Los Hermanos: Duas noites de celebração em Porto Alegre

Existem bandas que não são simplesmente bandas. Conseguem despertar em seus fãs enorme devoção e respeito, a ponto de, mesmo fora da mídia, das rádios e até do mercado, continuar alimentando uma crescente massa de admiradores. Um ótimo exemplo disso é o Los Hermanos, a banda que todos amam odiar, mas que continua lotando os locais por onde passa e emocionando uma massa heterogênea de fãs. Depois de um hiato de cinco anos, quebrado apenas por duas apresentações em 2009 ao lado de Kraftwerk e Radiohead e pelo show de 2010 no festival SWU, a banda anunciou uma turnê nacional, inicialmente com oito datas, e devido às sucessivas lotações, acabaram por se tornar 24. Entre elas, duas apresentações em Porto Alegre, no Pepsi On Stage. Como não poderia deixar de ser, casa cheia e muita emoção neste retorno da banda à capital dos gaúchos.Sábado, 12/05/2012, por Murilo Bittencourt

Eles voltaram!

Uma das bandas que marcaram a história da música no Brasil no final dos anos 90 está reunida e bem viva. A primeira noite com Los Hermanos no Pepsi On Stage foi um sucesso completo: casa lotada naquele frio sábado e um clima alegre e nostálgico no ar.

O show foi pontual. Às 23h apresentavam-se sobre o palco Rodrigo Barba (bateria), Bruno Medina (teclado), Marcelo Camelo (guitarra, baixo e voz) e Rodrigo Amarante (guitarra, baixo e voz). Para muitos, o show já havia começado. A reunião destes quatro caras tem um significado fortíssimo e a prova disso vinha em forma de intensos aplausos. Com sorrisos, Marcelo Camelo introduz "O Vencedor" e faz o chão do Pepsi On Stage, literalmente, tremer.  O público faz a sua parte do show pulando, gritando e cantando. Camelo faz questão de repetir o que ficou registrado no vídeo da música e deixa para os fãs as primeiras estrofes da canção, criando assim o primeiro de vários belos momentos daquela noite.

Rodrigo Amarante assume os vocais em "Retrato Pra Iaiá" e mantém o público eufórico. "Deixa ser como será, quando a gente se encontrar". O refrão toma conta do Pepsi On Stage.

Sem uma palavra dita ao público, que não cantada, Marcelo retoma os vocais em "Todo Carnaval Tem Seu Fim" e "Além do Que se Vê", mantendo, ainda na quarta música do espetáculo, a mesma energia da primeira. Há quem duvide do talento de seus músicos e da fidelidade dos seus fãs, mas ao se presenciar ao vivo o que o Los Hermanos tem a oferecer, todas as dúvidas caem por terra.

Resgatando a lembrança do álbum "4", Amarante interpreta "O Vento", seguindo com "Primeiro Andar"; Camelo faz a sua parte através de "Morena".  Ao fundo do palco, a malha de metal côncava serve de telão ao receber projeções do show em tempo real, acrescentando ainda mais ao espetáculo. Ainda dividem palco com o quarteto o baixista/guitarrista Gabriel Bubu e o naipe de sopros, que em muito contribui para o show, composto por Bubu (trumpete), Índio (saxofone barítono) e Mauro Zacharias (trombone).

Em "Um Par", Amarante volta a trazer a lembrança do álbum "Ventura" (talvez o mais aclamado pelo público), o qual foi responsável por maior parte do setlist da noite, com músicas como "Deixa o Verão", "De Onde Vem a Calma" e o hit "Cara Estranho".

Em sua turnê de reunião, a banda também tem feito questão de resgatar algumas boas composições de seu primeiro álbum (aquele que os impulsionou ao sucesso absoluto em 1999), como "Azedume" e "Descoberta", agregando ao show a energia do ska e hardcore, com uma bela interpretação de Marcelo Camelo.

Alimentando ainda mais a esperança de um novo álbum e da retomada da carreira do Los Hermanos, Rodrigo Amarante executa, praticamente sozinho, a novíssima e inédita "Um Milhão". Outro sucesso entre os fiéis fãs da banda, o álbum "Bloco do Eu Sozinho" também foi bastante representado por canções como, "Casa Pré-Fabricada", "Sentimental", a qual o público se mostrou super disposto a cantar e "A Flor", um dos grandes momentos da noite, trazendo o dueto entre Camelo e Amarante.

A banda faz menção de se retirar após a vigésima terceira música da noite: "Último Romance", uma das mais aguardadas, fechou a primeira parte do espetáculo, levando vários fãs às lágrimas.

Com as luzes apagadas, os gritos que chamavam pelos Hermanos de volta se intensificaram e a banda ressurgiu, em clima de festa, para retomar os instrumentos e dar seqüência ao bis que Marcelo Camelo apresentou: "Vamos tocar uma música que nunca tocamos", disse o cantor antes de iniciarem "Nunca Diga", do compositor gaúcho Frank Jorge.

