Sebastian Bach: excelente retorno ao Opinião.

Noite de domingo e Porto Alegre recebe novamente Sebastian Bach, o eterno vocalista do Skid Row, em sua quarta passagem pelo Rio Grande do Sul. Promovendo seu álbum mais recente, o pesadíssimo “Kicking and Screaming” (2011), o cantor atraiu um bom público ao Opinião e mostrou ainda estar em excelente forma na arte de ser um screamer.

    A abertura dos trabalhos ficou por conta do power trio gaúcho Zerodoze, que já abriu diversos shows no mesmo local. Lançando seu novo álbum “O Peso que Corrói”, a banda apresentou um repertório baseado em composições próprias num show flamejante de pouco menos de 30 minutos e cumpriu com louvor a missão de esquentar o público para a atração principal. Destaque, também, para a versão de “Children of the Grave”, do Black Sabbath.

    Pouco depois das 22h a banda sobe ao palco com uma entrada triunfal: “Slave to the Grind” fez o Opinião explodir e deixou claro que a noite seria de uma energia singular. Sebastian, do alto de seus 191 centímetros de altura, Bach entra em cena de forma triunfal, girando o microfone pelo cabo, como nos áureos tempos do Skid Row. Apesar da nítida deterioração de sua voz em relação à época, a performance e o carisma de Sebastian compensam e levam o público ao delírio. Na seqüência, “Kicking and Screaming” e “Dirty Power”, de seu mais recente trabalho, também foram bem recebidas pela platéia que lotava a pista do Opinião. Logo no início da apresentação a qualidade do som comprometeu, porém isto foi rapidamente corrigido. O destaque negativo ficou por conta, apenas, da noite pouco inspirada do jovem guitarrista Nick Sterling, que cometeu erros constrangedores na maioria dos solos e ficou muito aquém da atuação de seu companheiro de seis cordas, Johnny Chromatic.

    A partir dali o repertório foi dominado, basicamente, pelos grandes hits dos dois primeiros álbuns do Skid Row. “Here I Am” e “Big Guns” levantaram ainda mais o público hard rocker. A versão “low profile” que mesclou “Wasted Time” e “In a Darkned Room” emocionou e arrancou lágrimas do público feminino, assim como “18 and Live”, um dos maiores hits do Skid Row.  Mas foi com o clássico riff de “Monkey Business” que o público deu sua melhor resposta: Sebastian, que havia deixado o palco ao final de “As Long as I Got the Music”, retorna com uma camiseta do Brasil com a inscrição “TIÃO” no peito. A bem humorada brincadeira arrancou risos do público e do próprio Sebastian, que a todo momento apontava seu apelido brasileiro.

    “Tunnelvision”, também do álbum “Kicking and Screaming” e “Youth Gone Wild” (que tradicionalmente encerra as apresentações) fecharam os exatos 90 minutos de jogo no Opinião. Desta vez não houve bis, o que, honestamente, não fez falta. A apresentação contemplou diversos clássicos e o melhor do material novo, deixando o público nitidamente satisfeito.  Apesar de abusar dos efeitos na voz (especialmente o delay para estender os gritos mais extremos, que já não consegue executar), Sebastian Bach usou e abusou da experiência, do domínio de palco e do carisma para conquistar, mais uma vez, o público gaúcho e reafirmar sua condição de um dos maiores frontmen do Hard Rock mundial.

    Que venha o próximo.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine e Karina Kohl

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