Karina Buhr: Estréia em grande estilo em Porto Alegre

Essa cantora, compositora e atriz não é tão novata no universo musical quanto alguns pensam: há quase vinte anos ela vem construindo uma sólida carreira no underground brasileiro. Mas foi em 2010 que o nome de Karina começou a pipocar em vários cantos do país, por conta do lançamento do maravilhoso “Eu Menti Pra Você”. A crítica o recebeu muito bem o e o público fez um bom boca-a-boca, o que garantiu uma boa procura ao disco e fez aumentar a ansiedade pelo segundo trabalho, “Longe de Onde”, que a cantora veio agora lançar em terras gaúchas.

O Opinião não estava lotado, mas um ótimo público se motivou a sair de casa numa segunda-feira à meia-noite para prestigiar a estréia de Karina na cidade. E meia-noite em ponto a banda sobe ao palco: Edgar Scandurra, Fernando Catatau, Mau, Bruno Buarque, Guizado e André Lima formando um grupo fenomenal para que Karina tenha à sua disposição um imenso arsenal sonoro. Optam por abrir a apresentação com “Sem Fazer Idéia”, linda música do seu mais recente disco e uma composição densa. Uma escolha atípica para abertura de um show. Segue com “Cadáver”, que vai aos poucos levantando o clima do show (pelo título da música fica meio difícil acreditar, eu sei), e conclui o aumento gradativo com a dançante, mas nem tanto, “Vira Pó”.

Karina veste um vestido lantejoulado, dourado, com uma pintura azul no rosto, diferente do visual “dark” que adotou na capa do seu novo trabalho. O contraste com o universo de sua poesia é berrante, mesmo nas canções animadas o clima nunca é ameno o suficiente para descerebrar. Quando as guitarras cortantes de “Guitarristas de Copacabana” dão início à esta paulada, a cantora que até então quase não era ouvida pelo público e nem no seu retorno, se revolta com a estrovenga e a joga no chão. Estava liberta. Agora, Karina se movimenta pelo palco, corre, deita aos pés dos companheiros de banda, enrola o microfone no pescoço, se machuca. Durante uma das melhores músicas do set, “Avião Aeroporto – “ (…)  Por que o corpo humano tem a resistência perfeita, se bate de leve dói, bate de com força mata.” -, é possível ouvir os barulhos que vazavam no microfone dos tapas que a cantora dava em seu rosto. Ossos do ofício… O de ser atriz.

Um dos grandes momentos da apresentação ficou por conta de uma de suas músicas mais bonitas, “Nassiria e Najaf”, com sua levada Rock n’ Roll provou que é obrigatória em qualquer apresentação da cantora. O final punk ficou a cargo de “Cara Palavra”. Levou o público a rendição total. Claro que ainda havia o bis, e não foi rock, não foi punk, não foi MPB e nem indie a maneira de se despedir do palco, foi com o seu funk auto-irônico, “Ciranda do Incentivo”, que Karina encerrou esta grande apresentação.

Se manter o alto nível de seus lançamentos e suas apresentações, não vai demorar para que Karina lote tranquilamente o Opinião na sua próxima visita aos gaúchos. Quem ainda não conhece esta preciosidade, está perdendo tempo. Aposto que logo, logo ela volta acompanhada de sua maravilhosa banda. A possibilidade de presenciar uma artista em plena ascensão deve ser sempre aproveitada.

Por: Angelo Borba

Fotos: Giovani Paim/Opinião Produtora

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