Arnaldo Antunes: ao vivo lá em Porto Alegre

 

Arnaldo Antunes está divulgando seu mais novo disco, o recém lançado “Ao vivo lá em casa”, que como o próprio nome diz, foi gravado “na laje” da casa do artista. Vale à pena dar uma conferida nos vídeos que já estão no Youtube, ou no seu site oficial. Foi uma ideia muito original e esteticamente muito interessante. Enquanto a banda toca, a câmera fica passeando por entre o público, que está no solo, e também por dentro da casa de Arnaldo, que oferecia uns drinks e até um local para as crianças ficarem brincando. Outra visão do que pode ser um show.

    A apresentação que pudemos presenciar aqui em Porto Alegre, no Festival de Inverno, foi praticamente igual ao que está no DVD, fora algumas diferenças óbvias. O pano de fundo do palco é exatamente igual, uma extensa colcha de camisetas costuradas que dá um efeito muito legal ao cenário, meio “retro”, meio jovem guarda.

    Começa a apresentação com “Ie, ie,ie” e segue com “Vem cá”, as duas faixas compõem o disco anterior de Arnaldo, também chamado de Ie,ie,ie que seguiu numa linha bem jovem guarda, o que acabou por se tornar a tônica do restante da apresentação. “Essa mulher” foi uma das poucas músicas mais antigas de Arnaldo a ser tocada, talvez por caber mais no formato dessa apresentação, ser mais pra cima, como também aconteceu com “Consumado”, que ganhou uma nova roupagem pra entrar no set list.

    Já faz tempo que Arnaldo Antunes conta com as excelentes contribuições de um dos grandes da guitarra brasileira nos seus discos, mas nessa turnê Edgar Escandurra está no palco mostrando porque é tão respeitado. Durante a execução de “Longe”, criou um solo memorável, que deu a música um brilho a mais.

    A única saída do script foi quando, no bis, a banda tocou “Socorro”, uma de suas músicas mais bonitas e, a pedido do público, “Judiaria”, do gaúcho Lupicínio Rodrigues. Esta versão, apesar de muito boa, não chega a ser um clássico da carreira de Arnaldo, mas aqui em Porto Alegre ele sabe que é praticamente obrigatório incluí-la no show. Ela não consta no set list e provavelmente nem é tocada nos outros shows pelo Brasil, e isso ficou evidente pelos erros cometidos pela banda, que deve ter tido de ensaiá-la às pressas para esta apresentação. E o segundo bis também foi um presente: “O pulso” fez o coro cantar esta que é, sem dúvida, a música mais conhecida de Arnaldo.

    Foi uma apresentação irretocável em quase todos os sentidos. A banda que acompanha Arnaldo é muito boa, o repertório apesar de meio previsível, pois seguiu exatamente a mesma ordem que o show gravado no DVD, acaba funcionando muito bem ao vivo. Os fãs sempre ficam com aquela sensação de que faltaram várias músicas, isso é normal e legal de sentir. O problema é quando faltam muito mais as músicas excelentes do que as somente legais.

Por: Ângelo Borba

Foto: Guilherme Santos/PMPA

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