Matanza traz a turnê “Odiosa Natureza Humana” a Porto Alegre

Noite de domingo em Porto Alegre e a cidade recebe pela segunda vez no ano o show da turnê “Odiosa Natureza Humana”, mais recente trabalho da banda carioca Matanza. Liderados pelo “gigante irlandês” Jimmy London, a banda formada ainda pelo baixista China, o guitarrista Mauricio Nogueira e o baterista Jonas, apresentou um repertório repleto de clássicos para ninguém botar defeito.
    A noite começou  com duas atrações locais que ficaram responsáveis pela abertura dos trabalhos: Zerodoze e Balde de Sangue Country Bar. Habituada a enfrentar e convencer o público difícil de agradar do Matanza, a Zerodoze subiu ao palco pouco antes das 20h30. A exemplo do que aconteceu nas outras duas vezes em que a banda assumiu essa função, agradaram com sua firmeza, presença de palco e, principalmente, qualidade. O trio fez apresentação fortíssima e ganhou o público com excelentes composições próprias e uma trinca de covers bastante inusitada: Metallica (Holier than Thou), Black Sabbath (Children of the Grave) e Rage Against The Machine (Killing in the Name). Simplesmente destruidor o show da Zerodoze, uma das melhores bandas independentes do Rio Grande do Sul.
    Já a Balde de Sangue Country Bar não teve a mesma sorte. Com influência pesada do Matanza, seja nas composições, na temática ou até mesmo nos discursos de seu vocalista, a banda soa mal (não era possível ouvi-la com nitidez) e comete erros básicos como provocar o duro público do Matanza, ao defini-los como “muito paradinhos”. Foi o que bastou para que a banda ganhasse a antipatia da platéia, que começou a clamar pela banda de fundo. Destaque para “Jesse Joe e o Tiroteio”.
    Pouco depois das 22h30 o Matanza entra em cena com a tradicional introdução instrumental. Somente ao fim do tema entra em cena Jimmy, com o semblante fechado e carrancudo pelo qual é conhecido. “Remédios Demais”, música que abre o álbum “Odiosa Natureza Humana” é a escolhida para dar o pontapé inicial à apresentação. Na seqüência, a pesadíssima “Ressaca Sem Fim”
    “Eu não tenho nada mais justo, e nada mais relevante a dizer do que: PUTAQUEPARIUPORTOALEGREEEEEEEEEEEEEEEE!!!!”, bradou Jimmy antes de “Meio Psicopata”. A quebradeira estava oficialmente aberta no Opinião.
    Os tradicionais discursos de Jimmy London, como não poderia deixar de ser, permearam a apresentação como a divertida brincadeira com a camiseta da Marka Diabo que continha a inscrição “Clube dos Canalhas” (Jimmy disse que ia compor uma música de improviso de acordo com o que estivesse escrito na camiseta) ou ainda o espaço para que o público escolhesse qualquer música do Matanza “desde que fosse Mesa de Saloon”.
    Todos os trabalhos autorais do Matanza foram lembrados no repertório, extremamente bem recebido com picos de reação do público nos clássicos “Bom é Quando Faz Mal”, “Pé Na Porta, Soco Na Cara” e “Ela Roubou meu Caminhão”. A ausência sentida ficou por conta dos também tradicionais covers de Johnny Cash, que ficaram de fora da apresentação de domingo.
    Durante quase duas horas de show (quase o dobro do tempo da primeira apresentação do Matanza no Opinião, em 2006), o Matanza se mostra uma das bandas com maior e mais sólida base de fãs no cenário Rock nacional. Após mais uma apresentação impecável, aconteceu o que já virou regra: a banda volta para o bis com “Taberneira Traga o Gim”.  “Vocês sabem que bis, só em Porto Alegre”, agradece o vocalista Jimmy London antes de a banda de despedir dos gaúchos, fechando mais uma ótima apresentação do Matanza.
    Que venha o próximo.

Por: Marcel Bittencourt

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