Pato Fu: música de brinquedo, espetáculo de verdade

Mesmo estando há dois anos na estrada, o espetáculo "Música de Brinquedo", apresentado pelos mineiros do Pato Fu, enche a casa em seu retorno a Porto Alegre, no mesmo local: o Teatro do Bourbon Country. Com duas apresentações no mesmo dia (uma ao fim da tarde e outra à noite), a banda trouxe às cadeiras do teatro pais, mães e filhos, reunidos para apreciar um show que agrada a crianças e adultos.
 
"Música de Brinquedo", como revela claramente o título do álbum e do espetáculo, é o trabalho que envolve toda a ousadia e também a criatividade do Pato Fu, que rearranja canções emblemáticas com instrumentos de brinquedo (ou miniaturas de instrumentos musicais), de maneira a adentrar o universo infantil.
"Primavera" abre o show, em uma versão brevíssima. O palco ganha vida com os músicos, as luzes, os instrumentos, a decoração e até dois monstros (Ziglo e Groco) que acompanham a banda em danças e backing vocals.
 
O repertório do show segue o álbum e, consequentemente, a ideia inicial do Pato Fu: dar uma nova roupagem a canções já conhecidas pelo público, sem a inclusão de canções inéditas. Clássicos como "Rock 'n' Roll Lullaby" ganham simpáticas e originais versões nesta "brincadeira" proporcionada pela banda, que não enxerga fronteiras na escolha do set list: de Titãs a Paul McCartney, de Roberto Carlos a Queen, a boa música está presente em todo o tempo.
 
"Eu", canção do gaúcho Frank Jorge, gravada pelo Pato Fu em 2001, no álbum "Ruído Rosa", ganha também uma versão de brinquedo. Fernanda Takai substitui o theremin, instrumento utilizado originalmente pela banda para produzir os estranhos ruídos iniciais por…Uma caveirinha! A vocalista logo explica que a ideia foi trazida primeiramente por Thiago, membro da banda nesta turnê. Um chaveiro de fantasma emitia o som que a banda procurava. Logo mais, o fantasma foi substituído pela caveira.
 
Em "Frevo Mulher" John Ulhoa deixa de lado as mini guitarras e apresenta um instrumento novo: o "drawdio", que é feito com circuitos eletrônicos através de um lápis. Utilizando-se da condutividade do grafite, é possível tirar sons pouco comuns. É nesta canção também que Groco (o monstro roxo) toca zabumba. 
 
Há no palco uma variedade de instrumentos: teclados de brinquedo, miniaturas de instrumentos tradicionais, chocalhos, reco-recos, xilofones e até brinquedos que emitem sons, sem o propósito de fazer música. 
John aproveita: "existe um risco em fazer um show desse tipo…A pilha do brinquedo pode acabar ou uma peça pode sair do lugar". E de fato, momentos em que a instabilidade dos brinquedos vêm à tona são perceptíveis (o que torna o show ainda mais divertido).
 
Com "Todos Estão Loucos", John conta que esta é uma tentativa de tirar o Pato Fu do posto de "banda mais sem swing do país…um posto vergonhoso". 
Uma referência ao eterno beatle Paul McCartney é feita em "Live and Let Die", na qual Fernanda atira confetes e serpentinas em direção à plateia com uma bazuca de brinquedo, nos tempos exatos das explosões da canção original.
Em "Ska", dos Paralamas do Sucesso, John volta a falar com o público, desta vez apresentando o kazoo – pequeno instrumento de sopro que a banda comercializa junto ao merchandising da turnê. Demonstrando o som agudo e estridente do kazoo, John sugere: "Imagine um desses na mão da sua criança". E acrescenta: "…Aliás, se você tiver duas crianças, jamais compre dois. Compre um. Deixe as crianças brigarem se for preciso", causando risos dos pais. 
 
Sucessos do próprio Pato Fu também estão presentes no show: "Simplicidade", "Perdendo Dentes" e "Sobre o Tempo" mostram que a banda mantém firme uma base de fãs por conta de seus trabalhos anteriores.
Nestas canções, Alexandre deixa a "bateria mais resistente do mundo" (instrumento que não é poupado, apesar de seu tamanho reduzido) para tocar pogobol (!) e mais tarde um joão bobo gigante, que faz parte da decoração de palco.
 
No bis, Fernanda Takai introduz "Love Me Tender" em um realejo, mas um pequeno problema técnico faz com que a vocalista tenha de parar e enrolar novamente o cartão do instrumento. Com bom humor ela explica: "eu não faço isso sempre". O clássico de Elvis soa quase como uma canção de ninar em sua versão de brinquedo.
 
Finalizando o show, a banda inicia "Bohemian Rhapsody", mas sob as queixas de Groco, logo pára. O monstro pede para que a parte triste seja deixada de lado. John aceita e logo a banda entra na "parte metal" deste clássico do Queen, encerrando a primeira apresentação no Teatro do Bourbon Country. Sob aplausos, a banda reunida e de pé agradece o público, acompanhada também pelos membros do Giramundo, responsáveis pelos bonecos.
 
 
Um show de inovação e originalidade, unindo a música bem feita à alegria e à inocência da infância. Altamente recomendável, não importa a sua idade.
 
 
 
Set List:
 
Primavera
Sonífera Ilha
Rock and Roll Lullaby
Eu 
Frevo Mulher 
Ovelha Negra 
Todos Estão Surdos 
Simplicidade
Live and Let Die 
Pelo Interfone
Twiggy Twiggy 
Perdendo Dentes 
My Girl
Ska 
Sobre o Tempo 
 
Bis:
Love Me Tender 
Bohemian Rhapsody
 
Por: Murilo Bittencourt
Fotos: Felipe Dalla Vale
 

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