Jello Biafra and the Guantanamo School of Medicine: apresentação catártica no Beco.

Noite de terça-feira em Porto Alegre e a cidade recebe nada menos que quatro shows internacionais. Além da lenda Joe Cocker, a equipe do Poa Show conseguiu ainda trazer a cobertura de um dos maiores nomes da história do Punk Rock: Jello Biafra, ex-vocalista dos Dead Kennedys que hoje capitaneia a excelente Guantanamo School of Medicine fez apresentação catártica para um público seleto que lotou o Beco 203.Pontualmente, como é de costume nos eventos da produtora Abstratti, Biafra sobe ao palco com a ótima “The Terror of Tinytown”, de seu álbum mais recente “The Audacity of Hype”.  O público, ansioso pela presença do clássico frontman dos Kennedy, respondeu euforicamente desde a primeira canção, correspondendo à performance insana de Jello no palco e abrindo diversas “rodas” na pista do Beco. Em seguida, “New Feudalism”, do mesmo álbum, e uma canção inédita: “Barackstar O’Bummer”, deram o tom de catarse ao show.

    No entanto, os fãs realmente esperavam pelos grandes clássicos dos Kennedys e o primeiro deles foi, justamente, o maior: “California Ubber Alles” fez o beco explodir. Mesmo com a excelente resposta das canções anteriores, “California” foi, disparado, ponto mais alto da apresentação do cantor americano. “Eletronic Plantation”, uma bem humorada crítica a, segundo as palavras do próprio Biafra “pessoas com seus trabalhos estúpidos com computadores” foi acompanhada de uma encenação hilária com direito a luta contra o sono, litros de café e autoflagelo com o teclado.  Do repertório da banda que o tornou uma lenda, apenas mais quatro canções: “Bleed for Me”, “Too Drunk to Fuck”, “Nazi Punks Fuck Off” e “Holyday in Camboja”, outro destaque na apresentação, que encerrou o set com pouco mais de uma hora de show.

    Houve espaço, obviamente, para os sólidos e bem construídos discursos politizados de Jello Biafra, abordando de forma contundente alguns problemas políticos e sociais, como as prisões controladas pela iniciativa privada nos Estados Unidos, a base de Guantanamo e até mesmo o fato de o Brasil ter reservas de petróleo: “O Brasil tem petróleo agora. Tenham medo. Tenham MUITO medo, pois ter petróleo significa que vocês podem ser atacados!”, alertou o vocalista.

    Depois de pedidos do público e dentro do que era esperado, a banda retorna para mais algumas canções, entre elas a longa e diferenciada “I Won´t Give Up”, que fechou a apresentação. Com uma hora e quarenta minutos de show, Biafra deixa o palco com sua banda para não mais retornar, deixando uma sensação de que mesmo com 100 minutos, o público gaúcho tinha presenciado uma apresentação curta. Com um domínio de palco e energia impressionantes, ficou a certeza de que Jello Biafra, do alto de seus 53 anos ainda tem muito mais gás do que muitos de seus discípulos décadas mais jovens. Porto Alegre recebeu um mestre da arte de fazer um bom show de Punk Rock. Uma noite histórica para o estilo.

    Que venha o próximo.

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