Lenine passa por Porto Alegre encerrando a turnê .Doc Trilhas

Porto Alegre tem sido um ponto certo nas turnês de Lenine. Já foram três apresentações na capital nos últimos três anos, todas bem diferentes (e resenhadas pelo Poa Show, diga-se de passagem, inclusive em sua estréia). Em sua mais recente apresentação, Lenine estava encerrando a turnê do seu disco anterior, só de trilhas sonoras feitas para teatro, televisão e cinema e ao mesmo tempo divulgando seu mais recente disco, intitulado Chão.

Com um atraso de mais de uma hora (o que acabou deixando uma parte considerável dos presentes irritada) Lenine sobe ao palco do Opinião ao som de “Martelo Bigorna”, seguida de “Magra”, as ambas do disco Labiata. Toda a irritação por conta do atraso tinha ido embora, era impossível não se contagiar pelo carisma e presença de palco que Lenine possui. O show segue em ritmo acelerado, sem muitas conversas. Em seguida, o clássico “A Rede” pôs o Bar Opinião inteiro, que estava lotadíssimo, para cantar essa que é uma de suas músicas mais conhecidas. A plateia já estava ganha, mas a incursão de “Deu pra Ti”, dos irmãos Kleiton e Kledir e “Ramilonga”, do outro ramo musical da família, Vitor Ramil, acabou por abrilhantar ainda mais esse início de apresentação.

A escolha do repertório transitava por praticamente toda sua discografia, tudo bem que foram tocadas somente as mais conhecidas, mas isso não tirou a graça de canções extremamente fortes, como “Dois Olhos Negros”, (que ficou pesada pra caramba) e “Candeeiro Encatado”, incendiando a platéia, ambas do disco que mostrou Lenine ao grande público: O dia em que faremos contato. “O Leão do Norte”, do disco Olho de Peixe e “A Lavadeira do Rio”, do excelente Falange Canibal, também foram destaques de uma apresentação extremamente enérgica, que terminou a primeira parte com “Do It”, uma de suas composições mais poderosas.   

Praticamente todas as músicas apresentadas tiveram seus arranjos reformulados, acabaram ficando mais experimentais, condizentes com a atmosfera do novo disco de Lenine. Como trata-se de um fim de turnê e a banda que acompanha o cantor vai sofrer uma mudança drástica (com a saída do maravilhoso baterista Pantico Rocha e do baixista Guila, para a entrada de Bruno Giorgi, músico, filho do compositor e produtor do novo disco), a banda demonstrava uma imensa vontade de concluir este ciclo da maneira mais legal possível, para deixar saudade no público e em Lenine, afinal, a química entre eles é inegável e a parceria apenas vai dar uma pausa.

Ao final da apresentação, já no bis, Lenine volta sob imenso clamor do público, e humildemente pede permissão para tocar uma música nova. “Chão”, faixa que abre seu recente trabalho, é apresentada de maneira bem diferente da gravação, visto que a original não possui bateria, mas sons de passos que marcam seu ritmo. Teve ainda“Hoje Eu Quero Sair Só”, com a plateia cantando todos os versos, e “Alzira e a Torre” fazendo todo mundo sacudir na levada rock n’ roll dessa grande canção.

Mesmo acabando muito tarde, a sensação que ficou mais evidente ao término do show, era de uma imensa satisfação, tanto da banda (Lenine parecia estar realmente realizado) como do público. A próxima vinda do compositor provavelmente não vai demorar muito, mas o formato da apresentação mudará bastante. E também, muito provavelmente, a satisfação de ambas as partes vai ser garantida. Tem sido assim nos últimos três anos.

Set List:
Martelo Bigorna
Magra
A Rede
Dois olhos negros
Aquilo que dá no coração
Lá vem a cidade
Candeeiro Encantado
Paciência
O Último por do sol
O Homem dos olhos de raio x
O Leão do Norte
A Lavadeira do rio
Jack soul brasileiro
O Céu é muito
Do it

Bis:
Chão
Hoje eu quero sair só
Alzira e a torre

Por: Ângelo Borba

Fotos: Maria Helena Sponchiado

Publicações Relacionadas

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *