Ratos de Porão: show impecável no palco do Opinião.

                Noite de segunda-feira e o projeto Segunda Maluca, produzido pela Rei Magro, recebe, no Opinião, uma das maiores e mais conhecidas bandas brasileiras: Ratos de Porão. A banda paulista, que há muito já rompeu as fronteiras do Brasil com sua sonoridade agressiva e suas letras de protesto que vão direto ao ponto, voltou a Porto Alegre para mais uma noite de destruição sonora. João Gordo (voz), Jão (guitarra), Juninho (baixo) e Boka (bateria) mostraram por que são a maior banda do estilo no país. A abertura ficou por conta dos gaúchos da Jay Adams.

                Pouco antes das 23h o Ratos de Porão sobe ao palco para duas pedradas do álbum “Anarkophobia”: “Contando os Mortos” e “Morte ao Rei”. A partir dali foram bordoadas sonoras sucessivas, como “Sofrer”, “Crocodila” e “Morrer”, entre outras que alimentaram a roda de pogo na pista do Opinião, em um completo clima de celebração à história do Ratos. “Aqui não tem essa, aqui não é punk, não é metal, aqui é esporte. É Clube Recreativo Ratos de Porão.”, declarou João Gordo antes de “Amazônia Nunca Mais”.

                O Ratos de Porão, que nunca escondeu sua admiração por outras bandas (inclusive tendo gravado dois álbuns somente com releituras, “Feijoada Acidente? I e II”) abriu espaço para algumas versões, todas excelentes: “Olho de Gato” (Olho Seco) e "Medo de Morrer" (Inocentes) fizeram a roda de pogo agitar ainda mais. Em seguida, uma homenagem a uma banda gaúcha: “Não tem como vir a Porto Alegre e não tocar ‘O Dotadão’”, justificou João.  Clássico dos Cascavelettes, “O Dotadão Deve Morrer", foi berrada do início ao fim pelo público presente. Mas a grande surpresa ainda estava por vir.

                Visivelmente feliz, João Gordo anuncia: “Vou chamar o cara de uma banda que foi uma catarse emocional. Comigo, o bagulho foi muito emocional. E eu fiz parte disso em um momento da minha vida. Quando o Ratos abriu pro Ramones em 1993, a gente passou três dias com os caras. Até lembro que mataram um moleque, essas palhaçadas que acontecem no Brasil, é foda… Mas lembro que num dia os caras até tomaram uma geral da polícia. Eu cheguei pro Tenente e falei, “Mas são os RAMONES! Meu, você é idiota? São os RAMONES!”… enfim… a gente passou o som com ‘Commando’ e eles viram. Aí eles me convidara/m pra cantar a música. E um desses caras tá aqui. Chega aí CJ!!!” – O ex-baixista dos Ramones, que havia se apresentado em Estância Velha, subiu ao palco para um reencontro com o Ratos de Porão. A canção, não poderia ser outra: ‘Commando’ botou o Opinião abaixo. Pessoas de ambos os sexos choraram ao ver um Ramone, ali, tão perto. Não bastando tudo isso, a banda ainda emenda "Work For Never" do Extreme Noise Terror, sempre definido pela banda como “os mais punks do mundo”. Uma sequencia de cinco versões excelentes, brutais, brilhantes e extremamente bem executadas, para alegria geral.

                Ainda rolaram clássicos absolutos, que ajudaram a construir a história não apenas do Ratos de Porão, mas do Punk Rock nacional: “Beber Até Morrer” e “Aids, Pop, Repressão” (que recebeu uma introdução dub/bossa) tiveram execuções e reações absolutamente catárticas na pista do Opinião. Mas ainda viria o bis, formado por “Pobreza”, “Caos” e “Agressão Repressão”, que fechou a noite de porradaria musical no Opinião.

                O Ratos de Porão mostra, em seu show, que mesmo prestes a completar 31 anos ainda são donos de um vigor juvenil na hora de botar pra quebrar. Extremamente bem ensaiados e precisos, a energia da banda ao vivo mostra que o Ratos de Porão continua, sim, cada dia mais sujo e agressivo.

                Excelente. Brutal. Destruidor. Que venha o próximo.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Giovani Paim

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