Nosso metal em alta – Distraught e Hibria no Beco

       

       Dizem por aí que o rock gaúcho – aquele mais massificado, com certo apelo pop – carece de um grande expoente no momento. Já o cenário mais ‘casca grossa’ do estilo, por sorte – ou por mérito próprio -, parece não padecer do mesmo mal. Recentemente, dois dos grandes nomes da música pesada feita nestes pagos colocaram na rua novos trabalhos. Os thrashers da Distraught pariram The Human Negligence Is Repugnant, um verdadeiro soco na moleira. Já a Hibria, quinteto que aposta, com maestria, num heavy metal mais tradicional (speed metal, vá lá), tirou do forno o DVD Blinded by Tokyo – Live in Japan. O registro, como o nome sugere, foi gravado ao vivo na terra do sol nascente, onde os gaúchos fazem um sucesso quase inacreditável.

        Para lançar oficialmente suas obras mais recentes, os dois grupos, amigos de longa data, promoveram um show em conjunto no Beco, no dia 21 de junho. E unir forças mostrou-se uma boa iniciativa. Afinal, além de divulgar a qualidade do metal produzido nos pampas, conseguiu juntar mais gente do que em outros eventos do gênero que contam até com atrações internacionais.

        Quem deu início ao apocalipse sonoro foi a Distraught. O evento estava marcado para às 22h, mas a primeira banda só começou por volta das 23h50min. Conforme explicou o vocalista André Meyer, o atraso rolou por conta de uma outra atividade que ocorria paralelamente na casa e que precisava ser encerrada antes do Deus Metal abençoar o lugar por meio da música. A sequência de abertura veio com três pataços do novo disco: ‘Borderline’, ‘Psycho Terror Class’ e a bonitaça ‘Justice Done by Bretrayers’.

        Em seguida André agradeceu ao público e destacou a camaradagem com os brothers com os quais dividiram a noite:

        – Somos irmãos, até nos fodemos juntos – ironizou o vocalista sobre as roubadas em que as bandas acabam entrando vez ou outra.

        Depois, vieram alguns petardos do álbum anterior Unnatural Display of Art (2009), como ‘Cradle of Violence’ e ‘Your God Is Dead ‘- com direito a André exibindo um a camiseta com o título da faixa. Na sequência, a composição que batiza o novo registro ‘The Human Negligence Is Repugnant’. Um belo nome e um refrão muito bem colocado nessa faixa-título, ressalte-se! A canção foi dedicada a Thiago Obregon, frequentador assíduo de shows de metal e conhecido da banda que morreu em um acidente de carro há pouco tempo. Teve ainda ‘Lords of Corruption’, ‘Infect’ e ‘Insane Corporation’, também do novo material. Em ‘Helllucination’, André comandou um modesto wall of death entre a plateia. Uma apresentação redondinha, coesa e brutal do time que, além de André, é formado pelos excelentes músicos Ricardo Silveira (guitarra), Marcos Machado (guitarra), Nelson Casagrande (baixo) e Dio (bateria).   

        Talvez pelo adiantado da hora, alguns presentes foram embora logo após a devastação musical que a Distraught causou. Por volta de 1h35min, a Hibria entrou em ação. De cara, o quinteto lascou três sons do até então mais recente trabalho de estúdio, Blind Ride, lançado em 2011. Foram eles: ‘Nonconforming Minds’, ‘Shoot me Down’ e ‘Welcome to the Horror Show’. Bem à vontade no palco, o conjunto de heavy metal gaúcho ganhou o público, que teve uma boa reação desde o começo da apresentação. Além de ser o show oficial de lançamento na Capital do DVD gravado em Tóquio, a Hibria também fez a estreia de um novo integrante, o guitarrista Renato Osório (das bandas Magician e Scelerata). Ele assumiu o posto de Diego kasper nas seis cordas. As novidades não pararam por aí: teve ainda a execução de uma música nova, chamada ‘Lonely Ride’.

        O baile metaleiro seguiu com a consagrada ‘Steel Lord on Wheels’ – faixa que abre o disco Defying the Rules (2005) -, uma das mais festejadas pela plateia. Outra surpresa da apresentação ficou por conta do cover que a Hibria fez para ‘Cowboys From Hell’, clássico do Pantera. Segundo o vocalista Iuri Sanson, o grupo do finado guitarrista Dimebag Darrel tem influenciado muito os gaúchos ultimamente.

        Show sucinto e direto, com apenas 12 músicas. Porém, suficiente para atestar que o sucesso da banda – que tem ainda em sua formação Abel Camargo (guitarra), Benhur Lima (baixo) e Eduardo Baldo (bateria) – fora do território nacional não é por acaso. Hail!

Por: Homero Pivotto Jr.

Related posts

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *