Tarja: um show de Metal como há tempos não se via em Porto Alegre

Sempre que vamos assistir a show, temos certa expectativa do como será e normalmente saímos satisfeitos com o resultado porque conhecemos o que a banda pode oferecer. Algumas raras vezes saímos um pouco decepcionados, mas a melhor sensação é quando o show surpreende positivamente. Tarja Turunen, a incontestável diva do Metal, proporcionou aos fãs na última quarta-feira momentos inesquecíveis, mostrando o porquê de  tantas pessoas terem uma devoção quase mágica pela cantora.

    A noite começou com uma controversa escolha para abrir o espetáculo: A banda Noctis Notus, com Juliana Novo no vocal fez um bom espetáculo, mas a clara influência de Tarja e de sua ex-banda, o Nightwish, fizeram com que a comparação com o a artista principal fosse imediata, o que não é bom. Ainda mais depois da execução do cover Phanton of the Opera, que, inclusive,  estava no setlist de Tarja nos últimos shows desta turnê. Juliana fez uma performance quase impecável nesta música, mas com certeza não foi uma boa escolha pelo fato desta ser uma canção emblemática na carreira de Tarja.

    Com 10 minutos de atraso, as 22h10 a atração principal da noite sobre ao palco do Opinião. Os músicos Alex Scholpp (guitarra), Kevin Chown (baixo), Christian Kretschmar (teclado), Max Lilja (Cello – conhecido por seu trabalho no Apocalyptica), Mike Terrana (bateria, que praticamente dispensa apresentações) e, por fim, Tarja Turunen, recebem os aplausos do público presente.

    Anteroom of Death foi a escolhida para abrir a noite, e desta já se podia ver como seriam os próximos 90 minutos. A qualidade sonora da casa estava excepcional. Os presentes conseguiam ouvir todos os instrumentos e principalmente a voz da diva quase como nos álbuns. Fãs mais histéricos não cansavam de atirar bichinhos de pelúcia e lembranças para a vocalista, que ia acumulando-os na frente dos teclados no meio do palco. My Little Phoenix e a ótima e pesada Dark Star seguiram no setlist junto com Falling Awake, e o retorno do público aumentava a cada nota entoada pelos vocais precisos da moça finlandesa. A bela I Walk Alone conseguiu trocar os gritos pelo coro formado dentro do opinião, mostrando a força de sua carreia solo e que não precisa ficar presa às canções mais antigas, dos tempos do Nightwish.

    Depois deste primeiro set musical a banda descansa um pouco e abre espaço para uma atração quase tão esperada quanto a própria Tarja. Mike Terrana sozinho já é um show. Conhecido por seus trabalhos com Yngwie Malmsteen, Rage e Masterplan, e também tendo gravado com Kiko Loureiro (Angra) em seus discos solo, o cara fez não um solo de bateria, mas um espetáculo dentro do espetáculo. Exibindo toda sua técnica, habilidade e virtuosismo, ele envolveu e divertiu a platéia ao som de Oprheus in the Underworld, também conhecida por ser tema das dançarinas de Can Can.

    A banda retorno com Little Lies e Tarja esbanja carisma e sorrisos. Tenta arranhar um português nos agradecimentos e se mostra emocionada com a resposta de todos. Apesar da carreia solo estar bem consolidada, não poderiam falta alguma mostra das antigas músicas que elevaram Tarja ao que ela é hoje, e a primeira música do Nightwish na noite é Bless to Child, que funciona muito bem dentro do setlist atual, sendo bem recebida, mesmo por aqueles que hoje torcem o nariz para a banda por causa do rompimento.

    Um interessante set acústico é montado no palco, com violão e até uma pequena percussão para Mike, e ali foi realizado uma sequência com River of Lust, Minor Heavenm Sing For Me e I Fell Immortal. Destaque para Tarja ao piano enquanto Christian Kretschmar acompanhava Max Liljano no cello. O fim do show se aproxima com Never Enought, música nova e não tão conhecida e logo após In for a Kill. Sob aplausos e gritos, a banda deixa o palco para um rápido intervalo antes do esperado bis.

    Tarja volta animada, e de cara Mike Terrana puxa em sua bateria a introdução de Over the Hills and far Away, música de Gary Moore e também gravada pelo Nightwish em 2001. A música é ótima e empolgante, e consegue animar mais ainda uma platéia que já estava em êxtase. Die Alive e a ótima Until my last Breath encerram um espetáculo muito melhor do que imaginado pelos fãs da cantora.

    Um show de metal único, como há tempos não se via em Porto Alegre. A qualidade do som, a escolha das músicas, a banda e principalmente Tarja não deixaram brecha para que alguma coisa desapontasse o público presente. Com a promessa que voltaria logo para a capital gaúcha, Tarja Turunen pode ter certeza que terá a casa lotada em sua próxima apresentação.

Setlist:
Anteroom of Death
My Little Phoenix
Dark Star
Falling Awake
I Walk Alone
Drum Solo
Little Lies
Underneath
Bless the Child (Nightwish)
Rivers of Lust/Minor Heaven/Sing for Me/I Feel Immortal
Never Enough
In for a Kill
Over the Hills and Far Away (Gary Moore)
Die Alive
Until My Last Breath

Por: Carlos Porto

Fotos: Karina Kohl

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