical, também se mostraram muito gentis e solícitos: a banda recebeu os fãs no hall de entrada do Teatro CIEE após o show. Um momento onde rolou muito bate-papo , fotos, sorrisos e, principalmente, lembranças que ficarão marcadas na memória de cada fã do Evergrey.

    Que venha o próximo!

Dessa vez com mais público.
 
Por: Marcel Bittencourt
Fotos: Fabiana Menine
 

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