Entrevista: Marcelo Nova

No próximo dia 05 de Outubro acontece o Showrasco da Cartel, noite que contará com Marcelo Nova , Cartel da Cevada, Cordas e Cordeonas e Pata de Elefante.  Marcelo, uma das figuras mais emblemáticas e interessantes do que chamam “Rock Nacional” dedicou meia hora a uma entrevista bastante divertida, concedida com exclusividade para o POA Show.

 POA Show – Você vem a Porto Alegre divulgando seu CD/DVD e Blue Ray “Hoje no Bolshoi”. Como surgiu esse material e por que a escolha do Bolshoi, em Goiânia, sendo que você é baiano, mora em São Paulo?

Marcelo Nova – Talvez por isso mesmo, porque eu sou baiano, moro em São Paulo, já gravei em Santos… Eu moro no Brasil e é por ele que eu me locomovo. Não tenho a preocupação de fazer meus trabalhos em São Paulo ou no Rio de Janeiro, que é o que normalmente acontece. No caso do Bolshoi eu já havia tocado lá algumas vezes. Eu tenho recorde de público da casa, o próprio Rodrigo (proprietário da casa) testemunha isso nos extras do Blue Ray. Então o Rodrigo me fez esse convite de fazer um show e gravá-lo. Eu achei que era uma ideia interessante e assim foi. O resultado é que extraímos dele um CD duplo, um DVD e um Blue Ray.

POA Show – Em uma das passagens por Porto Alegre (a última do Camisa, no Opinião), você se referiu a Porto Alegre como a “Califórnia” do Camisa de Vênus. Explica isso pra gente.

Marcelo Nova – Quantos anos você tem?

POA Show – 30. (N. do R: idade do entrevistador, Marcel Bittencourt)

Marcelo Nova – Então você corre o risco de ser meu filho. Porque eu fiz um estrago aí em Porto Alegre… (risos) Até prova de DNA em contrário (risos). É por isso que a gente falou aquilo lá no show, sobre a Califórnia. Porto Alegre nos recebeu muito bem e de uma maneira inusitada. A gente tocava uma, duas, três mil pessoas, era o começo da carreira do Camisa, tínhamos gravado apenas um disco e a gente foi pra aí tocar no Araújo Viana para sete mil pessoas, seis meses depois tocamos no Gigantinho para 16 mil pessoas, o que foi o maior público do ano em Porto Alegre em um ano onde tocaram Roberto Carlos e Van Halen. Foi interessante isso, pra nós foi uma surpresa total o número de pessoas daí que se mostravam interessadas no que nós estávamos fazendo. E criamos uma relação, evidentemente, de afinidade porque era o oposto. Nós vinhamos de uma terra quente, todo mundo queimado de sol e encontramos uma terra fria, com mulheres brancas de olhos cinza e azuis, lindas… Então ficamos todos fascinados com a ideia de que poderíamos passar temporadas em Porto Alegre, então fomos e voltamos várias vezes. E todas as vezes que aí vou me divirto, gosto, inclusive estava falando com o pessoal da organização do evento que já estava com saudades. Tenho ido ao interior, em cidades da serra, mas não calhou de ir pra minha cidade favorita no Brasil.

POA Show – Você se apresenta aqui no Showrasco da Cartel, com Cartel da Cevada, Cordas e Cordeonas e Pata de Elefante. Você conhece algo da cena gaúcha além da Bidê ou Balde, com quem você gravou uma versão de “Hoje”?

Marcelo Nova – Na verdade não. Não conheço mas acho interessante que tenha bandas mais jovens participando dos eventos que eu faço. Eu não entendo essa estagnação de Rock como uma coisa definitiva. Eu tenho a impressão que entre cada 10, 15, 20 bandas pelo menos uma ou duas tem algo realmente interessante a dizer. Quantitativamente as coisas tendem a ser um desapontamento. Quando você analisa por tendência ou por modismo, a maioria é só a maioria, não representa nada artisticamente. Mas no meio desse bolo que tem uma ou duas figuras que tem uma identidade, uma marca pessoal. É interessante perceber isso.

 

POA Show – Já que tocou no assunto, como percebe o cenário?

Marcelo Nova – Veja bem, a verdade é que, voltando à criatividade, as coisas estão bem devagar, né? Existe muita preocupação com diversos aspectos, como sempre houve, mas agora mais acentuados porque os canais convencionais de divulgação desapareceram e com a internet a competição ficou acirradíssima. Penso que falta originalidade, na verdade. O que falta é isso, é a distinção. É no meio de cem você não passar despercebido. Criam-se grupos… "indie"… "ah, bandas indie". Eu toquei em um festival muito grande, o Lolapalooza, com 57 bandas e fiquei surpreso como as bandas americanas são fracas. Como são fraquinhas! Aqueles meninos de cabelinho engordurado, fazendo gênero displicente, parece que estão fazendo um esforço em tocar…

POA Show – um ar blasé

Marcelo Nova – Sim, mas o ar blasé é programado! É tudo ensaiado em casa em frente ao espelho. E musicalmente, é tudo muito parecido ou não parecido com nada, assim… Um som de ameba. Eu vi vários shows, alguns pela televisão, outros fiquei pra assistir e o único show que me emocionou foi Joan Jett, porque mostrava algo verdadeiro. O Foo Fighters foi elevado ao status de uma banda de primeira linha por absoluta falta de concorrência.

POA Show – Em outras ocasiões você falou a respeito da distância que mantem da tecnologia. Como está essa relação, alguma coisa mudou?

Marcelo Nova – Nada. Detesto Bill Gates, eu gosto é de Graham Bell.

POA Show – Você não usa Internet?

Marcelo Nova – Pra nada. Ela é útil aqui no escritório. As pessoas que trabalham aqui comigo negociam shows, trocam mensagens, mas eu não tenho paciência de ficar em frente a uma tela e, francamente, não tenho vontade de interagir com ninguém, não quero saber da vida de ninguém, se a pessoa levou o cachorro pra passear e o cachorro fez cocô, sabe? Não me interessa.

POA Show – Existe um DVD Camisa de Vênus que os fãs ainda estão aguardando. Há alguma novidade sobre isso? Por que está demorando?

Marcelo Nova – Não, isso foram problemas que acontecem de produção, pessoas que se desentendem. A gente fez a nossa parte que era fazer o show. Se desenvolveram problemas entre pessoas e isso fugiu ao nosso controle.

POA Show – Qual a expectativa para o show do dia 5?

Marcelo Nova – A expectativa é sempre a melhor possível. Se o som tiver bom, que isso é importante, não tenho dúvidas de que será um puta show, pois essa banda já me acompanha há quatro anos e, então, tenho certeza que será um bom show.

POA Show – Obrigado pela entrevista e espero um autógrafo no meu DVD “Hoje no Bolshoi”.

Marcelo Nova – Com o maior prazer, meu velho! Obrigado a vocês.

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