Pedro Aznar: o virtuose Argentino volta a Porto Alegre

 

Pedro Aznar não é um artista conhecido do grande público apesar de ter um currículo de dar inveja a qualquer músico. Com pouco mais de 20 anos já tinha tocado com gente do naipe de Pat Metheny, com quem gravou quatro álbuns, e Charly Garcia com quem colaborou em três discos deste que é um dos maiores roqueiros argentinos. Fora isso, seu trabalho de produtor também é bastante profícuo, só pra citar dois exemplos: produziu o disco “Al sur del sur” da mais importante cantora latina de todos os tempos, Mercedes Sosa, e dois discos importantíssimos (Tambong e Longes) do músico gaúcho Vitor Ramil. Uma carreira bastante extensa.

    Em Porto Alegre o que se viu foi um músico que sabe abusar de toda essa estrada para construir um repertório bem variado. Começou a apresentação com uma de suas melhores músicas, “Fugu”, acompanhado somente de sua guitarra. Já dava a deixa para o que seria o restante do show. Seus únicos acompanhantes seriam seus diversos instrumentos.  E assim foi com a sua versão portenha de “Amélia”, de Jony Mitchell onde abriu mão de um violão para se aproximar da sonoridade folk.

    Sabendo alternar corretamente de instrumento quando assim pedia cada música, Pedro conduzia uma apresentação simples e ao mesmo tempo interessante. “Junk”, de Paul MacCartney, ganhou uma linda versão, assim como “Los Hermanos”, e “Romance de la Luna Tucumana”, ambas de Atahualpa Yupanqui. “Munequitos de Papel”, tocada no baixo (instrumento no qual Pedro tem seu ponto forte), também ficou muito bonita.    A exemplo de Lobão, Pedro também trouxe seu convidado, o cantor e compositor gaúcho Antonio Villeroy. Já vem de tempos esta sua aproximação com a música feita no Rio Grande do Sul. Foi uma boa escolha tê-los juntado, visto que “São Sebastião”, de Villeroy e “Lina de Luto”, de Aznar, ficaram impecáveis nas suas vozes. Fecharam com “Pra Rua me Levar” famosa no Brasil pela versão da Ana Carolina, e que na Argentina fora gravada por Pedro.

Uma grata surpresa fora a inclusão no set de “I´m Calling You”, maravilhosa música presente na trilha sonora do filme Bagdad Café. E voltando para os brasileiros, tivemos “A Primeira Vista”, de Chico César. “Quebrado”, música que dá titulo ao seu último álbum de inéditas, foi a derradeira de suas composições a ser apresentada neste show. Uma pena, pois o disco é maravilhoso. Para voltar com os compositores latinos, emendou duas da cantora chilena Violeta Parra, “Arriba Quemando El sol” e “Que He Sacado Con Quererte” foram tocadas somente com percussão e acompanhadas da voz do público, que participou meio acanhado.

Para o final da apresentação, que já contava com quase duas horas, ainda estavam guardas mais duas releituras, uma para “While My Guitar Gently Weeps” e o bis com “Todo Amor que Houver Nessa Vida”, do Cazuza. No fim acabou ficando a sensação de termos visto a apresentação de um músico e compositor de primeira linha, mas que não prezou por este riquíssimo material.    

 

Por: Ângelo Borba

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