Noite Senhor F: Gru, Vaness e Visconde.

Fria noite de domingo e o Opinião abre as portas, mais uma vez, para a nova música que sendo produzida na cena underground: o já consolidado projeto Noite Senhor F, idealizado e produzido por Fernando Rosa (o Senhor F), Brisa Daitx e Gabriel Souza (Opinião), recebeu no último final de semana Gru e Vaness, duas cantoras que vem recebendo alguma atenção de público e crítica, além de um dos projetos paralelos de Lucas Silveira, conhecido do grande público por seu trabalho como frontman da Fresno. Um excelente público, de mais de 800 pessoas, encheu a pista do Opinião para prestigiar ou mesmo para conhecer um pouco do trabalho destes artistas.     Como é de praxe, às 21h, Vaness abre os trabalhos para um público ainda pequeno. Munida de seu violão e acompanhada por seu descobridor, o guitarrista Léo Henkin(Papas da Língua), além dos já conhecidos da cena gaúcha Rodrigo Pilla (violão, atual guitarrista da Bidê ou Balde) e Celau Moreira, (Violoncelista da OSPA) a cantora apresentou material autoral em dois idiomas (inglês e português). Seu estilo remete a algumas cantoras consagradas como Melissa Etheridge, Meredith Brooks e os primeiros trabalhos da cantora Jewel. Dona de uma voz bela e afinadíssima, Vaness fez apresentação competente e agradeceu, muito, o público presente. Uma pena que um talento desse calibre ainda não seja conhecido do grande público. Destaque para as excelentes “I Don’t Belong Here” e “Outono”.

    Na sequencia, às 22h, Gru, ou Gabi Lima, foi quem subiu ao palco do Opinião. Conhecida do público por sua abertura recente para os Hanson, Gru, que está gravando seu álbum no estúdio do guitarrista John, do Pato Fu, contou com a participação do músico e produtor durante sua apresentação na Noite Senhor F. A cantora e multi-instrumentista oriunda de Pelotas mostrou seu material totalmente em inglês e também deixou clara a qualidade de sua música pop tipo exportação.

    Mas a atração mais conhecida (ou menos desconhecida) do grande público ainda estava por vir: famoso por seu trabalho com uma das maiores bandas do Brasil na atualidade, a Fresno, Lucas Silveira trouxe a Porto Alegre pela primeira vez o Visconde, projeto paralelo de roupagem minimalista, baseado principalmente em piano, teclados e sintetizadores, além dos vocais. Com uma temática que domina bem, os relacionamentos acabados, Lucas emocionou o público que veio conhecer esta outra faceta do artista.

    A apresentação começa com “Penny”, canção melancólica que emocionou o público que compareceu para prestigiar o Visconde. Na seqüência, “Quando Crescer”, da Fresno, levanta o público que cantou a canção do início ao fim. A empatia e o contato direto entre público e artista que se viu logo nas primeiras canções foi a tônica da apresentação. Músicas descartadas do repertório da Fresno ou mesmo canções que a banda não executa ao vivo há muito tempo foram interpretadas por Lucas, sozinho, frente a frente com seu público. Canções como “Teu Semblante”, “Se Um Dia Eu Não Acordar” e “Seis” foram destaque no repertório Viscondeano. As surpresas ficaram por conta de duas homenagens nas versões de “Golden Slumbers”, dos Beatles, e do “Canto Alegretense”, dos Fagundes.

    Visivelmente feliz pelo significado da apresentação (que caracterizava claramente sua mais genuína expressão artística, totalmente sincera e livre), Lucas conversou muito com o público. “Essas músicas todas aqui, do Visconde, são músicas que em algum momento alguém disse que não eram boas, ou que eram palha… e hoje vocês estão aqui, provando que essas músicas não são ruins. Então, eu posso afirmar que o Visconde só existe por causa… dos filhos da puta”, afirmou Lucas, arrancando risos.

    O encerramento ficou por conta de “Stonehenge” e “Sono Profundo”, com Lucas ao violão, cantando menos que seu público. Com quase duas horas de show, o artista se despede, deixando seu jovem público plenamente satisfeito.

O último domingo foi mais do que especial. A Noite Senhor F, conhecida por ser um projeto predominantemente Rock, apresentou três artistas que destoam dessa tonalidade apresentando um conteúdo diferenciado, bem produzido e de muita qualidade. Quem foi, voltou para casa com a sensação nítida de que existe, sim, muita coisa boa sendo feita na música brasileira atualmente, mesmo que longe dos holofotes das TVs ou dos playlists duvidosos das grandes rádios comerciais.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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1 Comment

  1. Priscilla Kinast

    Bah, melhor show da minha vida o Visconde. Maravilhoso, quem disse que essas músicas não eram boas, bem provavelmente não tem coração!

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