Paralamas do Sucesso comemorando os 25 anos do disco ‘Selvagem?’ no Opinião

Há 25 anos, o Paralamas do Sucesso lançava o disco Selvagem?, hoje um clássico na história da música brasileira. De lá para cá, muita coisa aconteceu, tanto no mundo da música como na história da própria banda nascida no Rio de Janeiro. Mesmo assim, o terceiro álbum do trio, colocado no mercado em 1986, ainda é apontado como um dos trabalhos mais emblemáticos do pop rock nacional. Prova disso poderá ser conferida dia 11 de outubro, no Opinião, quando Herbert Viana (voz e guitarra), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria) voltam a Porto Alegre para fazer um show especial, com repertório dedicado ao registro do qual saíram sucessos como ‘Alagados’, ‘Melô do Marinheiro’ e ‘A Novidade’. A venda de ingressos começa na segunda-feira, dia 19 de setembro.

Para entender melhor o significado de Selvagem?, segue o trecho de um texto escrito por um dos protagonistas da obra, o baterista João Barone:

“No final de 1985, estávamos ensaiando no apartamento da saudosa Vovó Ondina, local emblemático do começo dos Paralamas. Num intervalo, Herbert resolveu mostrar o esboço de uma nova composição, quando fez um preâmbulo sobre a estranheza que ela poderia causar. Sua expectativa era explicável. Ao longo desse ano movimentado, que começou com o Rock in Rio e terminava com uma turnê com até dois shows por noite, Herbert chamava para si toda a responsabilidade pelo que seria o próximo passo da banda. O cara do óculos vermelho de bermuda em breve se defrontaria com o desafio de superar suas marcas anteriores. Para ele, era preciso arriscar mais, fugir do óbvio. Para isso, até operou os olhos e se livrou dos óculos, sua marca registrada. No segundo LP, a banda criou e afirmou uma assinatura sonora. Mas, e agora? Isso lhe tirava o sono… Tanto que no final de outubro de 85, quando tive um acidente de carro em Porto Alegre, Herbert sentiu-se culpado por desejar que algo extraordinário acontecesse para frear nossa agenda…

?Foi assim que durante um pequeno recesso em que eu estava de perna engessada (o que não nos impediu de participar de um show em homenagem aos 20 anos de carreira de Gilberto Gil mesmo assim!), Herbert começou a maturar algumas composições novas, inspiradas no mergulho profundo que fizemos no reggae e na música africana. Bi Ribeiro teve papel determinante nisso, pois comprava todos os discos de reggae e afro que podia, como Mutabaruka, Dr Alimantado, um tal de Yellow Man, Papa Wemba, Salif Keita, King Sunny Adé, para citar alguns poucos. Neste caldeirão também foram adicionadas doses de João Bosco, Gonzaguinha, Ilê Aiyê, Filhos de Gandhy, Novos Baianos e Gil.

?Quando Herbert fez suspense para mostrar pela primeira vez apenas com sua guitarra a melodia da canção que se tornaria conhecida como ‘Alagados’, não precisou de tantos volteios. O que gerou a tal estranheza foi a semelhança da música – ainda sem letra – com um samba enredo. “E aí? Gostaram?”, perguntou Herbert. “Parece um samba!”, disse Bi, entreolhando para mim, quando exclamamos em uníssono: “Do caralho!”. Isso pareceu aliviar Herbert. Dali a pouco, estaríamos entusiasmados com várias ideias de músicas que renderiam o repertório do próximo álbum. Um fato marcante nesse momento foi uma foto que se destacava entre outras, colada na parede do quarto de ensaio, onde aparecia o irmão do Bi, Pedro, estilizado como um índio na frente de uma barraca num acampamento nos tempos de Brasília. Quase que complementando a estranheza que o novo repertório que estávamos compondo poderia causar aos diretores de nossa gravadora – que deveriam estar esperando por uma sequência de “Óculos” ou “Meu Erro” – Herbert olhou aquela foto um tanto engraçada e rindo, disparou: “que tal a gente por ESSA foto na capa do próximo álbum?”. Deu no que deu.

?No lado conceitual, estava pronto “Selvagem?”, que ainda recebeu um ponto de interrogação para tentar aumentar mais a estranheza de seu título. Na época, não planejamos um levante estético, estávamos apenas dando linha ao nosso ideal um tanto inconsequente de fazer o que nos dava na telha. No lado prático, quisemos nos garantir de que a aventura seria ao menos bem registrada: convidamos Liminha para produzir o álbum, ele ouviu as demos, gostou e topou trabalhar com a gente. Convidamos Gil para cantar em ‘Alagados’ e que ainda compôs ‘A Novidade’. No estúdio, gravamos usando a percussão de Marçal, Liminha tocou guitarras e teclados, usamos ecos e efeitos dub à la Lee Scratch Perry. Os vídeos de Roberto Berliner para “Alagados” e “A Novidade” terminaram de explicar tudo para quem ainda não havia entendido nossa proposta. Vinte e cinco anos depois, não mudaríamos uma nota de nada que foi feito.”

 

PARALAMAS DO SUCESSO COMEMORANDO OS 25 ANOS DO DISCO ‘SELVAGEM?’

Onde:

Opinião (R. José do Patrocínio, 834)

Quando:

11 de outubro, terça-feira, a partir das 22h.

Ingressos:

Primeiro lote: R$ 60,00

Segundo lote: R$ 70,00

Terceiro lote: R$ 80,00

No local: a definir

** Desconto de 50% para os 100 primeiros titulares do cartão Clube do Assinante Zero Hora. Demais titulares têm 10% de desconto somente nos pontos de venda físicos.

Pontos de venda:

Lojas Vivo (shoppings Praia de Belas, BarraShoppingSul e rua 24 de Outubro,  695)

www.opiniaoingressos.com.br

Informações:

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Disque Opinião: (51) 8401-0104

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