Criolo: Uma das revelações do ano em Porto Alegre

Esse ano foi, provavelmente, o mais importante da carreira de Criolo. O cantor foi o grande vencedor do último VMB quando, na mesma noite, tocou ao lado de Caetano Veloso “Não existe amor em SP”. Também teve suas músicas tocadas em várias rádios do Brasil, lançou um disco extremamente elogiado pela crítica e para completar, sua versão para “Cálice”, de Chico Buarque, foi inclusa na nova turnê do compositor. É pouco?    E foi com toda essa moral que Criolo veio fazer seu primeiro show em Porto Alegre para um Opinião lotado. Sem muita firula, a banda sobe ao palco. Logo após, Criolo e seu parceiro de rimas, DJ Dan Dan, entraram para levantar o coro ao som de “Mariô”. Sem muitas palavras, mas se comunicando o tempo todo com a plateia, Criolo dá muito mais ênfase a uma performance frenética e intensa na interpretação de suas músicas. O que tem pra falar já está na suas letras. Não há necessidade de ficar tentando  ganhar o público com excessos de simpatia

    Mesmo pouco tempo após o lançamento de seu segundo CD, Nó na orelha, já é possível dizer que este contém alguns clássicos da nossa música, que com certeza serão lembrados daqui há muitos anos. Como é o caso de “Subirusdoistiozin!” e “Não existe amor em SP”, que foram destaques da apresentação. Canções bem distintas, a primeira com um swing bem cadenciado e embalada por metais, a segunda com uma atmosfera bem mais densa, lenta e a participação mais que bem vinda da guitarra suja de Marcelo Munari. Essa é uma característica bem forte das apresentações de Criolo: a mudança de ritmos que seu repertório oferece, por dialogar com os ritmos negros como o raggae, funk, soul, samba e rap. Mas tudo sem soar como um pastiche, feito por gente que entende do riscado.

    Para o bis, foram escolhidas duas músicas mais antigas da carreira de Criolo, quando era conhecido por Criolo Doido. Foram elas: “Pra quê cerol?”, que por coincidência apresenta uma letra que tem tudo a ver com a fase que Criolo vive na sua carreira, e encerrou com “Vasilhame”. Um show muito eficiente, que apresentou de maneira perfeita todo o seu mais recente CD e, de lambuja, mostrou um pouco do que foi o seu passado, para quem ainda não conhecia.

    Fora o show, outra coisa chamou muito a atenção: a heterogeneidade do público. Ao mesmo tempo em que a casa estava repleta de “rappers” que acompanham Criolo há vários anos, também se observava um público muito grande vindo de outras praias. É muito bacana presenciar o crescimento de um artista capaz de unificar vários segmentos musicais em torno de sua obra. Mostra que ela é muito original e sincera. Fazia tempo que o cenário musical brasileiro não tinha um exemplar da qualidade de Criolo.

Por: Ângelo Borba

Fotos: Eduardo Biermann

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