Anthrax e Misfits: Encontro de gigantes no Teatro do Bourbon Country

Na última quarta-feira Porto Alegre foi palco de um grande encontro: uma das maiores bandas da história do Punk Rock, Misfits, dividiu palco com uma das mais importantes do Thrash Metal, o Anthrax. A parceria, que já havia acontecido nos anos de 96/97 nos Estados Unidos foi trazida à América do Sul e passou por Rio de Janeiro e São Paulo antes de desembarcar na capital dos gaúchos.           Pontualmente, como é de praxe em shows no Teatro do Bourbon Country, os Misfits sobem ao palco. Liderados pela controversa figura de Jerry Only (baixista, vocalista, líder, único membro da formação original e dono dos Misfits) a banda abre os trabalhos com nada menos que quatro músicas de seu álbum mais recente, “The Devil’s Rain”, de 2011. A faixa título, seguida de “Vivid Red”, “Land of the Dead” e “The Black Hole” não tiveram o impacto desejado, apesar da euforia natural pela chegada da banda. Apenas em “Scream”, do excelente “Famous Monsters” a platéia do Teatro do Bourbon Country demonstrou uma reação à altura da história dos Misfits.

    Porém, o espetáculo (?) apresentado não era nada digno: o que se viu foram três músicos tocando de forma desencontrada, com erros grotescos de execução (menção honrosa para os “solos” de Dez Cadena) e pessoas esforçando-se desesperadamente para manter na ativa uma banda que, infelizmente, já deixou de existir. As canções interpretadas pelos clássicos vocalistas Glenn Danzig e, principalmente, Michale Graves ficam, na voz de Jerry Only, sofrivelmente descaracterizadas e fora do tom. Seria mais digno que o bom álbum “The Devil’s Rain” fosse lançado como projeto solo de Only e que a banda ensaiasse um pouco mais ao invés de se valer do nome Misfits. Após pouco mais de uma hora, a banda se despede com “Die Die My Darling”, sem dúvida a mais bem recebida pelo público em todo o show do trio, o que deixou a banda visivelmente satisfeita com a receptividade do público gaúcho.

     Após uma rápida troca de palco as luzes se apagam para o Anthrax. O show da banda americana começa, a exemplo do Misfits, com material novo: “Earth on Hell” e “Fight 'Em 'Til You Can't” começaram a apresentação deixando claro que uma das maiores e melhores do Thrash estava na área: bem ensaiados, cheios de energia e proporcionando uma massa sonora impressionante, o Anthrax recebe do público gaúcho a mesma resposta que obtiveram no primeiro clássico da noite, que veio a seguir: “Caught in a Mosh” abriu diversas rodas na pista do Teatro do Bourbon Country.

    A partir dali o que se viu foi um excelente show de Thrash Metal, com músicos excelentes, composições à altura de sua história e um vocalista que, tendo voltado para o posto que é seu por direito, demonstra estar em plena forma. Clássicos do estilo como “Deathrider”, “Metal Thrashing Mad” e “Madhouse” deram ao show do Anthrax status de candidato a um dos melhores do ano, no que se refere a reação catártica de seu público. A banda e, especialmente, seu frontman Joey Belladona, dominam a arte de conduzir o público e o espetáculo em um show de Metal. A surpresa ficou por conta do cover de “Refuse/Resist”, do Sepultura, muito bem cantada pelo carismático guitarrista Scott Ian. Para finalizar, a banda se despede com “I am the Law”, deixando o público Thrash de alma lavada em Porto Alegre.

    Apesar do certo fracasso comercial (o show foi anunciado para o Gigantinho, com capacidade para 12 mil pessoas), o que se viu foi uma noite com excelente público para o Teatro do Bourbon Country, que mostrou, mais uma vez, ser uma excelente casa para shows pesados. Apesar do fiasco da primeira banda, a atração de fundo compensou plenamente, deixando a noite com saldo positivo e aquela tradicional expectativa do retorno.

Que venha o próximo.

Por: Marcel bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

Related posts

2 Comments

  1. Gasper1103

    Marcel Bitt., vai te catar, se não gosta de show punk tipicamente insano, vai fazer resenha de shows da Ivete Sangalo, e ainda errou o nome do antigo vocalista, é Michale Grave, otário…

    [Responder]

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *