Black Veil Brides em Porto Alegre: muita espera, pouco tempo.

Apesar de terem pouco tempo de estrada, essa banda californiana já conquistou um bom número de fãs ao redor do mundo. Muito dessa conquista se deve à forma com que o grupo trabalhou sua música e imagem na internet. O disco anterior do Black Veil Brides, "We Stitch These Wounds", obteve boa resposta do público e de vendas, rendeu a eles um contrato com a Universal Music (naqueles selos para bandas menores, é bom dizer) e assim puderam experimentar uma maior produção em todos aspectos, de vídeo clipes mais bem acabados a produtores gabaritados. Lançaram "Set The World On Fire", disco a ser divulgado na primeira passagem da banda no Brasil.

O show estava marcado para às 22h, mas deixando os britânicos meio envergonhados, os estadunidenses iniciam a apresentação 12 minutos antes do previsto. Essa pressa era o prenúncio do que seria o tempo total da apresentação. Quando sobem no palco levam ao delírio as cerca de 800 pessoas que estavam ávidas pela banda. Abrem o set com “Love Isn't Always Fair” e mostram que o público já estava ganho mesmo antes da banda desembarcar em Porto Alegre. Seguem com “All Your Hate” e o cover do clássico de Bili Ydol: “Rebel Yell” (que, aliás, ficou bem legal na versão da banda). Os músicos mantêm o pique do show correndo e se comunicando com a plateia, seguem o protocolo das bandas de hard rock de maneira correta. Não faltam caras e bocas e muita “testosterona” rockeira para os caras do Black Veil Brides.

O repertório do show foi baseado principalmente sobre as músicas do mais recente álbum e por isso privilegiando uma apresentação muito mais voltada para o hard misturado com alguns elementos de metal e screamo. Percebe-se uma mudança nos rumos da banda e no show isso se torna mais claro. Praticamente não se ouve mais os vocais guturais de Andy. “Knives and Pens”, maior hit da banda, é executada de maneira capenga pela banda, e praticamente sem a presença do vocalista, que, ao que  parece, teve de sair do palco por algum problema técnico. A galera não pareceu se importar tanto e cantou a música do início ao fim. Logo após veio “Legacy”, outra que ao vivo funciona muito bem, e um solo bastante técnico do baterista Cristian Coma.

No momento que a banda sai do palco, é rapidamente ovacionada e começam os pedidos de bis. Certo, os fãs chamam a banda uma vez. Depois, silêncio. A banda esperando pelo público (que a chamassem outra vez) fica a ver navios. O guitarrista, fora do palco, faz um pequeno solo para avisar que a banda ainda estava viva. A plateia encena um gritinho tímido mas não chama "Black Veil Brides”. O guitarrista tenta de novo e nada acontece. A banda volta (afinal tinham sido apenas sete músicas até então). New religion é a escolhida, e bem escolhida. A música ao vivo ficou muito pesada e se mostrou obrigatória nas apresentações da banda. “Youth and Whisky” encerra o primeiro bis. Após um pedido novamente tímido, a banda retorna e encerra a apresentação com uma de suas melhores músicas: “Fallen Angels”. É hard puro do começo ao fim.

A banda vem conquistando bastante público e esse show, apesar de não estar lotado, mostrou que em pouco tempo a banda cresceu claramente. Havendo um próximo, muito provavelmente, haverá mais público. Vários fãs estavam acampados em frente ao Opinião um dia antes do show, mostrando a devoção que a banda desperta em alguns. Sendo isso uma grande demonstração de admiração por parte dos fãs, era mais do que justo uma apresentação que não ficasse somente em 55 minutos e míseras 10 músicas. Vale lembrar que o set list da turnê que eles estão promovendo fica em média de 15 músicas por show.  Pelo que percebi os fãs sairam satisfeitos da apresentação, mesmo com pouco tempo e a qualidade do som ficando a desejar. A banda mostrou que tem ótimos músicos e sabem fazer canções que funcionam muito bem ao vivo. Poderia ter sido uma grande apresentação (nos dois sentidos), mas foi apenas boa.

Por: Ângelo Borba

Fotos: Lucas Mello/Abstratti

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