Depois disso, o final do show virou uma verdadeira volta ao início da carreira, em um momento onde a banda executou apenas canções de seu primeiro álbum:

"Tenha Dó" levou os fãs do samba ao hardcore; "Anna Julia", longe de ter sido a música mais aplaudida entre os fãs, foi apenas um complemento; Em "Quem Sabe", Rodrigo Amarante levantou o público com uma atuação impecável, deixando os instrumentos de lado e dedicando-se somente ao microfone; Por fim, "Pierrot" trouxe novamente o clima de carnaval misto com o hardcore dos primórdios da banda, embalado por seus sopros e backing vocals enriquecedores.

Mais de uma hora e meia de show e quase trinta canções depois, a festa parecia estar somente começando. Para aqueles que se permitem quebrar a barreira do superficial, os Los Hermanos oferecem um espetáculo de rock, samba e MPB que parece jamais cansar.

 

Domingo, 13/05/2012, por Marcel Bittencourt

    O domingo reservava mais uma noite especial. Quase pontualmente a banda sobe ao palco, a exemplo do que acontecera na noite anterior, com “O Vencedor”. Logo na primeira canção muitos foram às lágrimas.  Sob iluminação clara e proporcionando um som excelente, a banda carioca levanta o público também com as canções seguintes,  “Retrato Pra Iaiá” e “Todo Carnaval Tem Seu Fim”, ambas do clássico álbum “Bloco do Eu Sozinho”.

    “Beleza pura?” pergunta Marcelo Camelo, dirigindo-se ao público pela primeira vez naquela noite. “A gente está muito feliz de estar aqui, mesmo! Obrigado!”, complemente Rodrigo Amarante, antes de “O Vento”, primeira canção da noite onde surgem projeções no que até ali era apenas um grande côncavo metálico ao fundo do palco. As estrelas iluminaram banda e público, fazendo referência ao contexto da letra. É importante, ainda, chamar a atenção para o excelente timbre dos instrumentos, especialmente as guitarras de Camelo e Amarante.

    Com Rodrigo Amarante no baixo, a banda emenda “Além Do Que Se Vê”, cantada a  plenos pulmões pelo público presente. Já em “Morena”, quem assume o baixo é Marcelo Camelo.

    O repertório da noite, bem recebido pelo público sem que se possa observar alguma exceção, emocionou de forma impar, tanto pela importância das canções na vida daquelas pessoas como pela importância histórica do momento, a reunião de uma banda que não tinha data marcada para fazer, novamente, uma turnê. Destaque para os clássicos absolutos “Um Par”, “Sentimental”, “A Flor” e “Cara Estranho”. As surpresas ficaram por conta da inédita “Um Milhão”, cantada por Rodrigo Amarante e que parte do público mostrou já conhecer a letra e de “Azedume”, resgatada do primeiro álbum, que catapultou a banda ao sucesso em 1999. Para encerrar, “O Ultimo Romance”, foi a cereja do bolo na segunda das duas noites memoráveis que comemoraram o reencontro do Los Hermanos com os fãs gaúchos.

    Se o espetáculo já estava de bom tamanho até ali, o público queria mais: “O Velho e o Moço” antecedeu uma quadra de sucessos do álbum de estréia: “Tenha Dó”, “Anna Julia” (que provou que um sucesso pop é sempre bem vindo, mesmo para o público do Los Hermanos), “Quem Sabe” e “Pierrot”.  Fechando os mais de 90 minutos de show, a banda se despede, sem perspectiva de retornar, mas deixando acesa no coração de seus fãs a esperança de que este retorno aconteça. E que seja em breve.

 

SET LIST  – SÁBADO – 12/05:

 

O Vencedor

Retrato Pra Iaiá

Todo Carnaval Tem Seu Fim

Além do que se Vê

O Vento

Primeiro Andar

Morena

Um Par

Do Sétimo Andar

Azedume

Descoberta

Sentimental

A Flor

Cara Estranho

Condicional

Deixa o Verão

De Onde Vem a Calma

A Outra

Um Milhão

Casa Pré-Fabricada

O Velho e o Moço

Conversa de Botas Batidas

Último Romance

 

Bis:

Nunca Diga

Tenha Dó

Anna Julia

Quem Sabe

Pierrot

   

 

SET LIST  – DOMINGO – 13/05:

 

O Vencedor

Retrato Pra Iaiá

Todo Carnaval Tem Seu Fim

Além do que se Vê

O Vento

Primeiro Andar

Morena

Um Par

Do Sétimo Andar

Azedume

Descoberta

Sentimental

A Flor

Cara Estranho

Condicional

Deixa o Verão

De Onde Vem a Calma

A Outra

Um Milhão

Casa Pré-Fabricada

O Velho e o Moço

Conversa de Botas Batidas

Último Romance

 

Bis:

Nunca Diga

Tenha Dó

Anna Julia

Quem Sabe

Pierrot

 

Fotos: Fabiana Menine

   

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