Chico Buarque retorna aos palcos do Rio Grande do Sul com sua nova turnê

Chico Buarque Porto Alegre

Nas últimas duas décadas ter a oportunidade de assistir a uma apresentação de Chico Buarque é algo muito fora da rotina. O músico e compositor excursiona como tal de maneira esporádica, o que torna cada apresentação muito disputada. À medida que o tempo passa isso não muda, e foi exatamente o que ocorreu com sua passagem pelo Rio Grande do Sul: cinco apresentações lotadas são, de fato, muita coisa.Fui conferir a última apresentação de Chico em solo gaúcho, em Novo Hamburgo, no belíssimo e recém inaugurado Teatro Feevale. Apesar de um atraso de quase vinte minutos, até que quase todos estivessem acomodados, eis que, depois da sua banda já em cima do palco pronta para começar, surge Chico Buarque com seu característico passo rápido e sendo ovacionado pela plateia. A música escolhida para começar a apresentação é emblemática: "O Velho Francisco", seguida por "De Volta ao Samba". O set list das turnês de Chico sempre foi escolhido com bastante cuidado, e também dizem muito de cada momento que Chico se encontra ao excursionar. As músicas estão sempre dialogando umas com as outras, sejam da época que forem, de 1964 a 2011.

Como a turnê serve de divulgação para o novo disco, “Chico”, nada mais natural, ou assim deveria ser, que tocar todas as faixas do seu novo trabalho, a começar pela fantástica, "Querido Diário". "Rubato", também do novo disco, antecedeu umas de suas composições mais belas, "Choro Bandido". Voltando para as canções do álbum “Chico”, foi executada uma quadra simplesmente sensacional: "Essa Pequena", seu blues estilo MPB; "Tipo um Baião", que ao vivo manteve seu final marcado pelo peso das guitarras distorcidas; a melodia cativante de "Se Eu Soubesse" e finalizando com a ironia triste de "Sem Você 2". Todas funcionando muito bem ao vivo.

Retornando às suas canções mais antigas, foi a vez de várias músicas que gozam de um prestígio muito grande entre seus admiradores, mas que não estão entre suas composições mais tocadas. Foi o caso de "O Meu Amor" e "Terezinha", ambas do clássico álbum “A Ópera do Malandro”. "Ana de Amsterdam" foi uma grata surpresa no set list, precursora temática do maior clássico da noite, e talvez uma de suas composições mais esperadas, "Geni e o Zepelim", que Chico nunca havia tocado ao vivo. Momento histórico.

Do novo álbum, ainda tivemos como destaque a valsa extremamente moderna "Nina", que narra a história de um casal que se relaciona via internet, mostrando um Chico ainda atento às transformações que ocorrem na sociedade, no tema em que mais lhe é dado crédito: o amor. Encerra a primeira parte do show com mais uma das novas: antítese de "Nina", "Sinhá" é um samba arrastado sobre um escravo sendo condenado ao açoite por espiar a filha do seu senhor. Em poucos minutos e quase sem perceber vamos do século XXI ao período escravagista. Após um pedido forte de bis, Chico volta para tocar "Sonho de um Carnaval", junto com "A Felicidade". "Futuros Amantes", a típica música de novela das oito mais bonita já feita, encerra o primeiro bis. Após mais pedidos incessantes para que Chico voltasse, ele atende e encerra de vez a apresentação com a clássica parceria com Edu Lobo em "Na Carreira", a melhor resposta para o próprio velho Francisco.

Mesmo com ingresso com valor acima do que vem sendo praticado. é justo dizer que o valor cobrado está de acordo com o tamanho da qualidade do espetáculo apresentado. Querendo ou não, Chico é tido como o maior compositor brasileiro de todos os tempos. Essa áurea garante que suas apresentações sejam sempre lotadas, pois Chico representa para várias gerações a figura do melhor exemplar do que a nossa música foi capaz de oferecer. Ao final da apresentação quando Chico se despede do público e deixa o palco da mesma maneira que entrou, com seu passo rápido e decidido, fica no ar um pouco de tristeza, pela incerteza de que pode ter sido uma das últimas vezes em que Chico sobe aos palcos. Creio que não, mas os hiatos estão ficando cada vez maiores. Portanto, se ele voltar, todo esforço para vê-lo será válido.

Set list:
O velho Francisco
De volta ao samba
Desalento
Injuriado
Querido diário
Rubato
Choro bandido
Essa pequena
Tipo um baião
Se eu soubesse
Sem você 2
Todo sentimento
O meu amor
Teresinha
Ana de Amsterdam
Anos dourados
Sob medida
Nina
Valsa brasileira
Geni e o Zepelim
Barafunda
Sou eu
Tereza da praia
A violeira
Baioque
Cálice (versão da letra composta por Criolo)
Sinhá

Bis:
Sonho de um carnaval/A felicidade
Futuros amantes

Bis2:
Na carreira
 
Por: Ângelo Borba

Fotos: Opus


 
 

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