Cachorro Grande: do“Baixo Augusta” à Cidade Baixa

Uma das maiores bandas do rock nacional está com CD novo na praça: “Baixo Augusta”, novo trabalho do Cachorro Grande, tem como ponto de partida a cidade de Porto Alegre. Não é um disco de “Rock Gaúcho”, assim como a banda há muito não é mais “gaúcha”. Ultrapassaram esse limite. Não sei como em outros estados, mas aqui ainda são tratados como sendo da casa, quase que jogando uma partida ganha. O Opinião não tinha lotação máxima, mas estava cheio o suficiente para garantir uma ótima noite de celebração ao rock n’ roll.    A abertura dos trabalhos ficou por conta da banda mineira Absinto Muito, que faz uma mistura bem intencionada de blues, psicodelia e rock dos anos 70. Mas como não se vive só de intenção, acabam esbarrando na falta de uma coesão que dê uma identidade mais interessante à banda. Todos são músicos ótimos, seguraram uma apresentação de quase 50 minutos, mas a sensação de que tudo que tem para apresentar não é o suficiente para convencer, perdurou por todo o show. A inclusão de alguns covers já manjados também não ajudou muito. Se apostarem e forem bem sucedidos na construção de um som mais original, ainda podem apresentar um material bem melhor.

    Era passada a meia noite quando a Cachorro sobe ao palco. Muito ovacionada, sem muitas palavras, abrem o show com “Difícil de segurar”, música do mais recente álbum. A resposta do público é boa. Seguem com outra das novas e uma de suas composições mais, digamos, diferentes: “Tudo vai mudar” mostra o som da banda com uma forte pegada “Kool & The Gang”, um a mistura de disco com funk adicionadas do mais puro rock and roll no refrão. Grande música. Uma das novas que melhor funcionou ao vivo. Mas o show engrenou mesmo quando os riffs inconfundíveis de “Hey Amigo” fizeram os presentes cantar tão alto quanto a banda.

    O baixista, Rodolfo Krieger, assume os vocais de “Surreal”, outra faixa nova que ao vivo ficou maravilhosa. Inclusive a versão ao vivo ficou muito mais enérgica do que a gravada no disco. “Sinceramente”, a clássica balada da Cachorro, mostrou que eles realmente acertaram em cheio nessa composição. Simples e com uma melodia extremamente cativante, é um dos momentos mais legais do show, sem ser piegas, é claro. Rodolfo volta a assumir os vocais, muito bem, diga-se de passagem, para mandarem ver com “Deixa Fudê”. Chama atenção não somente a mudança no som da banda, mas o aprimoramento e o cuidado técnico que a banda alcançou. Todos os membros cantam, além de hoje explorarem muito mais e melhor o que seus instrumentos têm a oferecer. O show da Cachorro Grande é riquíssimo, fina classe.

    “Dia Perfeito”, “Lunático” e “Sexperienced” formaram a trinca de clássicos para fechar o show. Claro que ainda tinha o bis. Mais um clássico, “Você Não Sabe o que Perdeu”, encerrou de vez a apresentação. Uma constatação importante depois de terminado o show: a Cachorro Grande tem clássicos suficientes para uma apresentação inteira, de uma hora e meia. Isso é um feito e tanto! E sim, eu poderia reclamar que ainda faltaram algumas três ou quatro que entrariam na lista das obrigatórias. Há poucos anos a gente estava vendo os caras nascerem, hoje tem repertório suficiente para garantirem um show de gente grande, de banda grande. Qual o segredo? Bom, a banda não revolucionou o rock, nem era essa a sua pretensão, só fazem muito bem feito o que quase ninguém faz: rock n’ roll como todos gostam, simples e eficiente, que sabe o que quer.

Por: Angelo Borba

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