Noite Senhor F: Distraught, Leviaethan e Krisiun

O já clássico projeto Noite Senhor F trouxe ao Opinião, neste último domingo de agosto, sua primeira edição totalmente Heavy Metal. Distraught, Leviaethan e Krisiun formaram o cast da noite, bandas que, além de amigas, existem há mais de 20 anos.      Com um considerável atraso em relação ao horário marcado, sobe ao palco a Distraught. A banda lançou há pouco seu mais recente álbum, a porrada sonora “The Human Negligence is Repugnant”. Para continuar a divulgação desse aos já fãs e aos futuros, o set se baseou quase que totalmente nas músicas novas. Abrindo com “Borderline”, nota-se o quanto a banda evoluiu ao longo dos anos, musical e profissionalmente. Composições modernas e bem executadas como “Psycho Terror Class”, “Justice Done By Betrayers” e “My God Is My War” foram pontos altos do show. Porém, antigos clássicos não podem faltar. Eis que tocaram “Hellucinations” e “The Order” para a felicidade dos que acompanham a trajetória da banda há mais tempo.

Um rápida troca de palco e começou o show da Leviaethan. Banda formada em 1983, conta ainda com seu frontman Flávio Soares. Figura carimbada da cena Metal do RS, este esbanja atitude e carisma ao tocar suas 4 cordas. Relançando seu primeiro álbum (Smile, de 1990), músicas como “Echoes From The Past”, “A.I.D.S”. e “Pilgrimage To Insanity” ganharam uma nova roupagem ao vivo, com ainda mais peso que as originais. Outras, ainda inéditas, como “Drugslave” e “Hell is Here”, mostraram ao público que, mesmo depois de passados muitos anos, o quarteto ainda tem energia de sobra para compor Thrash Metal de qualidade.

A grande atração da noite, sem dúvida, foi o Krisiun. Banda reconhecidíssima no cenário Metal internacional, de tempos em tempos volta à terra natal para deleite de seus fãs, que tomaram conta da pista para conferir o show da turnê do seu mais recente disco, “The Great Execution”. A tríade “Ominous, Combustion”, “Inferno” e “The Will to Potency” foram a introdução da avalanche do power trio, que ao longo de todo o show, agradeciam a fidelidade do público gaúcho e o orgulho de serem do sul, ao mesmo tempo que desciam a lenha sem dó com os já classicos, “Vicious Wrath” e “Ravager”, na velocidade e técnica que caracterizam o Krisiun. Tal orgulho regionalista ocorreu principalmente no momento em que Marcelo Caminha, um ícone da música tradicionalista gaúcha, sobe ao palco para tocar a música “Minotauro” junto à banda, no ápice da apresentação. Logo após, em um total improviso, uma bandeira do Rio Grande do Sul é exibida e o hino rio-grandense é tocado por Marcelo e cantado em uníssono pelo público, emocionando tanto a banda, quanto os presentes. O massacre segue com “Blood of Lions”, “Bloodcraft” e é finalizado com o maior clássico da banda, “Black Force Domain”.

Ao terminar a noite ficaram algumas impressões. Além do atraso, a falta de informação também foi um problema: foi divulgado a entrega de um CD da Leviaethan para quem comprasse o ingresso. Apenas os mais ligados puderam ler o aviso colado ao lado da bilheteria, explicando um problema com a distribuidora e postergando a entrega do mesmo, mas como o bilhete era direcionado à banda, os fãs não foram informados de como, quando e onde poderão retirar este CD brinde. De positivo ficam os fãs, que compareceram em apoio ao cenário musical gaúcho, as bandas, mostrando a amizade entre elas e que a idade não influencia na qualidade sonora e a organização do evento, ao se dispor fazer uma noite dedicada ao Metal que, espera-se, não tenha sido a primeira e única.

Por: Gabriela Lando

Fotos: Karina Kohl

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