Erasmo Carlos traz a Porto Alegre a turnê “Sexo & Rock and Roll”

Noite de sábado e o Teatro do Bourbon Country ficou lotado novamente, dessa vez, a atração era mais do que especial: Erasmo Carlos, um dos maiores ícones da Jovem Guarda e da própria música brasileira veio mais uma vez a Porto Alegre, agora com a bem sucedida turnê “Sexo e Rock and Roll”. Aos 70 anos de idade e comemorando meio século de carreira, o Tremendão mostrou competência e vitalidade em um excelente show de Rock.     A noite começa às 21h15, quando as luzes de apagaram por completo. Apenas o telão de LED ao fundo, dividido em quatro colunas, permanece aceso exibindo animações de conotação sexual, enquanto ouvia-se o tema que dá nome a seu último álbum: Sexo. Ao acender das luzes, Erasmo adentra o palco logo após o sexteto que o acompanha para “Kamasutra”, primeiro single extraído de “Sexo”. A canção abre o show com um clima Rock and Roll bastante denso, também por conta do arranjo com três guitarras e um violão. Na seqüência, o primeiro grande sucesso: “Sou Uma Criança, Não Entendo Nada”, levantou ainda mais o público.

    Antes de outro clássico, “Filho Único”, Erasmo cumprimenta a platéia gaúcha: “Boa noite Porto Alegre! Quero dizer que é um orgasmo inenarrável de novo estar aqui… se for contar quantas vezes eu estive aqui e as coisas que eu fiz aqui… ihhh… Mas, quero dizer que nunca antes, nunca antes na história desse pais, vocês viram um compositor tão feliz no palco, porque fazendo 50 anos de carreira – não gosto muito desse termo, ficou sujo (risos) prefiro “de estrada – e fazendo o que gosta, lidando com música”.

    Outra característica interessante de um show de Erasmo Carlos é sua interação com o público, conversando e contando histórias de acordo com a canção subseqüente. Ao anunciar “Roupa Suja”, Erasmo fala sobre a parceria com Arnaldo Antunes, que escreveu a letra para a música de sua autoria: “Arnaldo descreveu o desespero de um fim de caso, um relacionamento, onde certamente existem mágoas”. E antes de “Panorama Ecológico”, Erasmo relembra que muito antes de assuntos como ecologia e sustentabilidade se tornarem pauta, ele e o eterno parceiro Roberto Carlos já o faziam na década de 70: “Essa história de ecologia, eu e o Roberto já falávamos isso lá na década de 70! Só que ninguém dava a mínima bola. Pessoal da gravadora chegava pra gente e dizia ‘Esse negócio de ecologia aí não tá com nada, não vende, a mulherada quer é música de amor’ e a gente ficava meio assim… Aí a gente fez uma música sobre as baleias e esse cara chegou pra nós e disse ‘baleia não compra disco!’ diante disso, né… que que a gente podia dizer? Aí, anos depois, veio o Sting, o Bono Vox, falando de ecologia e todo mundo olhou pra eles ‘oh, que legal, olha só, vamos prestar atenção’. Aí a gente descobriu qual foi o nosso erro: a gente cantava isso em português!” completou Erasmo, antes de forte aplauso.

    O repertório, bem pensado, contemplou clássicos e novidades da carreira de Erasmo Carlos. Entre as mais conhecidas, sucessos da carreira solo como “Mulher” e “Mesmo que Seja Eu” e ainda canções emblemáticas do áureo período da Jovem Guarda, como “Gatinha Manhosa”, “Vem Quente que Eu Estou Fervendo” (que ganhou uma versão pesada, flertando com o Metal) e “É Proibido Fumar”. Já entre as mais recentes, destaque para “Jogo Sujo” e “Amorticídio”, além da já citada “Kamasutra”.

Dois momentos emocionantes trouxeram um clima mais intimista à apresentação: No primeiro deles, todos os músicos deixam o palco, exceto o tecladista José Lourenço, para que Erasmo, sentado em um banquinho, desse início ao belo medley de “Desabafo”, “Café da Manhã”, “Detalhes”, “Eu Te Amo, Eu Te Amo, Eu Te Amo” e “Como é Grande o Meu Amor Por Você” relembrou antigos sucessos em parceria com Roberto Carlos e emocionou o público presente. No outro, o clássico “É Preciso Saber Viver” contou com a participação especial do quinteto de cordas da PUCRS, enriquecendo o arranjo de forma brilhante.

Em uma falsa saída do palco, os músicos que o acompanham encenam um retorno à força de Erasmo, para encaminhar o encerramento da apresentação com “Pega Na Mentira” e “Cover”. Nesta última, o brilho especial ficou por conta de um cover de Roberto Carlos, vestido a caráter e, inclusive, distribuindo rosas tal qual o original. Hilário. Por fim, “Festa de Arromba” encerrou a noite, fazendo jus ao nome da canção escolhida para encerrar os trabalhos. Após uma hora e quarenta minutos de show, Erasmo deixa o palco para não mais voltar, encerrando um dos melhores shows do ano em Porto Alegre.

Que venha o próximo!

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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1 Comment

  1. Camila Ramos

    CORRIGINDO: Erasmo Carlos esteve em PORTO ALEGRE, dia 05/10/2012 (SEXTA-FEIRA) às 21:30h no BAR OPINIÃO. Eu estava lá, show fora de série.

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