O Teatro Mágico: Uma apresentação rara no Opinião

    Que a indústria fonográfica sofreu um duro baque com o advento da Internet, do MP3 e da livre distribuição de conteúdo, ninguém contesta. No entanto, alguns artistas conseguiram se valer dessa liberdade muito bem, usando, inclusive, todas estas novidades a seu favor. Dentre os artistas que tiveram a atitude e a presença de espírito necessárias, ninguém o fez de forma tão bem sucedida quanto os paulistas d’O Teatro Mágico, banda que mistura diversas formas de arte no palco produzindo com isso um espetáculo de encher os olhos e os corações de seus fãs.

    Com pouco mais de 30 minutos de atraso as luzes se acendem para o anúncio. Com a energia que lhe é habitual, o produtor Pisca chama o público para uma contagem regressiva que terminou com a entrada triunfal do líder e mentor do Teatro Mágico, Fernando Anitelli. Vestindo uma capa vermelha tal qual um rei, Anitelli inicia o texto Amadurecência, que alguns fãs, com texto decorado, declamaram em uníssono com o cantor. Um a um o escalão musical da trupe do Teatro Mágico tomou o palco do Opinião para “Abaçaiado”, que levou os fãs ao delírio.     Em seguida, “Camarada d’água” e “Pratododia” foram cantadas com emoção pelo público presente, adiantando o que seria a tônica do espetáculo: a participação incansável, fervorosa e emocionada da platéia.

    Como é habitual nos shows da trupe, não faltou espaço para o discurso libertário da banda no que se refere a criação e conteúdo. Defendendo o livre acesso a qualquer tipo de conteúdo, seja ele musical, literário ou tecnológico, a banda ganhou aplausos também por conta da postura engajada.

    Com 30 minutos de show o longo pano amarrado às estruturas metálicas do Opinião é desatado em uma de suas extremidades, formando uma corda até o chão da pista em frente ao palco. Por entre o público o palhaço e a malabarista que acompanham a banda chegam até ela. Com habilidade, a malabarista sobe e inicia um impressionante ballet nas alturas ao som de “Sonho de uma Flauta”, a canção que arrancou reações mais emocionadas do público até ali.
    Houve também espaço para novas canções, do vindouro álbum “A Sociedade do Espetáculo”, a ser lançado no próximo dia 06 de setembro. Entre elas, destaque para as ótimas “Da Entrega”, que já pode ser  conferida online e a espirituosa “O Que Se Perde Quando os Olhos Piscam”.  

  Para encerrar a primeira parte da apresentação, mais uma bela performance nas alturas, desta vez executando um número perigoso girando sobre o próprio corpo em velocidade no trecho mais forte de “Uma Parte Que Não Tinha”. Com mais de 90 minutos de show, a banda deixa o palco pela primeira vez, para o tradicional intervalo.

    “Era só charme, era só charme… dizem que o momento do bis é o momento de maior euforia em qualquer apresentação. Então valeu, tchau tchau!” brincou Fernando arrancando risos antes do gran finale:  canções que, como o próprio Fernando fez referência, “não podem faltar senão o pessoal reclama”: “Nas Margens de Mim”, “A Pedra Mais Alta”, “Ana e o Mar”, “Pena” e “O Anjo Mais Velho” emocionaram o público, que acompanhou a banda do início ao fim, sempre, é claro, explodindo nos refrões.

    Com pouco mais de duas horas de apresentação, O Teatro Mágico se despede dos gaúchos com o dever cumprido: o dever de lavar a alma de seus fãs com uma apresentação de altíssima qualidade unindo diversas formas de arte em um mesmo espetáculo, guiado por música cuidadosamente composta e muitíssimo bem executada.

    Uma apresentação rara.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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