Noite Senhor F: Tarcísio Meira’s Band, Repolho e Graforréia Xilarmônica.

  

   Há um ano uma iniciativa entre três caras (Gabriel Souza, do Opinião, Brisa Daitx, produtor, e Fernando Rosa, o SenhorF, jornalista e produtor) abriu um novo espaço para bandas independentes em Porto Alegre: desde então, um domingo por mês o Opinião passou a abrir as portas para receber três novas bandas merecedoras de um espaço de qualidade para a apresentação de seu trabalho. Em 12 meses a Noite Senhor F recebeu nada menos que 33 bandas, inclusive de outros estados. Até a banda Argentina El Mató a un Policia Motorizado participou de uma das edições. No último domingo, a edição de aniversário recebeu três bandas irreverentes e históricas no cenário underground: Tarcísio Meira’s Band, Repolho e Graforréia Xilarmônica. A festa, como não poderia deixar de ser, foi completa e muito, muito divertida.    Às 21h30 quem deu o pontapé inicial foi a Tarcísio Meira’s Band. A maior banda de Chinelo Metal do mundo fez mais uma de suas apresentações bizarras, com direito a vocalista de cueca de oncinha, um integrante fantasiado com uma cabeça de cavalo e vestindo uma sunga, detalhes referentes ao maiores clichês do Metal e escracho de todos os tipos. O público ainda era pequeno no show da Tarcísio, mas isso não impediu o vocalista FULANO de levantar o “Opinião Lotadooooooooo”, como o próprio bradou. O destaque ficou por conta dos maiores hits “Gordo Flávio” (homenagem à clássica figura do Metal gaúcho, Flávio Soares, do Leviaethan) e “Tio Me Dá Um Pão”, onde a banda jogou pão para a galera da pista. Um show extremamente divertido e bizarro, que dividiu o público entre os que choravam de rir e os que não entenderam nada do que acontecia no palco. A despedida foi igualmente hilária: “vão todo mundo tomar no meu cu, agradeço a todo mundo, agradeço a São Pedro e agradeço os pau no cu”. Ou seja: uma típica apresentação da Tarcísio Meira’s Band.

    Após uma breve troca de palco, os chapecoenses da Repolho, capitaneada pelos irmãos Panarotto, sobe ao palco. O visual de FULANO Panarotto é simplesmente indescritível, como pode-se observar nas fotos.  Os hits estavam lá, destaque para “Metalêro Sem Pará”, “Maria Gasolina” e “Adriana”. A performance de Demêtrio Panarotto foi um show a parte, com direito a levar a banda a deitar no chão no momento do solo (sacaram o trocadilho?) e convidar todos os metaleiros coloridos a desenharem flores, borboletas e pássaros no céu, pra depois enfiarem seus lápis coloridos no cu. Essa é a Repolho, de Chapecó. Sensacional.

    Já eram mais de 23h quando a atração principal subiu ao palco, após um discurso de agradecimento da Brisa Daitx e do próprio Senhor F (que aproveitou para mandar uma corneta pertinente, agradecendo a todas as bandas que tocaram esse ano e estavam ali naquela noite). O trio Frank Jorge (Baixo e Vocal), Carlo Pianta (Guitarra e Vocal) e Alexandre Birck (Bateria) começa a apresentação já emendando clássicos: “Patê”, “Minha Picardia” e “Bagaceiro Chinelão” trouxeram o público para a frente do palco, preenchendo a pista.

    A festa se completou com o desfile de hits da Graforréia Xilarmônica, que levantou o público com “Literatura Brasileira”, “Você Foi Embora”, “Eu”, “Nunca Diga” e o super clássico do Rock Gaúcho “Amigo Punk”.

    O encerramento, em clima de festa, se seu com os vocalistas das três bandas sobre o palco do Opinião para “Rancho”. Quando a banda se preparava para a despedida, Demétrio Panarotto impede o fim, sob a alegação de que faltavam “mais umas 40 ainda” e ordenou “Baixo Elétrico, Baixo Acústico”. Além desta, a banda ainda manda “Quase Quarenta” e encerra a noite com uma bela canção sobre a vida adulta.

    A Noite Senhor F do último domingo fechou com chave de ouro o primeiro ano do projeto. Foi a celebração de um espaço importante e histórico para as bandas independentes. Uma noite divertida e cheia de significados para quem foi e para quem, se alguma forma, participou de alguma das edições anteriores.

    Que venham ainda muitos e muitos aniversários da gloriosa Noite Senhor F.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine e Karina Kohl

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