Dream Theater: Divulgando seu novo álbum, “A Dramatic Turn of Events”

Faz muito frio em Agosto no Rio Grande do Sul, mas em uma noite atípica de calor na capital, um bom público (em grande parte formada por músicos ou aspirantes a tal), foi ao Pepsi On Stage para presenciar um espetáculo de técnica em meio a composições de banda estadunidense.

    Com alguns minutos de atraso, os PA´s do local começam a tocar a intro “Dream is Collapsing” e logo em seguida, Jordan Rudess (teclados), John Myung (baixo), John Petrucci (guitarra), Mike Mangini (bateria) e James LaBrie (vocal) sobem ao palco para começar a noite com “Bridges in the Sky”, do seu último álbum. A recepção não poderia ter sido melhor. O Dream Theater tem um público fiel e às vezes fanático. Pela altíssima qualidade técnica que a banda apresenta, os centenas de bateristas, baixistas, guitarristas e todo tipo de músicos presentes prestavam atenção a todo e qualquer detalhe que acontecia em cima do palco, enquanto a banda, por sua vez, não decepcionava.

    A faixa “These Walls”, do disco “Octavarium” segue a apresentação e logo após “Build Me Up, Break Me Down”, do mais novo trabalho. Já era sabido que boa parte do setlist seria do albúm de 2011, mas a banda conseguiu entre as novas músicas, encaixar trabalhos dos mais de 20 anos de estrada. Isso ficou claro quando “Caught in a Web”, de 1994 chegou aos ouvidos dos presentes.

    O novo disco se mostra muito bem recebido ao vivo. Com uma técnica apurada, apesar da acústica duvidável do local a banda reproduz no palco com exatidão o que se ouve no CD, e o público responde bem a “This is the Life” e “Lost Not Forgotten”. A esta altura do show, as expectativas sobre o novo baterista já tinham sido sanadas. Mike assumiu com muita competência o lugar de outro Mike (Portnoy), que deixou a banda em 2010. Visivelmente feliz e empolgado com que fazia, Mangini comandou a cozinha de tamanho absurdo no meio do palco com um ar tranquilo para quem estava assumindo um posto tão complicado. E para mostrar isso, Mike faz seu solo para e mostra o porquê de ter sido o escolhido para essa difícil missão. Logo após, a banda volta para 1989, no seu álbum de estréia, “When Dream and Day Unite”, para buscar “A Fortune in Lies”, música rápida e pesada, e onde LaBrie prova que sua voz mantém o brilho de 20 anos atrás. A banda sai de palco momentaneamente para deixar Rudess e LaBrie apresentarem um dos grandes momentos do show. Sentado ao lado do teclado, James anuncia “Wait for Sleep”, do aclamado álbum “Images and Words”. Interpretação única e emocionante.

    De volta a 2011, “Far from Heaven” manteve o clima intimista e preparou o público para a “Outcry”, composição complexa e com um solo que passa tanto pela guitarra quanto pelos teclados de maneira surreal, mostrando a razão de a banda ser tão aclamada por sua técnica. E falando em técnica, Jordan Rudess fica sozinho no palco com seu teclado com base giratória para mostar um pouco do que é capaz em seus minutos de solos inspiradíssimos. Mas é com outra do “Imagens and Words” que os músicos conquistam a platéia de uma vez por todas: “Surrounded” acerta em cheio e faz com que quem já tinha perdido o fôlego achasse forças para cantar. Mais um grande momento do show.

    A divulgação do novo disco continua em “On The Back of Angels” e do “Six Degrees of Inner Turbulence”, de 2002, vem a dupla “War Inside My Head” e “The Test that Stumped Them All”, até que chega a vez de John Petrucci ter seu momento. Com uma base de teclados provida por Rudess, Petrucci demostra a intimidade que tem com a guitarra em um solo que misturam técnica, virtuosismo e criatividade. Quando LaBrie volta ao palco e esbanja elogios ao guitarista.

Logo em seguida começa a cantar “Spirit Carries On”, uma das músicas mais bonitas da banda, que respondeu pelo auge da noite em matéria de emoção. Um momento inesquecível para que estava presente.

    Para encerrar, a música mais longa do último álbum, “Breaking All Illusions” encerra a noite com chave de ouro. Mas ainda faltava o bis, e a platéia estava dividida gritando por  “Metropolis Pt. 1” e “Pull Me Under”. Mas poucos minutos depois, já no primeiro acorde a dúvida foi resolvida. “Pull Me Under” arranca forças de quem já estava ali, já havia duas horas e meia em pé e faz com que o Pepsi on Stage estremeça. Ninguém ficou triste com a escolha.

    O Dream Theater mostrou mais uma vez que é um dos maiores nomes do Metal Progressivo e não perdeu sua inspiração nos anos de carreira que tem nas costas. Uma verdadeira aula de música, técnica e bom gosto. Da produção de palco ao setlist, uma experiência única que deve ser vivida por todos que apreciam música de qualidade.

 

1 – Dream os Collapsing

2 – These Wall

3 – Build Me Up, Break Me Down

4 – Caught in a Web

5 – This is the Life

6 – Lost Not Forgotten

7 – A Fortune in Lies

8 – Wait for Sleep

9 – Far from Heaven

10 – Outcry

11 – Surrounded

12 – On the Back of Angels

13 – War Inside My Head

14 – The Test That Stumped Them All

15 – The Spirit Carries On

16 – Breaking All Illusions

17 – Pull Me Under

 

Por: Carlos Porto

Fotos: Karina Kohl

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