Titãs: show histórico na turnê comemorativa do clássico álbum “Cabeça Dinossauro”

Alguém, não sei quem (mas de alguma banda meio falida, ou tentando ajudar uma), teve a grande idéia de fazer uma turnê comemorativa a um clássico disco de sua discografia. Deu certo. Várias bandas em situações parecidas copiaram a estratégia e saíram fazendo turnês comemorativas para seus clássicos trabalhos. Os Titãs podem, tranquilamente, fazer algumas comemorações destas, pois álbuns marcantes não faltam na carreira da banda. O escolhido foi “Cabeça Dinossauro”, de 1986. Seria excelente ver um show baseado em “O Blesq Blom”, de 1989, ou então pautado por “Titanomaquia”, de 1993, o trabalho da fase grunge da banda, mas isso não importa. De fato, “Cabeça Dinossauro” é um grande feito e um marco indiscutível na história do rock nacional. Estava valendo.    Logo na chegada ao ao Pepsi on Stage (já eram onze e meia da noite de quarta), mal entro na casa e já escuto vaias. Não fosse minha auto-estima, teria jurado que eram pra mim. Passam mais dez minutos e mais vaias. Não eram generalizadas, mas eram bem audíveis. Pergunto pra moça ao lado se tinha ocorrido algo de especial, ela me responde que o show estava marcado para as onze horas. Já tinha meia hora de atraso. Pensei: certo, mas não sabia que agora vaiavam por isso. Onze e quarenta e cinco, o locutor avisa nos alto falantes: “Dentro de poucos instantes, a maior banda de rock brasileira! Titãs!”. Aplausos… e vaias. A banda sobe ao palco de baixo de aplausos, mornos, mas sem vaias. Enfim o consumidor recebia o seu produto, cabia a ele agora desfrutá-lo.

    Iniciam, como era de se esperar, com a poderosa intro “Cabeça Dinossauro”. Começam a conquistar o público com a empolgada “AA UU”. “Igreja”, seguida de “Polícia”, também são bem acolhidas e esquentam a platéia. Aliás, os Titãs enfrentavam um público que amargava a espera num frio de poucos graus, na noite mais fria do ano até ali. Mesmo sendo um show parcialmente temático, grande parte do público não ligava muito para esse detalhe, e queria mesmo ouvir os hits, como em qualquer show comum de uma banda cheia deles. Após o última música do disco homenageado, a clássica “O Que”, a banda se ausenta por alguns momentos para começar, então, a segunda parte do show.

    Paulo Miklos assume o microfone e enfrenta o público: “Do que é que vocês estão rindo? O que é que vocês estão olhando?” Quem não conhecia “A verdadeira Mary Popins”, talvez tenha estranhado um pouco até perceber que se tratava de um trecho de uma música. Das composições mais recentes tocam apenas “Amor por Dinheiro”, que segue na linha mais rockeira do show (apesar de ser uma composição fraca). Depois emendam somente clássicas: “Nem Sempre Se Pode Ser Deus”, “Diversão”, “Televisão” e “O Pulso”. Público já ganho. Faltavam várias. “Epitáfio”, e a versão de “É Preciso Saber Viver”, ainda não tinham sido tocadas.

    Surpreendem mostrando uma composição inédita: “Fala, Renata”, que preocupa o ouvinte que está esperando algo de qualidade para o próximo disco dos quatro remanescentes titânicos. Para o bis as certeiras “Flores” e “Sonífera ilha” encerraram a apresentação.

    No fim da festa, conseguem fazer a alegria de dois públicos diferentes (o fantasma de todas as bandas dos anos 80). O que “está pelos sucessos” saiu satisfeito, pela enorme quantidade de hits, e o que ainda tem esperança que algo de inesperado saia da onde já não se espera muito, também saiu satisfeito por ouvir pérolas como “Igreja” e “Porrada”, e por ter ouvido versos como: “[…] bonificações para os bancários, congratulações para os banqueiros” e  “[…] meu salário desvalorizou, dívidas, juros, dividendos. Credores, credores, credores… Senhores, fiquem longe de mim” (tudo isso, e mais algumas que ficaria chato se me alongasse), em um evento promovido por um banco. Mas a ironia maior talvez seja perceber que show de rock n’ roll com público mais jovem (sim, pode ser adolescente), é bem mais bacana que público nostálgico de meia idade. O problema é que ao show dos Titãs, somente esse público comparece. Seria somente esse o público da banda? Receio que sim.

Por: Angelo Borba

Fotos: Fabiana Menine

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