Pearl Jam: quase três horas de Rock em Porto Alegre.

PearlJam_Fabiana _Menine

Fim de tarde de sexta-feira e enquanto muitos deixavam a Porto Alegre para curtir o feriadão em outras cidades, os fãs de Rock tinham outro destino: o Estádio Passo d’Areia, do Esporte Clube São José (apelidado carinhosamente de Zequinha Stadium) foi palco de um evento memorável: Pearl Jam, uma das maiores bandas de Rock dos anos 90 se apresentou pela segunda vez em Porto Alegre para um público de cerca de 20 mil pessoas.

    A abertura dos trabalhos ficou a cargo da porto-alegrense Wannabe Jalva, que vem atraindo atenção de público e crítica não apenas por sua excelente sonoridade, mas também por suas estratégias de divulgação, que envolvem desde a básica divulgação via internet e redes sociais até um coelho que distribui o álbum via Bluetooth. A banda, que teve de subir ao palco 45minutos antes do previsto (às 18h45), fez um show curto, porém competente, conquistando o público que já se aglomerava em frente ao palco e firmando o nome Wannabe Jalva entre as bandas de abertura que além de cumprirem bem o papel de aquecer o público, ganham fãs por sua qualidade. Vale conferir o trabalho dos caras.

    Pouco antes das 20h, ainda com o dia claro, quem subiu ao palco do Zequinha foi a banda americana de Punk Rock X. Na estrada há quase 35 anos, a banda de Los Angeles conquistou o público com suas composições diretas e que transbordam diversão, como o Punk Rock deve ser. Por pouco mais de meia hora o X executou suas músicas próprias e uma versão punk de “Soul Kitchen”, dos Doors. O ponto alto da apresentação foi o encerramento com “Devil Doll” que, para a surpresa de todos, contou também com Eddie Vedder (sim, o vocalista da atração principal cantou com a banda de abertura). A participação de Vedder acabou por quebrar um pouco a expectativa do público em vê-lo, mas também deu um charme todo especial ao show do X, além de refletir a postura do Pearl Jam, que faz o que quer na hora em que acha melhor.

    Pontualmente às 21h15 as luzes se apagaram para a atração principal: Com os dois telões laterais transmitindo em preto e branco as imagens do palco, a banda abre com “Why Go”, do clássico álbum “Ten“. Na seqüência, levantaram ainda mais o público com “Do The Evolution”, um dos maiores hits do Pearl Jam. Desde o início era possível perceber a qualidade da iluminação (impecável), do som e do cenário, que formava ao fundo as iniciais da banda em alto relevo com caixas de som.

    A energia e a coesão do Pearl Jam no palco impressionam, assim como o ótimo repertório escolhido para a noite, beneficiando todos os álbuns da carreira da banda, ainda que alguns com apenas uma canção. Os mais privilegiados foram os primeiros, “Ten” e “Vs.”, com seis e cinco, respectivamente.

Com extenso repertório (que contou com 32 músicas em pouco mais de 2h50 de apresentação), o Pearl Jam apresentou não alguns, mas uma imensa gama de pontos altos em seu extenso show: Given to Fly, Wishlist, Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town, Even Flow e Daughter encantaram os fãs que cantaram em uníssono por todos os setores do estádio do Zequinha. A primeira parte da apresentação teve em sua 17ª e última música o momento que faltou em 2005: “Black” levou fãs às lágrimas.

    Após um breve intervalo, a banda retorna ao palco para mais algumas canções. De posse de uma garrafa e em português hilariante, Eddie Vedder vai ao microfone: “Hoje é aniversário da minha mulher. Ela está em Seattle e eu estou com saudades. Vocês podem cantar parabéns para a Jil?”. Prontamente atendido, Vedder presencia um “Parabéns” de 20 mil pessoas dedicado exclusivamente à sua esposa.
Em retribuição, Eddie executa sozinho ao violão a belíssima “Just Breathe” e, após o retorno da banda, quem ganha um presente especial são os gaúchos: “Oceans”, do álbum “Ten”, que ainda não havia sido executada nos shows no Brasil. Antes de deixar o palco novamente, o primeiro cover da noite: “I Believe in Miracles”, dos Ramones, fez o Zequinha cantar junto.  “The Fixer” e “Rearviewmirror” fecharam o bis, fazendo com que alguns deixassem o estádio.

    Passados poucos minutos a banda volta ao palco mais uma vez, para uma nova versão: o mega hit radiofônico “Last Kiss”, que também foi exclusividade do repertório de Porto Alegre, seguida da belíssima “Better Man”. Após “Crazy Mary”, cover de Victoria Williams, a banda demonstra o quanto pode ser forte ao vivo com a tríade de maior impacto na noite: “Jeremy”, “Alive” e a versão para o clássico de Neil Young “Rockin’ in the Free World”. O que seria um final perfeito (as luzes inclusive começaram a ser acesas em “Rockin’ in the Free World”) acabou não sendo, pois a banda, ainda com muita disposição, encerrou sua mais extensa apresentação no Brasil com “Indifference” e “Yellow Ledbetter”.

    Foram quase três horas de show, 32 músicas, entre elas quatro covers. E, mesmo assim, os fãs tinham fôlego e paixão para ainda mais. O Pearl Jam lavou a alma daqueles que compareceram com um espetáculo muito superior ao de 2005. No final, Eddie Vedder declarou todo seu amor pelo público brasileiro dizendo que a atual turnê serviu para que se lembrassem de como o público brasileiro é o melhor e prometeu retornar em 2012.
Promessa é dívida.
Que venha o próximo!

Setlist

  1. Why Go

  2. Do The Evolution

  3. Severed Hand

  4. Corduroy

  5. Got Some

  6. Low Light

  7. Given To Fly

  8. Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town

  9. Even Flow

  10. Unthought Known

  11. Present Tense

  12. Daughter

  13. 1/2 Full

  14. Wishlist

  15. Rats

  16. State Of Love And Trust

  17. Black

Bis I

  1. Just Breathe

  2. Oceans

  3. Comatose

  4. Light Years

  5. I Believe In Miracles

  6. The Fixer

  7. Rearviewmirror

Bis II

  1. Last Kiss

  2. Better Man

  3. Crazy Mary

  4. Jeremy

  5. Alive

  6. Rockin in the Free World

  7. Indifference

  8. Yellow Ledbetter?

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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1 comentário

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