8ª Noite Senhor F: Medialunas e El Mató a um Policia Motorizado

A 8ª Edição da Noite Senhor F que ocorreu no domingo, 25 de Setembro, deveria ter reunido as bandas Medialunas (RS), Cruz (SP) e El Mato a Un Policia Motorizado (Argentina). Deveria, já que a banda paulista não esteve presente conforme já comunicado dias atrás pela organização. No entanto, não fez falta e as um pouco mais de uma centena de pessoas que estavam presentes no Opinião foram brindadas com dois ótimos shows.

A Medialunas é formada pelo casal Andrio Maquenzi (ex-Superguidis) na Guitarra e Vocal e Liege Milk (Loomer e Hangovers) na bateria. Com este projeto, estavam fazendo recém o terceiro show e deixaram uma ótima impressão aos presentes. Muita energia, presença de palco, simpatia e composições poderosas formaram a receita apresentada pela banda e que funcionou muito bem, pois cativou o público e obteve aceitação de imediato.

A apresentação começou com a ótima “Humming” e a primeira impressão foi o som bem alto da guitarra. Mas a mixagem estava muito boa e isso não foi um problema, pois se ouvia muito bem as duas vozes e a bateria. Algumas músicas depois, a primeira surpresa, uma música cantada em espanhol “No Te Va Gustar” com Liege nos vocais. O show continuou animado com uma música em português, “Memorabilia”. Mesmo com arranjos simplificados não se sentiu falta de outros instrumentistas, pois as melodias foram muito bem construídas com alternâncias entre um som mais calmo e outro mais agressivo, por vezes até gritado. Por ter apenas guitarra e bateria, alguns talvez façam referência ao White Stripes, mas já adianto que a semelhança acaba por aí e o som tem influências gritantes do Grunge. O show ainda teve a poderosa “Colorful” e em seu final o público pediu o tradicional e recompensador “mais um”. Foi um show curto, cantado em três idiomas e além das expectativas. Fica a curiosidade do que a Medialunas ainda pode nos apresentar e a esperança de mais uma bela banda em nosso cenário independente.

Depois de um intervalo razoável foi a vez da maior banda independente da Argentina, o El Mató a Un Policia Motorizado, subir ao palco do Opinião e fazer um show simplesmente memorável. A banda de La Plata é formada por Santiago Motorizado (Baixo e Voz), DoctoraMuerte (Batería), Pantro Puto (Guitarra), Niño Elefante (Guitarra) e ChatránChatrán (Teclados) e tem influências marcantes de bandas como: Pixies, SonicYouth e The Velvet Underground.

Com quatro trabalhos lançados de 2004 para cá, ganhou alguma notoriedade em Porto Alegre devido à sua participação no festival El Mapa de Todos, no primeiro semestre deste ano. Mas desta vez, o grupo teve mais tempo de palco para mostrar o seu trabalho e fez uma apresentação com 15 músicas que levaram o público a cantar junto, bater cabeça, dançar e sair ao final com aquela ótima sensação de ter visto um grande show de Rock! Sem dúvidas, foi uma noite que merecia uma presença de público bem maior do que se teve, mas situações como essa não são mais novidade aqui em Porto Alegre, infelizmente.

A apresentação começou com uma sequência matadora: “Navidad de los Santos”, “Viejo Ebrio y Perdido”, “El dia de Huracan” e uma de suas melhores músicas, “Chica Rutera”. A banda não falou muito com o público e quando o fez, era curioso ver a maneira quase tímida de Santiago ao se dirigir à plateia. Não da pra se dizer que o El Mato tem uma grande performance de palco, mas o som envolvente, as guitarras bem trabalhadas e a entrega a cada canção envolvem e relacionam banda e público de uma maneira muito singular. Ainda é preciso dar destaque para “Amigo Piedra”, “Vienen Bajando”, “Dia de Los Muertos”, “Mi Proximo Movimiento” e o final hipnótico com a experimental e energética “Prenderte Fuego”.

Após o show ficou a curiosidade em ver como ele seria se tivesse ocorrido em solo argentino e a felicidade e satisfação por ter participado deste momento que faz com que fãs contem, desde já, os minutos para ver mais um show do El Mato a Un Policia Motorizado.

Como diria Fernando Rosa, idealizador da Noite Senhor F: “Foi uma noite de guitarras”.

Por: Thiago Floriano Barbosa

Fotos: Igor Almeida

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