Blind Guardian: precisão no épico Heavy Metal alemão

 
Por: Ronan Dannenberg
Fotos: Karina Kohl
 
Pegue sua espada e monte em seu cavalo branco. Ao lado de elfos, anões, magos e outros aliados, você cavalgará por toda a terra média e descobrirá um mundo recheado de fantasias. Some a isso composições majestosas, muitos riffs e velocidade e você terá uma ideia do que é um show do Blind Guardian. Os alemães desembarcaram em Porto Alegre para uma apresentação precisa, sem enrolações, de música atrás de música, agradando em geral aos fãs de Heavy Metal que chegaram cedinho e em grande número ao Bar Opinião. Pontualmente às 20h, a banda estava no palco na noite de terça-feira, dia 6 de setembro. A abertura ficou por conta dos gaúchos da Magician.
Uma apresentação do Blind Guardian é para quem realmente gosta de Blind Guardian. Não precisa conhecer todas as fases da banda, mas é necessário estar pronto para músicas longas, de 7, 8 e até 14 minutos, como “And Then There Was Silence”, que fez parte do show na capital gaúcha. O grupo tem em sua aura um universo musical calcado muito na atmosfera criada pelo escritor sul-africano J.R.R Tolkien, autor da clássica trilogia “O Senhor dos Aneis“. Dentro disso e de outras históricas épicas, o grupo apresentou dentro do amplo gênero do Heavy Metal um jeito diferente de tocar. Antes puxado apenas pelo que se conhece por Metal Melódico, principal base da banda entre o final da década de 1980 até próximo dos anos 2000, os alemães conseguiram inovar dentro de seu próprio estilo, a ponto de se tornar um sub-gênero praticamente “irrotulável“, ainda que dentro do Heavy Metal.
 
No Opinião, o grupo apresentou um set list que contemplava praticamente todas as fases da sua carreira. Apesar de as faixas mais novas até serem musicalmente melhores, mais elaboradas, como “Sacred Worlds” e “Ride into Obsession”, ambas do mais recente álbum “At the Edge of Time” (2010), era nas mais antigas que o público respondia com mais entusiasmo. As velozes “Welcome to Dying”, “Majesty“, “Lost in the Twilight Hall” e “Valhalla” foram quase que cantadas em uníssono, puxadas pelos refrões pomposos e pelos rasgados e poderosos vocais de Hansi Kürsch. 
 
Mas apesar de muitas composições rápidas, o Blind Guardian soube intercalar as músicas dentro do set, colocando algumas mais cadenciadas, porém não menos brilhantes, como “Nightfall”, “Bright Eyes” e “Lord of the Rings” (olha o Tolkien aí!). Em todas as faixas, pesadas ou não, sempre um grande destaque para a dupla de guitarristas Andre Olbrich e Marcus Siepen, um entrosamento de mais de 20 anos que apresenta, álbum após álbum, resultados cada vez melhores.
 
Após “And Then There Was Silence”, o Blind Guardian voltou para o bis e encerrou o show com três clássicos: “Imaginations From the Other Side”, “The Bard’s Song” e a absoluta “Mirror Mirror”, sacudindo o Opinião. Foi o final do terceiro show dos alemães na capital gaúcha – 1h45min de muito Heavy Metal. De certa forma, chegou a surpreender o set não contar com o mais recente single, “A Voice in the Dark”, mas não que ela fizesse falta. Ela e outras que poderiam estar no repertório podem ficar para o próximo espetáculo. Como a recente média da banda é de lançar um novo álbum a cada quatro anos, ficamos esperando para, quem sabe, meados de 2013 ou 2014 um novo show dos alemães em Porto Alegre. Os fãs estarão aguardando ansiosos, com certeza.
 
Set list:
1. Sacred Worlds
2. Welcome to Dying
3. Nightfall
4. Fly
5. Time Stands Still
6. Majesty
7. Bright Eyes
8. Ride into Obsession
9. Lord of the Rings
10. Valhalla
11. And Then There Was Silence
Bis:
12. Imaginations From the Other Side
13. The Bard’s Song

14. Mirror Mirror

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