Lobão: Show especial na reabertura do Opinião

Em entrevista concedida a esse mesmo site onde vos escrevo, Lobão prometeu ao público porto-alegrense um show épico, ou melhor, bíblico. Épico até entendo, mas que raios seria um show bíblico?! Depois de quase duas horas e meia de muito rock n’ roll, acho que o esdrúxulo adjetivo é algo até bem palpável.

Sete meses atrás, Lobão havia trazido ao Festival de Inverno o seu novo show, chamado de Elétrico, no Teatro do Bourbon Country. Naquela ocasião, Lobão presenteou a platéia com uma apresentação impecável. Agora, para a já clássica noite de reabertura do Opinião, nada melhor que trazer novamente um grande show, que apesar de se tratar da mesma turnê, desta vez a apresentação contou com grandes diferenças.

Meia-noite em ponto e ao som de um diálogo entre Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau, Lobão sobe ao palco do Opinião, felizmente lotado. “Universo Paralelo” abre a performance de um dos maiores ícones do nosso rock, mais do que isso, da nossa música. “Mal de Amor”, do injustiçado disco “Nostalgia da Modernidade” é tocada de forma mais lenta, e intercalada com as clássicas “Bambina”, “Canos Silenciosos” e “Decadence Avec Elegance”, acabam por formar um começo de show bem ilustrativo do que normalmente tem sido as apresentações de Lobão, que sempre mistura seus já esperados clássicos com o seu repertório menos conhecidos, assim conseguindo agradar a grande maioria do público, que convive bem com essas duas facetas.

“El Desdichado”, que é sem dúvida umas das composições mais fortes de Lobão possui, ao vivo, e já no acústico, ela ganha um peso e uma levada sensacionais, explodindo em um final apoteótico. Grande momento! Um momento “romântico”, como descreveu o cantor, veio para dar uma acalmada no ânimo e pegar um fôlego, porque a noite prometia. Anunciada como “a canção de amor mais linda que eu já fiz”, “Vou Te Levar”, de fato, emocionou os presentes e foi um dos grandes momentos do show, que não poderia encerrar de outra forma se não com o seu clássico mais romântico e triste, “Me Chama”, cantada em uníssono por um público já conquistado.

Depois de uma hora e meia de show e dezoito músicas tocadas, a apresentação poderia encerrar com um saldo extremamente positivo. Claro que ainda teríamos o bis, e ele foi bem generoso, a começar por Mal Nenhum, parceria sua com Cazuza e que ganhou uma versão bem intimista, a exemplo da próxima canção a ser tocada: “Help!”

Em que o pedido de ajuda outrora cantado por Lennon, ganhava sua versão “Lobaniana”, na hora me lembrei de uma versão para Help, cantado por Caetano e que tinha um clima bem parecido… Ironias à parte…

Mais três clássicos: “Essa Noite Não”, “Rádio Blá”, que sempre fenomenal ao vivo, e “Corações Psicodélicos” encerraram a noite em grande estilo. Bom, foi o que havia pensado. Ao término, as luzes não voltam a acender, a galera se agita um pouco e chamam por Lobão mais uma vez.

Ele volta.

Para o segundo bis da noite, depois de algumas (várias) doses de whisky, o cantor avisa que tocaria umas canções “mais lado b”. Mesmo sendo uma quinta-feira às 2h da madruga, a maior parte do público não arredou pé. Começou com “Tão Menina”, música feita para sua irmã. Seguiu com a pesadaça “O Homem Bomba” e a melancólica “Sozinha Minha”, que mesmo Lobão tendo esquecido metade da letra, ainda valeu a pena, pela canção e pelo inusitado daquela situação. Ao fim de cada bis o músico avisava que seria a última canção da noite e, bem, foram sete últimas canções da noite.

Sua mais recente canção, “Agora é tarde”, antecedeu outra novata, “Song for Sampa”. A clássica “Chorando no Campo”, agradou em cheio, mas ainda não era uma música para terminar uma apresentação tão vigorosa. Para isso, fora escolhida o “Samba da Caixa Preta”, singela homenagem crítica ao Rio de Janeiro, para encerrar de vez uma apresentação bíblica.

Lobão mostrou como se faz um show de qualidade técnica altíssima e extrema humildade. Não foi simplesmente uma ótima apresentação de rock n’ roll, mas uma demonstração de imenso prazer por seu ofício.  

Por: Ângelo Borba

Fotos: Giovane Paim

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