Primal Scream comemorando os 20 anos de Screamadelica em Porto Alegre

Esse mês, para comemorar os 20 anos do lançamento do clássico Nevermind, do Nirvana, a MTV Brasil fez um fim de semana especial Nirvana com 14 horas diárias só dos rapazes de Seattle. No mesmo fim de semana foi ao ar o programa Extrato MTV que listava os discos mais importantes de 1991. Adivinha quem estava na lista? Acertou quem pensou no Nevermind. Porém, ele estava em segundo lugar naquela lista, que tinha ainda outros clássicos como o Black Álbum, do Metallica, Achtung Baby, do U2 e Out of Time, do R.E.M. Que tal, belo time, não? Mas o primeiro lugar ficou com Screamadelica, do Primal Scream. Coube a eles o título de álbum de maior importância desde seu lançamento, e se mantém atual até os dias de hoje. É claro que muitos discordam, essa não é a questão. Contei essa história só pra contextualizar o status do disco.
O fato é que, diferentemente do Nirvana, que não pode mais aproveitar, o Primal Scream resolveu dar uma faturada, e fazer uma turnê comemorativa ao aniversário do disco, tocando-o na íntegra (prática esta que anda muito na moda). Várias bandas, inclusive no Brasil, vêm fazendo esse formato do show, que em alguns casos podem ser verdadeiramente momentos históricos, como foi o meu caso no show do Primal Scream.
 
Para aquecer em grande estilo, a abertura do show ficou a cargo da Cachorro Grande, que subiu no palco do Opinião por volta das 22h15min. A banda começou tocando para um público pequeno, que foi rapidamente crescendo, atraindo as pessoas que esperavam a atração principal do lado de fora. Como era de se esperar, fizeram um show de rock n’ roll de primeira linha. Depois desceram para a platéia e curtiram o Primal Scream na primeira fila.
 
Após a preparação da casa para os vários efeitos visuais presentes no show, os escoceses subiram ao palco executando os primeiros acordes da clássica “Movin On Up”. O público foi ao delírio logo de cara. “Don’t Fight It,Feel It”, veio logo depois. Mostrou o vozeirão da cantora de apoio que acompanha a banda nessa turnê, que tem a responsabilidade de, sozinha, representar o coro dos quase uma dezena de cantoras e cantores que gravaram o disco.
 
Passado o momento “up” que antecede a viagem, o clima foi baixando, mas no bom sentido, quando a banda começou a tocar “Damaged”. Sua aura totalmente setentista fez o público embarcar na onda da banda e preparou o terreno para a parte mais “down”. Não é a toa que a música seguinte se chamava “I’m Comin Down”, com direito ainda ao clarinete da gravação original, nada de samplers e efeitos de teclado.
 
Para tocarem a psicodélica “Inner Flight”, os escoceses contaram com uma grande ajuda de imagens projetadas no telão, que praticamente obrigavam o espectador a se inebriar pelo clima do show, que culminou na clássica doideira de “Higher than the Sun”.
 
A essa altura da apresentação as músicas já tinham sido praticamente todas trocadas de sua ordem original, justamente para compor certa ordem nas sensações do público. Criando um efeito diferente de se ouvir o disco na íntegra. Para voltar ao clima de festa, nada mais perfeito que “Loaded” (Just what is it that you want to do? We wanna be free, We wanna be free to do what we wanna do… We're gonna have a good time, we are gonna have a party), e para finalizar com a grandiosa, nos dois sentidos, “Come Togheter”. Um hino à luta por liberdade, com discursos socias inseridos no meio da música, junto a um coral gospel.  Pretensioso? Digamos que só um pouquinho.
 
Terminada a parte Screamadelica, sem a faixa que encerraria o disco, “Shine Like Stars”, foi a vez do já esperado bis, que ficou por conta de outros três clássicos. Começando pela mais nova, “Country Girl” do disco Riot City Blues (2006), que foi cantada pela galera como se fosse qualquer outro clássico da banda do início dos anos 90. “Jailbird” e “Rocks” encerraram de maneira grandiosa a apresentação do Primal Scream em Porto Alegre.
 
Confesso que o Screamadelica não é o meu disco preferido dos caras e não estava esperando grande coisa do show. Talvez por não ter idade para aproveitar e vivenciar essa ótima época do rock n’ roll. O incrível é que ao vivo a banda consegue transportar o público àquele contexto, sem soar datado, fato que nenhuma banda remanescente deste período consegue mais fazer.
Sem dúvidas, foi histórico!
 
Por: Ângelo Borba

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